invasor a noite

fenômenos ao envelhecer / quedas inexplicáveis (com lógica sim, mesmo assim injustificáveis) // percepções falhando, como não sabias que a calçada tinhas estes buracos? pensa! apenas cresceu uma graminha em volta! ou desculpas espaciais… estás distraída, sonhando já de manhã cedo! e, surpresas emocionais surpreendem… algumas pessoas dizem que isso se chama envelhecer, eu retruco, crianças também fazem isso… verdade e eu penso! crianças depois apreendem a não cair, desenvolvem o tal cuidado. somam experiências, eu estou somando desastres… meu querido, desculpa, aqui estou, outra vez, a me queixar mais do que contar. tomei minha taça de café, abri as cortinas, tenho comido pouco, pouquíssimo de manhã… fico inquieta, tomo os remédios (pois é) as muletas, e penso que devo caminhar um pouquinho… sinto um leve temor. morar sozinha pode começar a gerar insegurança para minhas pequenas aventuras. que chegues logo. eu te amo. um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres

Urca – Rio de Janeiro

PERDIDOS em MARTE

“Está é uma parte do seu regime de liderança: estabelecer metas que estão além de qualquer expectativa legítima de realmente alcançá-las e encontrar uma maneira de chegar lá. Mesmo que não consiga, você acaba muito mais longe do que se estivesse sido razoável nas expectativas.” (p.183) Dennis Kneale Elon Musk Gênio ou Louco?

FT em tempo

estás escondido entre livros e sonhos: eu? eu fico a voltar e voltar. não consegui encontrar a ilha das risadas, e das certezas… tudo preso. agarrado ou grudado, ou interceptado por tuas convicções. alguma coisa mudou? sei lá… envelhecemos, de certo. (risos) segues procurando, eu encontrando e perdendo… um desastre se soma ao outro. esqueci de te dizer: consegui ficar terrivelmente triste, acabrunhada e desinteressada… e não li todos os livros que pretendia, nem escrevi todas as cartas… achas que devo tentar? sinto saudades. um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – torres

escondido

uma certa adolescência nesta coisa de envelhecer reverbera, complica: danada transição… não a idade / os noventa anos deve explicar alguma coisa, aqueles quatorze, treze e depois, surpreendentemente, gente grande escalona… ou como é mesmo que a gente explica? escrever se transforma no jogo de xadrez, duríssimo. está tudo tão ameaçado na decisão da nudez. falas saem do cuidado, da precaução, das regras básicas. aliás? regras?ainda temos?

tão evidente! dizer não importa mais / o silêncio se estende perco o sono… estou sem entender / aliás, compreender, apreender, recomeçar: perdi a intimidade. acho que é isso. vou procurar a definição de intimidade. querido, querido, sinto tua falta. ainda não respondi tua última carta como gostaria, fico nas margens, na insônia… meu querido, sinto tua mão. um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – agosto de 2026 – Torres

amanhã estaremos juntos

provas

tenho que passar por alguns provas / testes para me certificar que estou bem / ou que ficarei bem /// eu ainda me sinto péssima mas preciso, preciso lutar e ficar melhor, e, como Polyana de Mme Dely // eu estou bem. começarei amanhã um exercício físico, atacarei por todos os lados… agradeço aos amigos que se manifestam… desfocar, desmanchar, sentir-se atrapalhada, trocar as coisas parece uma coisa terrível, um sinal vermelho… vou conseguir. Elizabeth M.B. Mattos julho de 2026 / Torres / amanhã é aniversário do Pedro…afinal, eles estão crescendo!

meu querido

atrasada com as cartas, atrasada com tudo: num minuto de descuido e o caos mental, interno e externo fica evidente e se alguém tocar a campainha vai levar um vassourada acidental, estou a limpar, a limpar, a limpar como se assim… eu pudesse consertar o mundo, este é o meu concerto. deveria, organizadamente te escrever diariamente, não consigo. aqui vai uma tentativa de um alo. um beijo. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2026 – Torres

carbono

papel carbono // fazer cópias

Il me manquait l’audace l´audace de l’artiste qui travaille au grand jour (j’écris mes histoires le matin, mon journal le soir).

Le secret est l’élément qui a crée cette grotte de stalactites, ce monde de verité. A mesure que je m’ éloigne de la refléxion féminine et que je m’approche de l’art, de l’objectivité, je ne veux pas perdre ce drame du processus, depuis les premiers reflets flou des eaux émotonnelles jusqu’aux lucidités du poète et de l’analyste. Je me sens calme et lucide. Au début, j´etais pleine d’emphase; chaotique, parfois perspicace, souvent aveugle, impatiente, insouciante, je vivais tant, et si vite, j´´ecrivais au même rhytme, négligente ou excessive” (p.279) Anaïs Nin Journal 3

bonequinhas das bruxas

enfiar todos os alfinetes, todas as pequenas e grandes, as enormes maldades também. espetar! pobre da bruxinha! estica os olhinhos pretos, salientes e tanto! tanto! que um botão salta… fica caolha…assim começa a loucura, o enlouquecer… sem lógica: começar a cair, devagar, cair ou sair por aí a tropeçar… colocar as cartas no tabuleiro (podem sair as melhores). as boas cartas podem aparecer, jogar palavras, ideias, jogar o tempo fora, ou buscar o tempo das flores, caminhar na feira livre e sentir o perfume de rosas, mas comprar margaridas… no verão os pêssegos irão perfumar! Ah! o verão! hoje eu entendo! Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2026 – Torres abriu / espiou um solzinho, mas segue frio…