
… o vivo importa, e importa, e pode, no repente, se imobilizar
Sol. Azul e uma fresca… ainda sem ânimo. Sem pensar, sem pitangas nem amoras. Sem vontade. É o envolta…, a volta. Equívocos certos. A dor de doer, aquela água apertada. A China, o Japão. A beleza, vejo. A janela escancarada, todas as janelas, e o setimento no quarto escuro. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres


De ponta a ponta, atravessa a área o meu varal, e, se abro a janela as conversas saem pra calçada ou enfeitam a buganvílea assustada daquele lado: esqueço de molhar, de podar, de acarinhar… Mas tem noite comprida como esta de hoje, então, aproveito e vou lá pra conversar um pouco. Resolvo os problemas pendentes, os vidros mal cuidados, a poeira já sossegada, mas ativa… Resolvo o jardim dos vasos. As relações se esvaziam descuidadas… e os amigos se perdem, as folhas voam, e a vergonha desaparece. Quanto descuido! Não tem estrela no céu, noite fresca, silenciosa, domingueira. Toda uma semana pra acordar deste torpor de dormir errado, fazer errado. Que susto! Sair do susto demora, eu sei, passos pequenos e cuidados grandes! Vai passar… Elizabeth M.B. Mattos – março de 2023 – Torres

Fotos de Pedro Moog – março – São Paulo
Ah…Teo, essa história de amor incondicional, é de uma ingenuidade quase maligna. Porque o amor é de natureza viva e, como tudo o que é vivo, tem suas exigências. Não tenho ilusões: é preciso, sim, fazer alguma coisa para sermos amados. Assim como é preciso fazer alguma coisa para sermos odiados. Assim como não fazer nada é, de certo modo, já estar fazendo alguma coisa. (p.204) Carla Madeira A Natureza da Mordida – Editora Record – Rio de Janeiro – 2022
Não está presente, a insanidade, apenas nas bruxas más dos contos de fadas. Sempre existiu, mas temos medo de detectar e apontar, até de diagnosticar. O limite é quando alguém começa a deixar de sentir odor, perspectiva e repete, repete, repete e se repete. Hoje lendo a Zero Hora fiquei estarrecida com a coluna do Flávio Tavares. Que pena! Que lástima! Elizabeth Menna Barreto Mattos – março de 2023 – Torres
Que nem sempre ele ouve quando chamamos. É uma deficiência progressiva causada por vagas distâncias e grandes medos. Medos ensurdecedores que nos levam a situações em que deveríamos apenas nos deixar paralisar. Parar tudo. Deixar apenas o tempo em movimento. Nem respirar deveríamos. Muito menos partir. Foi por ignorância que me tornei histérica, gritei o quanto pude, mas o amor estava surdo, encolhido, atolado em impotências. Não pode me ouvir. Sei que ele estava lá, nunca se afastou. Nunca nos faltou. POderíamos ter confiado, teria bastado nosso amor para nos nos faltar virtude. Tivemos pressa. (p.59) Carla Madeira A natureza da mordida
sem voz, o descanso liso do silêncio esparramado pela casa, sem casa, um amontoado de objetos silenciosos e líquidos, fluídos…sem força, sem sem luz.
Desordem, contradição e confusão. O mundo se sacode estranho…. Ótimo ontem, violento hoje, armado e perigoso. Vingativo. Estamos com medo da sombra. Fechar janelas, trancar portas, desligar… Retirar da tomada a energia. E o sono invertido assusta, estamos resvalando. Que estranho…
Não é aqui, nem adiante. Um susto! E não se pode ficar imóvel… Estou cansada de caminhar! Elizabeth M. B. Mattos – março de 2023 – Torres
Amontoado de fotos e desculpas: um nada com poder . O momento resolve, na fragilidade, na força, resolve e altera. O sono sossega. Uma voz grita. Não, uma voz susurra e muda / conserta tudo, ou melhor, qualquer coisa… Pedrinha colecionadas, flores secas. Ressucitamos o gostocom as mãos dadas.
O verão terminou. Quero a voz quente e suarenta do excesso. O vento do outono esfria a temperatura. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2023 – Torrres
