Resmungos

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O silêncio da solidão! E não está sozinho o homem. Opaco e prolongado silêncio!

Segundo pesado, porque não está sozinho este homem.

O vazio corta. Depois desta luz tão quieta, escuta o tempo arrulhar.

 

 

Foto de Joana Vianna Moog – Espanha, Madri.

A vida.
Celebraste a continuidade.
O milagre.
Ora a solidão, o medo…
E o fim.
Enfim,
Assim é.
Com pombos, natureza ou livros
mente pensante
não à solidão
E adiante
voltaremos
pó.
Agostinho Brentano. Torres, 2014.

 

 

 

Sempre o tempo

“Finalmente o rio se alarga na idade adulta, quando se começa a pensar: e agora? Onde? Quando, quando, o quê? E já temos um passado. Como amadurecer sem perder a graça, sem ficar embotado, sem sucumbir ao tédio da rotina com que nos enrolamos feito um cobertor que abafa as inquietações, as dores e os maravilhamentos? E ao nosso encalço corre o espectro traiçoeiro de acabarmos sensatos demais: temerosos, quando viver é preciso uma dose de audácia e fervor. Em que medida? Ninguém tem a resposta.” (p.65-66)

O tempo é um rio que corre Lya Luft. 2014 Editora Record

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Sem roupa invisível

Tudo em mim se apresenta antigo, ultrapassado: cabelo, roupas e afazeres. Descongelar o refrigerador! Mão de obra! Mas com o esperto ventilador consigo bem rápido. Escuto o quebrar do gelo enquanto escrevo. Ouço um velho vinil em francês, Guy Beart. Você conhece? Ou tu conheces? Os detalhes da história, dos degraus, e o do calor da salamandra…Oxalá agarrasse as horas lentas do campo! Também o andar manso do verde. Aquele capão amigo, os velhos novos açudes! Urgência é diferente. Como inventar o passado?  O viver que não é nosso. Quero o avesso no mergulho estupendo de encontrar o ontem revirado no presente. Acreditar em invencionices. Na capacidade, e em algum pedaço de história que ainda não inventei. Sair sem roupa pelas ruas, invisível. Como anoitece, anoiteço junto, e na loucura louca de esquecer, logo me enfio na cama. Certeza de adormecer. Acordar sem dor aqui, ali, tomada de disposição, e cheia de certezas. Tenho que vencer o dragão, e guardar o fogo, iluminar o caminho. Os balões tomaram o céu de Torres. Elizabeth M. B. Mattos maio – 2014