felicidade,ah! felicidade

a dita felicidade, ah! esta felicidade surge, escorre como um fio gotejando do rochedo,

se fosse colocar as mãos em concha, eu beberia com certeza, sentiria o gosto cristalino…

ah! a felicidade que tenho guardada com teu prazer amoroso! escondo em baixo dos travesseiros o teu cheiro….

volta querido. Elizabeth M.B. Mattos – feverteiro de 2023 Torres

foto de Marina

ironia de pensar

A comunidade não tem suborno capaz de tentar um homem SENSATO. É possível levantar dinheiro suficiente para perfurar um túnel numa montanha, mas não é possível levantar dinheiro suficiente para contratar um homem que se ocupe com a sua própria vida. Um homem eficiente e valoroso faz o que pode, quer a comunidade lhe pague ou não. […] Talvez eu seja excepcionalmente cioso de minha liberdade. ( uma citação )

Correntes frouxas. Apertá-las pode ser loucura / improbilidade, equívoco. Tenho / preciso de uma margem para recuar, ainda quero sobreviver com certa dignidade… Vou prolongar o meu sono e esperar o calor passar, talvez nem se dê conta que estou a medir: as pessoas estão tão distraídas! Beth Mattos

mais aberto o mundo, desdobrado

…mais aberto o mundo, maiores possiblidades, quanto mais desdobrado, menores são as possibilidade das pessoas enxergarem, comprenderem o que estão vendo… impressiona a grande confusão entre ver, e compreender ou aceitar. A mudança tem /é feita numa velocidade inacreditável… Temos / podemos tudo em poucos minutos, mas, infelizmente, inda não sabemos como administrar as possibilidades todas / as variáveis! Quem pensa que sabe tome cuidado para não se espatifar ali adiante, não se afogar em águas rasas… A introspecção / o recolhimento se fazem necessários: avaliar com certa regularidadae. Éo sol, o verão, os frio excessivo, os terremotos, as chuvas violentas, O cuidado com o que nos protege, o entendimento… viver é um dos grandes e fantásticos enigmas. A doença, uma armadilha, a cura espreita, adoecer é flertar com a ciência… Os psicologos não dão conta de tantas lavouras, mas, não podemos desistir… É o mundo hoje. O desafio é respirar. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

pode ser

Pode ser uma conversa grande / comprida, um amontoado de explicações, uma tarde que afunde na noite, mas, infelizmente, a noite amanhece. De dia as conclusões, as promessas se atacam de uma preguiça crônica. E começar outra vez parece o mesmo do mesmo. As palavras se afogam numa memória viciosa. Se as conclusões são/estão como os pés, no conforto de sapatos velhos/usados, não resolve: ali mora o bem bom, e a vaidade escorrega… Conselhos desgastados de pai e mãe se esfarelam tanto quanto as convicções. Ninguém nasceu para ser herói, ser um herói surge / acontece por acidente. Foi o acaso: outros desistiram e ele PRECISOU mesmo fazer, e fez acontecer heroicamente.

Usamos armaduras, pesadas, medievais, se era difícil naquele tempo, segue difícil se mover com elas, ainda hoje… E este calor, o sol do verão esquenta os humores, derruba todas as precauções, arrancamos o juizo da sombra… A exposição queima a alma, viver queima o corpo, falar pesa no palavreado do mesmo, e os desencontros…., uaiiii! São encontros repetidos! Estamos mesmo solitários na jornada. O carnaval, a festa de carnaval, explica bem a dança dos foliões, um dia, dois, e três, depois a realidade comprida/esticada, igual, esfalfante, sem glamour nenhum! Acho que não vou aprender nunca, terei que nascer e nascer, e nascer, e exaltar gentilezas, arrancar pretensões, e, será sempre tão pouco! Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

tempo

progresso tem cheiro de lago parado.

expectativas descascam, murcham, e, as alavancas estão/permancem em ponto morto.

num mundo escancarado, aberto se despedaçam as cores. aquela chuva miúda, inexpressiva e constante se alonga cinzenta.

os pássaros se calam. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres, ainda

transferir

Se eu pudesse, se eu pudesse padecer e ele viver! As transferências! Depois que o ser humano sonha / deseja…, depois que ele quer e por algum motivo não pode, sofre. Sofre um sofrer apertado / comprimido. Sonho / desejo, ou sofrência? Não poder pesa, dói, limita…,e, esta dor dói. A dor em mim, dói em ti! Quero que doa apenas dentro de mim. Eu aguento.

Não sei explicar a privasão, nem a inquietude, nem o não ter do não amor. E no sonho-desejo, quantos intermináveis pedidos de socorro! Quantas garrafas contendo história-pedido. Sonhos lançados ao mar como esperança de socorro / ajuda / amor! Tantas! É impressionante, admirável que ainda se possa ver o mar, afinal, deveríamos ver apenas garrafas com pedidos de socorro! Garrafas flutuando, esperançosas… E, dentro de cada uma, uma história de amor, única, completa. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

pensando Porto Alegre

Silencio / uma caixa, um presente que sacode o tempo, traz de volta…, então eu penso o quanto eu gosto de Porto Alegre, de morar lá, de respirar por lá…, fechar o apartamento doeu muito, minha casa! Todos os trabalhos, a televisão, a galeria de arte, a revista globo, as possibilidades, a ousadia, tudo intenso, cuidar de criança… ( a delicadeza de uma sobrinha que me deu este emprego ) e o intenso de viver. O difícil foi ser despedida, sumariamente, da Garagem de Arte, parecia ser para sempre, mas eu era apenas, um detalhe… as ilusões são assim mesmo, cheias de surpresas desagradáveis!

