Sem roupa invisível

Tudo em mim se apresenta antigo, ultrapassado: cabelo, roupas e afazeres. Descongelar o refrigerador! Mão de obra! Mas com o esperto ventilador consigo bem rápido. Escuto o quebrar do gelo enquanto escrevo. Ouço um velho vinil em francês, Guy Beart. Você conhece? Ou tu conheces? Os detalhes da história, dos degraus, e o do calor da salamandra…Oxalá agarrasse as horas lentas do campo! Também o andar manso do verde. Aquele capão amigo, os velhos novos açudes! Urgência é diferente. Como inventar o passado?  O viver que não é nosso. Quero o avesso no mergulho estupendo de encontrar o ontem revirado no presente. Acreditar em invencionices. Na capacidade, e em algum pedaço de história que ainda não inventei. Sair sem roupa pelas ruas, invisível. Como anoitece, anoiteço junto, e na loucura louca de esquecer, logo me enfio na cama. Certeza de adormecer. Acordar sem dor aqui, ali, tomada de disposição, e cheia de certezas. Tenho que vencer o dragão, e guardar o fogo, iluminar o caminho. Os balões tomaram o céu de Torres.

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