Alice Munro NOBEL 2013

download (1) AliceAlice Ann Munro, nascida Alice Ann Laidlaw, é uma escritora canadiana de contos, considerada uma das principais escritoras da atualidade em língua inglesa. Foi agraciada com o Prêmio Nobel da Literatura em 2013.

Em Vida Querida  surgem temas pesados, como a velhice e a frustração de mulheres que vivem em áreas rurais do Canadá. Apesar da angústia, esquecendo as risadas curativas de boas risadas, vale provar a escritora conhecida como mestre do conto contemporâneo.

Transtorno

IMG_1281Morrer, um transtorno. Nascer, festejar. Dor, farol – alerta: pacote fechado. Aguardo.  Joaquim, Ismênia, Perpétua, Manoel, Arthur, Pedro Antônio, Suely, Matheus, Paulo, Rosa, Margarida. Hortência. O jardim.

Analogia do oposto.

Temperamento de rua, entrar  de costas. Tribo certa. Bom vinho. Independência. Liberdade econômica. Ocupação contante, em casa. Uma entre tantas: incerteza vazia ou certeza intensa! Na mão da contra-mão. Dúvida. Transtornos fúnebres negativos; encontro e romãs. Amizade da risada, da lágrima, da festa nas fraldas, ou silêncio.

Contar  pombos… Deixar o tempo sentado na praça. Megera. Faz calor seco, sufoco. Deixa a risada pro outro dia, amanhã. Sem transtorno…

O advogado não envia certidões? Por quê? Justiça sem abuso. Certa na espera. O traçado. O dinheiro escorre…

Recomeçar para entender. Coleção Mimo da Autêntica editora. Virgínia Woof, L’ Occitanne en Provence, Dior, Cartier, ou  Alice no País das Maravilhas.  Alice Munro. Protocolo Bluehand: Zumbis. Listas e Listas. Elizabeth M. B. Mattos – dezembro – 2013 – Torres

Foto: Joana Moog – Espanha.

JEAN COCTEAU…

JEAN COCTEAU

Um escritor deve fortalecer os músculos de seu espírito. Esse treinamento não deixa tempo ao lazer esportivo. Exige sofrimento, quedas,preguiças, fraquezas, fracassos, fadigas, lutos, insônias – exercícios contrários aos que desenvolvem o corpo. ( p.15  Ópio Diário de uma desintoxicação. Editora Brasiliense)

 

Doméstico

IMG_1200A prisão doméstica, interna, no interior vai retesando o corpo, nublando o olhar, curvando o ombro. A roupa não veste. Oculta, o corpo se enche de pregas, amolece, o gosto fica tomado pela gordura morna das frituras de todos os pastéis. Adoráveis! De carne, peixe, queijo, siri, goiabada, será que tem pastel de salmão? Berinjela. A água com gosto de cano, ou gosto fechado, nunca perfumado. Ser prisioneira, estar trancado é reinventar o passo, segurar a luz entre as mãos, retomar a memória, memorizar. Ser livre é brincar de dizer, de fazer, sem pensar tudo, ó fazer. É assumir a falta, olhar o buraco. Entrar no quarto que ventila por cima, e rir demais, muito…e mesmo deitada no assoalho escutar música. Revistas chegam coloridas, abertas em visual lúdico. Ah! Se não fosse lúdico ler manchetes de jornal, e capazes jornalistas rasparem o suco para o melhor perfume. Escrever na linha certa das palavras deixando a massa da pizza crescer, respeitar tempo, gosto e noite…Ficar livre é acordar duas horas da manhã e ter as forças todas alertas, abrir janelas, escutar o que se mexe. Abraçar uma árvore que se debruça exibida na minha janela, velho jacarandá. A prisão é não poder correr, sentir dor, e querer mais, mais vinho, mais camarões, mais massas feitas em casa, mais laranjas, mangas, carambola, pés descalço, Recife, Taubaté, conhecer general que não diz, deixar o café esfriar na esquina. Chão de taboa, bebê abrindo o olho. Prisão e liberdade. Livre em quarto de poucos metros quadrados, livre numa sala de sete metros ou mais. Alumínio nas janelas, pintar um quadro para cada gosto, mesmo sem gosto! E colher flores, Liberdade com a massa da pizza crescendo… bebendo o trabalho de abrir, rechear, e fazer peras flambadas. Dormir. Depois vem sempre o dormir porque o outro sonho já é melhor. VIVA O jogo de futebol! Vou dar o primeiro chute! Fantástico viver! Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2013 – Torres

Aventura suficiente

IMG_1292O dia se inicia na chuva. Tranca-se a porta, fecha-se a janela. As  horas se abrem ao sol, ao suor. Riem umas das outras. Os fenômenos exageram nos ventos, granito. Destelham, afogam, e o dito tempo ensolarado, irônico. O mundo gigante de nuvens como me contou a pequena: enormes, entre cores, brancas, brancas, e o preto, o azul, azul.  Ausência e presença. O livro é igual. Qual é a guerra mais eficiente? A cada boa linha, ideia, nova suspeita. Debate intenso, nos violenta. Acorda. Esmurra. Entristece, não vitaliza. Adormeço. O Jantar Herman Koch é assim, incompreensível como o dia, e tão evidente! (Como a insistência de correr, de parar, de estar perto e longe. Amar um dia, desprezar no outro. Apaixonar-se, modificar-se, apaziguar-se. Adoecer. Adoecer porque dói a dor de não ser tudo. Ser inteiro! Não o mundo está ao contrário, ao teu contrário, ao teu avesso. Vamos costurar estes livro. Lançamentos perdidos, esgotados, uns sobre os outros, a se contradizerem! Guerra de futilidades, de exigências, cicatrizes, internas. E risadas de escárnio! Bolsos recheados de injúrias! Afirmar o que sou assim, aquilo, exijo isso ou aquilo? Ironia. Não leiam O Jantar de Herman Koch. Aliás! Parem de ler! Não leiam nada, olhem as fotos. As fotos. Ou fiquem apenas olhando, pela janela, o tempo acaba passando mesmo… E olhar já é aventura suficiente.