Agradeço a Mabel e o Bento, sempre agradeço, e nem tenho todas a flores necessárias para entregar, nem o carinho, nem aquela amizade de toda a vida… nada fica do tamanho da minha gratidão. O apartamento (espetacular) ao lado da Praça das Nações, na rua do Petrópolis Tênis Clube, que terminava na Itaboraí – perto do Gianfranco. Preciosos e emblemáticos anos morei ali…na luz, na beleza, no incrível apartamento. A vida tem fatias de prazer maiores do que a nossa gula. As transições foram preciosas, absorvidas. Vendi Torres /comprei o apartamento da/ na Avenida Indepndência. Outro encanto maior do que qualquer viagem! Tão espetacular! Tão exatamente como eu queria. Lindo! O baile de inauguração f trouxe os amigos, a conversa se prolongou por dias e boites e imprevistos iluminados Saudade. Depois a casa da irmã. POdia ser definitivo. Encantada com o meu super quarto, minha super sacada, minha super vida na rua HIlário Riberiro…Perto do céu, dentro da família, acolhida, segura, em harmonia perfeita. Eu ia ia e vinha porque o neto nasceu, porque Torres estava no sangue, e Torres era uma Beth menina, cheia de mar, de prolongados banhos, de reencontros. mais praia do casa…, mas não era mais minha a liberdade, e a tirania natural de quer isso e aquilo me faz apartar a liberdade. precisei me decidir – não podia ir e vir, vir mais do tempo do que ir…ocupar o quarto sem estar com a irmã, ela me fez escolher,uma coisa ou outra. Ademais não poia pagar um alugar naquele endereço de luxo. Ela me acolheu, as regras eram dela e a inquieta, livre, agitada pessoa era eu, fiquei incompatível por dentro. Foi asim que nasceu Torres definitivo, outra vez, Não mais com estudante / fechando o Doutorado, terminano as aulas, encerrando atividades, eu voltei… E hoje, neste susto sinto saudade de Porto Alegre. Do ir e vir. Dos cinamas, das pessoas, do gito, de esta lá, de ser eu, e por que não, de trabalhar. Não poderia voltar ao meu velho quarto que está tomado, nem desalugar o apartamento (quem sabe!?)Sim, sinto vontade de arregaçar as mangar e ter uma casa em Porto Alegre, e uma casa em Torres, voltr a praia e aos abacxis, convidar os amigos, veranear. Assistir aos lançamentos de cinema, ir ao teatro, Ospa e conversar, sim…fazer tudo acntecer outra vez, por que não? A vida se desenha no fazer, fazere, fazer….ou ir a São pAulo com o filho, quem sabe o Rio com a Joana? Fazer uma mala, comprar uma passagem pra mim, nós vamos aventuarr… Onix irá – comigo, é claro! Elizabeth M,B. Mattos – fevereiro de 2023 Torres

Mabel, vou passar uns duias conigo!organizar a cabeça, Costurar/remendar/ativar a cabeça.

socorro / e a palavra não sai, ah! a palavra

Esta coisa da fala, dooutro, de olhar e dizer…medicinal e pacífica pode ser a palavra, necessária. esta coisa de ouvir / dizer uma loucura necessária, por que não me entendes? por que não me socorres? por que não te compreendo? quero então te abraçar muito e muito, chegar perto, mesmo no silêncio, no tempo noturno de dormir, não tenho hora pra dormir, fecho os olhos durmo…e tenho tido magníficos e povoados sonhos, coloridos, cheios de fala, tensões e surpresas. Outro mundo /universo os sonhos destas cabeças de tanto dormir! E os filhos e movimentão, sorriem, se completam no tempo. A magia da gravidez! o iluminado prazer de fazer vida… depois a saudade miuda de todo o tempo, do amor, do acompanhar, do ocupado e engenhoso tempo de ser mãe…, onde está a volta da curva? a paz/sossego? não, não posso parar, multipliquei um milhão de vezes a sensação… e as tais palavras se milturam incompreensíveis, o que digo ou o que penso não alcança ninguém, não chega em lugar nenhum, não tem fim. As conversas são enfrentar uma floresta densa, populoça, inacreditavelmente, falante e silenciosa. Ah! as nossas interrompidas, movimentadas e agitadas conversas, meu querido! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

a vida é curta e o conhecimento, ilimitado

“No Admirável Mundo Novo, distrações ininterruptas da mais fascinante natureza são deliberadamente empregadas como instrumentos de governo, com a finalidade de impedir o povo de prestar demasiada atenção às realidades da situação social e política. O mundo da religião é diferente do mundo do entretenimento, mas os dois apresentam semelhanças num ponto: ‘ no fato de não serem deste mundo.’ Ambos são divertimentos, e, se usufruímos dele de forma excessivamente contínua, ambos podem tornar-se, segundo Marx, “o ópio do povo”, transformando-se assim numa ameaça à liberdade, e apenas os que estão constante e inteligentemente despertos podem alimentar a esperança de se governar a si próprios eficazmente por meios democráticos. Uma sociedade na qual a maioria dos membros esbanja grande parte de seu tempo não na vigília, não aqui e agora e no futuro previsível, mas em outra parte, nos outros mundos irrelevantes do prazer e das obras superficiais, da mitologia e da fantasia metafísica, terá dificuldade em resistir às investidas daqueles que quiserem orientá-la e controlá-la.”(p.56-57) Aldous Huxley Regresso ao Admirável Mundo Novo