importante, importante mesmo, não esquecer

outra vez a inquietude, aquele jeito de te pensar voltou, atordoa meu tempo, não adiante eu querer o agora,  este hoje, não adianta aquietar… Vontade tenho de te abraçar! Levaste meu desejo para teu corpo! Longas cartas não resolvem,  não consigo te dizer, e preciso. Preciso te  descrever, colorir, recriar. O corpo, o beijo, teu carinho obsceno, e teu amontoado de dizer. Não canso de ouvir tua voz atropelada: que sejam vinte anos! Eu te espero. Não me importo. Elizabeth Mattos – março de 2020 Torres

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Quando tudo estiver definido, vai ser tarde demais. O momento é sempre agora. Não existe passado, é o que a gente descobre. Tudo que é real é uma espécie de agora.” John Updike Busca meu rosto

Outra inquietude,  o jeito de te pensar voltou e atordoa. Não adiante eu querer o agora, o hoje, não adianta aquietar, queimo. Vontade tenho de te abraçar! Tu roubaste o meu desejo! Ah! Este teu amontoado de dizer! Não canso de ouvir…

o lado lago

Sombra na tua palavra, mas caminho, estrada e tanto verde, verde,  verde por todos os lados… “Somos vítimas da ideologia quando ignoramos que vemos o mundo por intermédio de nossas ideias. Em consequência, acreditamos que nossas ideias são o real, o que nos torna desconfiados em relação a todo dado ou experiência que contradiga nossas ideias: é o real que está errado quando contradiz a ideia.” Edgar Morin – Para sair do século XX

correr para dizer

eu teria que correr tanto para chegar em ti, perto, e te tocar.

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teria que correr tanto para te alcançar!

e mesmo que não conseguisse dizer,

ou não pudesse, ou não saísse uma palavra…

ou todas sem sentido, não dizer pode ser um abraço grande/enorme e gratidão e alegria

 

estou atrapalhada com este envelhecer que galopa e se espalha dentro de mim

posso não olhar no espelho, posso emagrecer e tentar embelezar o impossível,

posso dizer que estar/ser/dividir contigo não precisa ser corpo nem voz nem tato

ora, ora!  ora, eu sei.

tu sabes… vou me esconder.

 

Quero a vida de volta e por isso te espero.

É por isso que não sei o que dizer/dizendo atrapalhada, sinalizo, não digo e tenho um mar dentro que nos afoga. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2020 – Torres, correndo para perto, muito perto de ti. Não olha! Envelheci. Sou outra, nem existo

 

anotações

CHARLES MORGAN / A história do Juiz

…estou lendo este livro, e achei curiosamente interessante a colocação. Seguidamente temos mesmo alguém nos distraindo de nós  mesmos; daquilo que achamos importante fazer, ou gostaríamos de estar fazendo… Então eu pensei: pessoas que CONSEGUEM completar seu ciclo, fazer um plano, e seguir, realizar o dom, o talento, ou qualquer coisa assim, precisa ser sempre mesmo uma esquisita, anti-social… Se tenta fazer tudo conforme um modelito, como se fomos o espelho de outra pessoa, ou daquilo que parece ser o correta, e assim, absoluto, e não é assim porque somos todos tão diferentes! E ser único pode ser prazeroso sem ser solitário… Beth Mattos / 2008 / Porto Alegre

“- Não é que deseje alguma coisa de mim…

Parou indeciso…

Ela deu-lhe tempo para pensar, depois, vendo que continuava silencioso disse:

– Não será porque ele deseja fazer-lhe alguma coisa?

– Que quer dizer com isso? Fazer-me algum mal?

– Modificá-lo de algum modo. Há pessoas assim. Não são necessariamente más. Lembro-me de tê-las encontrado na escola. Havia lá uma menina… Você se recorda como eu estava entusiasmada com a música; era uma espécie de religião; eu vivia me exercitando – e a preocupação dela era desviar-me da música e levar-me a fazer outra coisa. E ela gostava de mim. Não era má rapariga… Há gente assim mesmo. Às vezes querem reformar uma pessoa. Às vezes procuram – de acordo com seu modo de ver – alentar-nos quando estamos desacorçoados, ou desencorajar-nos quando estamos entusiasmados. Mas no primeiro caso não é bondade, e no segundo caso não é inveja. É um desejo de modificar as pessoas, de… De impedir que sejam fiéis a si mesmas.

            – Isso parece um tanto diabólico.

            Ora, não – disse ela; nem sempre. Pode não ser pior que o hábito de cobrir de fitas um cachorro e ensinar-lhe habilidades, só pelo gosto de fazer com que ele não se porte como um cachorro… eu detesto; mas há pessoas perfeitamente encantadoras que fazem isso. Dizem que o cachorro gosta, e é provável que tenham razão. Os cachorros gostam de exibir-se. Nós também, suponho.

