MERCADO PÚBLICO

Patrimônio Histórico! Outro incêndio!

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“O Mercado Público faz parte do patrimônio histórico e cultural da capital gaúcha desde 1979 e foi inaugurado em outubro de 1869, segundo informações da prefeitura do município. O segundo pavimento foi construído apenas em 1912. Pelo menos 111 estabelecimentos ficam no local. Este é o quarto incêndio que atinge o prédio. Os outros ocorreram em 1912, 1976 e 1979.”

Porto Alegre. Rio Grande do Sul. Brasil.

Calaminada!

De volta

Alegria ferve. Expectativa. Bastante tempo longe! Alívio na chegada. Vou ao teu encontro. Aperto teu corpo, respiro. Sinto tua falta. Como posso ser ambivalente e deixá-la repetidas vezes? Paradoxalmente te abraço com a mesma intensidade de saudade… Penso em quem deixei no Rio de Janeiro. Não resisto a sedução! Mas retorno aos teus braços. Teus seios pequenos, teus cabelos tão crespos! Teus olhos rasgados. Tua boca enorme engole meu corpo, aos pedaços… Teu rosto oriental exige servidão. Estás inteira no meu abraço. Corpo cuidado, roupa escolhida, colorida. O avião desce. Olho entre pessoas. Esperas por mim. Levo presentes em linho, branco, macio nos lençóis. Outro perfume. Alegria ferve. Agitas tua cabeça. Caminhas. Meus olhos em nós. Tuas perguntas, as minhas. Recomeço. Estabeleço prazos e tempo. Não me importa  quem te abraçou, o que fizeste… Estou agora no teu beijo. Teus braços magros, cansados! Malas cheias do inverno que não passei contigo. “Aonde estavas, minha amada, na noite de 28 de agosto quando o telefone tocou na madrugada?” Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2013 – Torres

Carta ou Poema

“Porto Alegre, 19 – 09 – 92.

Querida Beth,

O vento não sopra o pássaro não canta, o céu está mudo, e Beth não fala.

Não sei o motivo desse silêncio inquietante, como ele sempre é, seja de pessoa ou coisa. O sol nasce o sol morre, e eu e meus ciclistas continuamos numa caminhada sem fim. Para onde? A meta, o horizonte é uma linha de mentira.

Meu último quadro tem este título que vem de uma poesia de Fernando Pessoa: – “Tudo te é falso e inútil.” O passado, um montão de sucata envolto nas brumas da memória.

Fala Beth. Estou muito triste e deprimido.

Há mais de quinze dias que estamos sem motorista. Diz ele que está com catapora ou coisa parecida. Como estou com o braço direito meio travado, devido uma artrose ou outra porcaria qualquer trabalho com dificuldade, e não dirijo carro. Como vês estou preso. Não sei quando poderei por este bilhete no correio. […] vida difícil!

Abraços e muito carinho o Iberê.”

Arquiteto

Iberê Camargo. Pintor gaúcho.

Acervo  na Fundação Iberê Camargo. Porto Alegre. RS

FUNDAÇão

Vamos para a ilha!

João! Trata de estudar japonês e inglês,  muito, muito e muito  para ficares rico… Não que seja o mais importante da vida. É preciso respirar enquanto se trabalha… Olhar a natureza, ver o céu, estrelas, as nuvens com desenhos. O azul, o cinzento, os rosados e os vermelhos. Molhar-se na chuva, ter cães, e por que não gatos? Cuidar do jardim. Beijar muito, abraçar. Beijar. Rir. Conversar com amigos, ouvir histórias. Saber escutar o silêncio. E também tocar um instrumento. O piano, o violão, quem sabe bateria. Cantar. Soltar a voz e cantar! Rir com os olhos. Tudo isso é necessário para a boa vida. Alimentar-se de frutas, e legumes. Sentir o sol… Caminhar pelas calçadas, pelas pontes, pelas praças, e namorar. Beijar. No entanto estudar, estudar, estudar, estudar importa. E leitura é mais do que abrir livro,  revista,  jornal. Olhar, observar é ler também o lúdico. O intrigante. Instigante. Ler as pessoas… Observar gestos. E não esqueça de contar as ondas  da praia. Leia. Decodifique, e transcreva, interprete. Aprenderás a te conhecer. Menino intenso, amoroso, curioso… E claro! Vamos comprar a Ilha francesa que está à venda… Por que não?Levamos o Lucas e a Luiza.

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http://www.megacurioso.com.br/arquitetura-e-engenharia/36937-ilha-francesa-esta-a-venda-por-r-27-milhoes.htm

E…

A vida do outro exige decisões. Eu dependo do  prolongamento do teu  olhar, da tua vontade. Da janela aberta, da voz que importa…

Sequencia, interrupções, e alguns passos, todos os passos…

Afinal somos responsáveis pelo que provocamos: decisões, hesitações,  covardia ou ousadia.

Palavras: o anel, o círculo.

E o Rio de Janeiro palpita, estremece. São Paulo responde. Porto Alegre tem  frio e chuva. Torres espera por ti…

Elizabeth M.B. Mattos –  junho de 2013 – Torres

Braço preguiçosooooo

Todas as pílulas, todos os meios… Que a dor diminua deste jeito, assim, e interrompa  a corrente que aperta. São  lembranças,  faltas, e ausências. Um nada pequeno e sussurrante desta visita que não chegou. É o Rio de Janeiro! Ruas sacodem inteiras em gritos de festa, às vezes doloridas. Possibilidades! Sem ansiedade, menos… O tempo  se move na lembrança cantante, e se declara amigo, pacífico. Lojas exalam perfume, e a delicadeza desta camisola supera o pijama! O sapato! A toalha! Louças delicadas para o chá! E tecidos que se desenham sonolentos. O mar. Ipanema. Delfim Moreira a janela. Volto ao Arpoador. Milhões e milhões de reais que foram cruzeiros cruzados… Saint Moritz não é vez este ano. Vou festejar o futebol do Taiti por três meses, não, quatro pra ficar  Gauguin,  e ser nativa. O certeiro do teu ponto te equilibra paulista. Eu me deixo consumir no copo de vinho azul. Amoras. Cafés. Sucessivos cafés com pão e manteiga, e mel, e leite, outra vez café. O gosto de frutas amassadas, e o caminhar lento, vagaroso rodeando a Igreja Notre Dame de Paris. Outra vez Eu. O vagar medido pela dor pequena e grande que o tempo impõe. Respeito. De volta entro na livraria Da Travessa: mais café. Cheiro de livros pacíficos acalmam o desagrado inteiro de estar, estou? Sozinha. Ele não veio segurar minha mão. Nada a lamentar. Sem memória. Por que contar beijos?

E tu me estendes o braço preguiçoso do amado… Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2013 – Rio de Janeiro

Lembrança censurada

Não contar é apagar um pouco o passado, esquecer, negar…Pode ser um pequeno favor. Lembrar é fazer acontecer… Mas existe  lembrança censurada! Pudor! O que eu te diria, meu amigo? Eu também te esperava nas sessões duplas daqueles domingos… Jujuba, cinema Ritz.  Petrópolis com sol na calçada.