 

Foto de Joana Vianna Moog.

Pote de felicid…

Pote de felicidade: segredos

É como se tudo estivesse em jogo, como se fôssemos apenas nós dois na cidade. Se eu tivesse que dar uma definição de felicidade, seria esta: a felicidade não precisa de nada além dela mesma, não precisa ser sancionada. “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz a sua maneira” é a frase de abertura de Anna Karenina, de Tolstói. A única coisa que eu poderia querer acrescentar a isso é que famílias infelizes -, entre famílias, em especial marido e mulher infelizes – nunca são infelizes sozinhas. Quanto mais pessoas para promover, melhor. A infelicidade adora companhia. A infelicidade não suporta o silêncio, especialmente o silêncio desconfortável que se instala quando tudo é solitário. (p.9-10)

Você não precisa saber tudo sobre o outro. Segredos não impedem a felicidade.” (p.251)

O Jantar de Herman Koch – Editora Intrínsica

Escondidas no bolso

 

Pelo rio sem rumo, sem texto, à deriva, ao vento.

Ao vento, no sopro do sonho ela espera. Espera a linha, o lápis, o texto, a tecla, a dor.

Quanto sol! Que chuva!

O passo oscilante, incerto, segue.

Escondidas no bolso do avental as amoras derramam  azul…

Figuras no azul

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Vejo um cavalo puxando uma carroça. Dolorido, suado, magro. Cansado. Carros soam buzinas. Segue, aguenta na lomba. Cansado. A tristeza se derrama pela ladeira como um rio escabelado…Cascata a tristeza, escorre no paralelepípedo, nas calçadas. Minhas pernas doem, suarentas, exaustas. Sem cabresto sigo, sigo molhando o corpo na imunda saudade triste. Caminho nas pedras, descalça. Lembro a carta solidária de Iberê descrevendo generosidade, gritando dor. Solidário, impotente. Mundo egoísta, carimba propriedade, grilhão. Peso que mede sem medida, sem dó, ou piedade. Sobrevivência.  Água. Propriedade. Mil réis, cruzeiros, centavos, reais. Gravuras, pincéis, papel. Planto tomates e alface nas janelas poluías de São Paulo. Vou procurar os amigos: Edy Lima,  Marco, os Bordini, ou ainda Jean Lhemans. Paulo Sérgio. Levo mimo de Natal. Desafio Iberê a terminar o imenso quadro azul naquela terra gaúcha de Nonoai. Tropeça sem cor, sem tinta… Também tropeço no azul. Longe um do outro! Caídos. Como chegar no tempo de arrumar o tempo deste mundo que aperta? Não tem volta pra rua das Palmeiras. A carroça chegou ao alto. – Vou logo te entregar o meu pote de amoras, meu querido! Elizabeth M.B. Mattos – 2013 -dezembro – Porto Alegre

Foto de Joana Vianna Moog

Como os capitãe…

O desrespeito pelo mundo, pelas pessoas cresce. Deboche na políticos e nas propostas. Ironia através de informações festivas com tintas de verdade escandalosa. Miséria, ajustes, desenvolvimento, roubo, ladrões, assassinatos. Novos escândalos! Assustador! Como não percebem? Como consideram o mundo os que o tornam mundo?  Como não consideram o que está acontecendo? Teatro macabro. Falta de atenção? Somos todos surdos, mudos, e nem se trata de risos ou lágrimas. Perplexidade. No texto abaixo, o poético descaso com a beleza do mundo.

O que já foi dito sobre beleza?  O que já foi dito sobre observar, ver, pensar, constatar? E encontrar o possível? Tropeçar, mas caminhar…É preciso reavaliar. O primeiro gesto, a última lágrima…

 

“Como os capitães de petroleiros que esvaziam os tanques em alto mar percebem o oceano? Que percebem da paisagem rural os que poluem com cartazes as estradas das cidades? Como consideram o mundo os que o tornam mundo? Se o considerassem tão divinamente belo quanto, evidentemente, eu o percebo, respeitariam o espaço e os seres vivos que eles assassinam. […]
Hoje, nosso mundo corre perigo não apenas pelas razões que conhecemos, energéticas e duras, técnicas, financeiras ou industriais, mas talvez sobretudo, porque os responsáveis pelas decisões das grandes empresas que se estendem no espaço perderam a sensação, o sentido hominoide da beleza – hominoide porque remonta, no mínimo, às percepções e às pinturas de Lascaux; hominoide porque sapiens significa: aquele que tem gosto. Será que ele durou tanto tempo porque vivia na beleza? Não perceber equivale a perceber mal; perceber mal enfeia, enfeiar sua companheira a mata; não perceber o mundo o enfeia e o mata. Não destruímos apenas por gases devidos ao efeito estufa, mas pela cegueira, produtora de ignomínias. Não vemos mais o mundo, perdemos nossos Faróis ou os condenamos a extinguir sua luz. Quem e o que percebemos nós?”  (p.75 -76)
Virgínia Woolf O tempo passa
Editora Autêntica – tradução e notas de Tomaz Tadeu, 2013.

 

Virgínia Woolf nasceu em 1882 e morreu em 1941.