 – Ufa! – disse Gaskony. – É um tanto cruel, isso. Nós gostamos de não ser fiéis a nós mesmos/ talvez gostemos, valha-nos Deus. […]

-Seja como for; acho que nisto que consiste a tentação – a tentação verdadeiramente tenebrosa”. (p.31-32) Charles Morgan – A história do juiz

“Rico de intelecto, vigoroso e hábil na ação, não desprovido de benevolência, espiritualmente Severidge carecia de medula. À pergunta “ Que é que eu faço” que é que eu produzo?” poderia dar uma resposta honrosa, bem intencionada, efetiva, pelo menos uma resposta em consciência – pois era esse o âmbito da sua consciência. Mas para a pergunta ‘quem sou eu?” não havia resposta. Muitos homens não têm conhecimento de si mesmos senão como efeitos. Não trazem dentro de si nenhuma conciliação desses efeitos, nenhum senso de individualidade realizada ou realizável, nenhuma origem das notas emitidas por eles. Não são nem músicos nem crianças a cantar; são gramofones, fabricados em massa – produtores de efeito, bons ou maus. Desses, alguns estão contentes com a sua sorte, ao contrário de Severidge; pensam enfatuadamente em termos de efeito, como se poderia imaginar que um gramofone pensaria ao sair da fábrica. Mas alguns são infelizes como o seria um gramofone que conhecesse a causa da música e tivesse consciência de não possuir dentro de si mesmo essa causa. […] Severidge não podia suportar, nos outros, essa dedicação interior. Não odiava os que tinham consciência disso, mas odiava o que neles o excluía. Não desejava destruir ou causar dano, mas penetrar. (p.90-91)

O Juiz passou os olhos pela sala em que Henry lhe dissera o que havia a dizer; viu a lista dos seus títulos, ainda sobre a mesa, a cadeira posta de lado como Henry a deixara ao levantar-se, e as coisas permanentes e inanimadas – o relógio dourado, os pequenos bronzes que o ladeavam, a sua cadeira de braços, o livro que estava a ler quando Henry chegara – e tudo lhe parecia pertencer agora a um antigo período acadiano de sua existência, separado dele pela torrente de desastres subitamente desencadeada. Quando se recebe uma notícia má, as coisas inanimadas, que ela em nada modificou, parecem reter em si o espectro da felicidade perdida do observador; este toca no relógio, quase esperando uma resposta milagrosa; retoma o livro abandonado, lembrando-se; foi este o parágrafo que eu deixei em meio quando ocorreu o desastre; e as coisas nenhuma resposta lhe dão.  (p.96)

Aqui quase um capítulo. Céus!

A carta de Gasky

Mas uma coisa eu quero dizer-lhe, Vivien: o seu Henry nunca me agradou tanto como ontem à noite, quando me contou aquela história. Outros – e temos que aceitar o fato – não encontrarão nenhuma circunstância atenuante, e eu próprio não tenho certeza de que encontrei muitas. Mas o que vi foi um homem que não se lamentava nem procurava fugir à censura, convencendo-me pelo menos que, apesar da clara desonestidade do seu ato, ele não era fundamentalmente desonesto. Às vezes sentimos que de nada servirá se um homem conseguir livrar-se do atoleiro – pois não tardará a afundar-se novamente. Henry não é desses, que faz com que o caso mude completamente de figura. Mas eu estou lhe dizendo o que, tenho certeza, você já sabe muito bem. Sem embargo, talvez valha à pena dizê-lo. Quanto mais vivo neste mundo de indignações morais, onde as pessoas organizam o seu descontentamento em grupos farisaicos – grupos de intimidação, ligas e confederações cheias de ódio, desprezo e censura, estúpidas e agressivas, sempre a choramingar pelos infernais direitos – mais me convenço de que, em última análise, só as relações pessoais importam.O PENSAMENTO GRUPAL NADA VALE, PORQUE OS GRUPOS NÃO PODEM PENSAR SENÃO EM TERMOS DE EFEITO. Seja fiel a uma pessoa pelo que ela é em si mesma, sem se importar com o que possa ter feito; e, quando você for velha não se arrependerá.

