insanidade

Não está presente, a insanidade, apenas nas bruxas más dos contos de fadas. Sempre existiu, mas temos medo de detectar e apontar, até de diagnosticar. O limite é quando alguém começa a deixar de sentir odor, perspectiva e repete, repete, repete e se repete. Hoje lendo a Zero Hora fiquei estarrecida com a coluna do Flávio Tavares. Que pena! Que lástima! Elizabeth Menna Barreto Mattos – março de 2023 – Torres

Sabe o que aprendi sobre o amor?

Que nem sempre ele ouve quando chamamos. É uma deficiência progressiva causada por vagas distâncias e grandes medos. Medos ensurdecedores que nos levam a situações em que deveríamos apenas nos deixar paralisar. Parar tudo. Deixar apenas o tempo em movimento. Nem respirar deveríamos. Muito menos partir. Foi por ignorância que me tornei histérica, gritei o quanto pude, mas o amor estava surdo, encolhido, atolado em impotências. Não pode me ouvir. Sei que ele estava lá, nunca se afastou. Nunca nos faltou. POderíamos ter confiado, teria bastado nosso amor para nos nos faltar virtude. Tivemos pressa. (p.59) Carla Madeira A natureza da mordida

contradição e desordem

Desordem, contradição e confusão. O mundo se sacode estranho…. Ótimo ontem, violento hoje, armado e perigoso. Vingativo. Estamos com medo da sombra. Fechar janelas, trancar portas, desligar… Retirar da tomada a energia. E o sono invertido assusta, estamos resvalando. Que estranho…

Não é aqui, nem adiante. Um susto! E não se pode ficar imóvel… Estou cansada de caminhar! Elizabeth M. B. Mattos – março de 2023 – Torres

amontoado

Amontoado de fotos e desculpas: um nada com poder . O momento resolve, na fragilidade, na força, resolve e altera. O sono sossega. Uma voz grita. Não, uma voz susurra e muda / conserta tudo, ou melhor, qualquer coisa… Pedrinha colecionadas, flores secas. Ressucitamos o gostocom as mãos dadas.

O verão terminou. Quero a voz quente e suarenta do excesso. O vento do outono esfria a temperatura. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2023 – Torrres

ffugir ou affundar

Existe uma quietude a ser encontrada, uma escapada desta angustia ativa que persegue, abafa: não é o filme, nem o dia morno, nem um livro, muito menos a conversa acesa que me deixa tranquila. A quietude precisa atacar para resolver… Ou abraço de amor. O beijo certo, uma sonolência amiga. O silêncio sem partido: por um minuto, o quintal nos pertence, a grama verde e os jasmim derramaram perfume no parapeito da janela e podemos, tu e eu sermos nós. Não vamos desperdiçar vida espicaçando miudezas, o amor tem mesmo uns descaminhos idiotas! Tão apequenados! Vamos pular estas páginas e sermos nós dois pacíficos! Elizabeth M.B. Mattos – março de 2023 – Torres – se importa limpar, lavar, acarinhar os cães, molhar as plantas, lavar as pedras, compro flores para alegrar e abro um suco de abricó, descasco tuas frutas preferidas, troco os lençõis, e o piano dedilho sonato, valsa, e a música não vai parar. Não me perdunda nda, brala. Sou tua.

afinidade

afinidade eletiva? natural. E afinidades amorosas intensas! Estas me espurram e decidem… a vontade, arrastam o sentidp. Eu não resisto. afundo, mergulho, testo e me fico menina te amando, enroscada nas tuas queixas, exigências: teus beijos… gosto de descobrir as tuas afinidades e vou pegando, apalpando cada uma… Que prazer! Elizabeth M. B. Mattos – março de 2023 – Torres

O cenário define? O interior: a cadeira de cor vinho, e o tapete, tua preferência, teu acaso nas escadas e no teu quarto.

desejo

danado / perseguido e importante desejo,

se eu oscilo entre este e aquele

estou, assim mesmo, a clarear /definir o desejo

o meu desejo

o desejo define quem eu sou, como eu sou,

quando o sonho chega e me acorda,

eu te penso

penso aquele amado amor

tenho esta mania esquisita / já perdida ou achada de amar

amar o que não posso ter,

uma sina, um feitiço. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2023 – Torres

mimada

tão mimada pela boa saúde que a irritação chega com uma trava na garganta, um soluço, um peso nas pernas, o desejo de encontrar na magreza a vitalidade, vitalidade! suponho que ela se esconde brejeira para me espantar

as horas de sono e as horas de insonia são como uma manta de lã tricotada por mãos insperientes: uns pontos frouxos abertos ladeiam aqueles outros nervosos e apertados, as franjas são irregulares e o colorido das lãs desorganizado, desenha um trabalho curioso, não uma coberta.

que importa? é a minha manta preferida, enrolo os pés que ficam gelados no meio do calorão! quanta incoerência num dia sem pessoas, sem fala, sem sentido. Talvez eu devesse mesmo arrumar um trabalho, um fazer que fizesse método na desordem deste tempo escabelado da velhice. mas eu me contraponho, nego com vigor a tal precaridade da idade: sigo as vontades festivas da velhice da Ônix, assim a minha peludinha decide o horário de passear, de dormir e de acordar. O acordar me parece ser o mais trágico, justo quando aquela boa preguiça me gruda na cama, ela insiste, exagera na urgencia de me fazer sair da cama. Não basta abrir as janelas, alimentá- la, levá- la para caminhar ou sei lá o que mais, não permite que eu volte para cama, voltar para cama, de jeito nenhum… Então, sonolenta faço o meu café, tomo os remédios e me sento para ler o jornal, ligo a telrvisão na Joven Pan e vou olhando para a cama e para os travesseiros a pensar numa estratégia! uauuu…como é muito cedo e fresco, e silencioso, molho as plantas… e vou jogar paciência. Ela, volta a dormir. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2023 – Torres

aspirações e ambições

“Quanto mais eu própria envelheço, mais constato que a infância e a velhice não somente se relacionam, mas são, ainda, as duas fases mais profundas que nos é dado viver. A essência de um ser nelas se revela, antes ou depois dos esforços, aspirações e ambições da vida. O rosto liso de Michel menino e o rosto burilado do velho Michel se assemelham, o que nem sempre era o caso dos rostos intermediários da juventude e da idade madura. Os olhos do menino e os do ancião nos olham com a tranquila candura de quem ainda não entrou no baile de máscaras, ou dele já saiu. E todo o intervalo parece um tumulto vão, uma agitação vazia, um caos inútil pelo qual tivemos de passar sem saber por quê.”(p.189) Marguerite Yuorcenar Arquivos do Norte

9 de fevereiro de 1968 – Ireja São José- Porto Alegre