Enquanto lia, Vivien concordava plenamente. Achava que o ato de perdão, embora exigido dos amigos, não podia ser exigido dos amantes, pois o amor era incondicional; o seu perdão era antecipado e infinito; pelo nascimento do amor e a inclusão de duas identidades nele, todo o futuro de cada um estava definitivamente redimido pela outra. Aquela era a pedra de toque do amor, a sua diferença dos outros sentimentos e paixões. Se, entre dois amantes, essa redenção era imperfeita, era-o porque as identidades de ambos conquanto incluídas no seu amor, não estavam fundidas nele. Mas o sofrimento – pensou Vivien – pode facilitar a fusão; não sei, mas talvez o faça, se não nos separar, se eu puder manter contato com Henry enquanto estiver preso. (p.103-104)

” – Sim – disse, – você tem medo de mim, eu sei. Mas não precisa ter. Nem sequer vou dizer-lhe que a amo. – Reaprumou-se (…) – O mais curioso – prosseguiu num tom propositadamente menos grave – é que eu não digo que a amo porque, se o dissesse isto certamente não seria verdade – como você entende a palavra. E, quanto a significação da palavra, não sou nenhum tolo… Mas o que é verdade (..) – é que acima de tudo o mais neste mundo, eu desejo ser amado por você. Por você – disse outra vez. – Acontece que nós temos um corpo, e isso também entra em conta. Mas se um de nós não tivesse corpo, ainda assim… Ser amado por você.

– Mas como pode alguém desejar ser amado por um pessoa a quem não ama?

– Parece-lhe insensato?

-Parece… Algo estranho à experiência.

– lembre-se – observou ele – que qualquer outro homem, sentindo o que eu sinto, diria que a amava. Qualquer outro homem. E provavelmente acreditaria nisso; talvez você acreditasse também. Eu lhe disse o que realmente é a verdade.

– Por que me disse?

Ele sorriu.

– As palavras fixam as coisas. Depois que foi dita, uma coisa sai da penumbra. Ali está ela – sempre. Há cinco minutos não existia. Agora é uma parte de mim e de você. Está zangada?

– Não. (p.162)

 

o amor desarruma

Esquisito pensar ou dizer: o amor desarruma, mas tudo está mesmo esparramado neste esgravatar de amor o amor… O livro se debruça noutro livro, o amigo chama e espicha o olho para outro amigo. E as mãos se cruzam e se inquietam: misturar bem para encontrar. E sigo arredia e perdida. Quando uma voz chega perto de outra voz, estremeço. Faço vez de amar o amor. Estico o lençol para deitar. Perfumo o quarto. Claro! Influência rasgada. Voltei pra ti, vou ter/estar o tempo do abraço, vou rezar o tempo. E, que posso fazer? Vou te esquecer!

Por que? Diz-que-direi ao senhor o que nem tanto é sabido: sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na ideia, querendo e ajudando; mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um  só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois.” (p.187) Guimarães Rosa Grande Sertão: Veredas

A pensar: eu me atiro sem tino, e digo o que penso; quero. A tocar, a sentir, e a me entregar. Deste torcido de vermelho no amarelo e no azul esparramado, às voltas, eu tonteio. Sinto no olhar o espanto, recuo, vou ao espelho. Céus! Envelheço. Estremeço. E me desculpo aflita, culpada. Não me olha assim espantado. Vou passar um café. Ofereço  bolo de chocolate e nozes e abaixo os olhos envergonhada. Espio outra vez. Abres bem os olhos. Oxalá me entendas, e me perdoes, e ou brotes a me gostar… Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2020 – Torres

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Country Club

Porto Alegre Country Club
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Entrada do Porto Alegre Country Club.

Porto Alegre Country Club é um clube de campo da cidade brasileira de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. Localizado no bairro Boa Vista, o clube de golfe possui uma área de mais de 50 hectares de mata nativa.

História[editar | editar código-fonte]

Foi fundado em 30 de maio de 1930, por um grupo de homens apaixonados por golfe: Joseph E. L. Millender, Carlos Sylla, Álvaro Gonçalves Soares, A. D. MacDonald, A. S. Cliff, Antônio Jacob Renner, José Bertaso, Pelegrin Figueras, Fábio Netto, Ernesto J. Aldeworth, Victor Adalberto Kessler, Hermano Franco Machado, Luiz Guerra Blessman, Carlos Hofmeister e Arthur D. Sharpus. O texano J. E. Millender foi um dos principais idealizadores do clube e, durante sua estada em Porto Alegre, dedicou atenção especial a esse projeto.

Antes da inauguração, o grupo costumava se reunir para jogar em uma cancha improvisada, no campo esportivo da Brigada Militar. Em dezembro de 1931, o Clube adquiriu um terreno de 42 hectares na região que compreende os atuais bairros Boa Vista, Passo d’Areia e Chácara das Pedras, então pouco habitada e hoje uma das áreas mais valorizadas e movimentadas da cidade. Quatro meses depois, mais treze hectares da vizinhança foram anexados, e a ampliação da cancha ficou completa em 1947, totalizando dezoito buracos. À época, o clube era chamada de “Clube dos Ingleses”, porque havia ingleses e norte-americanos entre seus sócios.

À parte do golfe, o Porto Alegre Country Club ficou conhecido também por promover grandes e tradicionais eventos sociais em seus salões, tais como o Baile de Aniversário do Clube, o Baile de Debutantes e o Jantar do Campeonato Sul-brasileiro. A sede do clube, construída em 1938, está localizada no topo de uma colina.[1]