eu te amo

quando eu digo eu te amo tem o recheio inteiro / completo da confidencia, do cuidado, do urgente e do sem tempo que se encaixa em dois minutos da tua vida apressada, dois minutos roubados. Quando me dizes te cuida eu me completo e sinto / e sei do claro e lógico querer, prazer alegre do gozo… Eu me faço forte, livre e solta, sem amarras. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 no meio da ventania que grita

por que

Por que não escuto melhor o tempo de fazer coisas… Por que não organizo as horas de te amar e deixo invertida a vida… Sem rumo, no rumo certo, ansiosa e calma/tranquila a te esperar, sou eu.

Nada é melhor do que o hoje feliz; nada é mais alegre do que a tua voz-palavra que me abraça…

E a vida se completa, e a vida se desdobra livre e forte. Nada é mais perfeito do que esta distância medida e calma de te amar. Elizabeth M.B. Mattos – maio ventoso de 2021 – Torres

abrir a porta

22 de maio de 2021 sábado – Depois de boa chuva, dia bonito. Cinza o céu, mas brilhante. O frio saiu devagar. Dormi bastante. Um pouco aqui no quarto grande, outro pouco na cama do quarto pequeno, aperto. Angústia diminuí. O medo me espreita. Conflito entre ser e não ser eu mesma: esquisito o que eu sinto. Deves estar atento a tua rotina, também a fazer isso e aquilo. Fico a imaginar tua vida. Os cães, o verde, a granja, o gramado, as mãos. Exóticos voadores, e tu, claro, tua vida… Por que gostaria de sempre te encontrar aqui: eu me sentiria / eu me sinto a salvo em casa. Transgredir dói /surpreende. Qual o sentido, como explicar. Exasperas. Quieta, eu te espreito. Lembro do carro estacionado. Do noivado desfeito. Da professora. Dos estudos escabelados. Dos voos milionários, de ousar…, e depois, inúmeras recuadas. Dos não vou, não posso, não… Por que a casa protege, nem sei exatamente o quanto. O quintal, os espinhos das buganvílias. E o certo é medo. O neutro? Lugar neutro. Precisamos ir tão longe para beber outro café? Eu te convido para almoçar. Jogo uma toalha e peço uma comida do bom restaurante. Os vinhos já temos. Podemos logo sentar com cerimônia, mesa posta. Compro flores. Prometo não ficar/ser ansiosa. Falar pouco, e escutar. Ligo o rádio / ou Mozart, talvez violinos. E se quiseres ir ficando ficar… A caverna não tem portas para fechar, não posso te prender. Deixo a bagunça como ela é, coloco os óculos para te ver melhor, minha roupa de inverno, fico com as meias de lã, e te conto histórias, ou leio em francês. Gide e seu magnífico “Les Nourritures Terrestre” : […] embrasse la vie comme qualquer chose qu’il a faille perdre (abraça a vida como se fosse qualquer coisa que fosse escapar/ perder naquele momento mesmo)/ Agir sans ‘juger’ si l’action est bonne ou mauvaise. (Agir/fazer sem julgar se esta ação é boa ou ruim) Aimer sans s’inquiéter si c’est le bien ou le mal. (Amar sem se inquietar / angustiar por ser o bem ou o mal) Nathaniël, je t’enseignerai la ferveur. (eu te ensinarei o fervor/ o entusiasmo / ímpeto ou a impetuosidade) Mes émotions se sont ouvertes comme une religion. (Minhas emoções se abriram / estão abertas como uma religião que inunda toda a alma) Peux-tu comprendre cela: ( Tu podes compreender isso:) toute sensation est d’une ‘présence’ infinie. (sensação, a sensação como uma presença infinita)/ Nathaniël je t’ enseignerai la ferveur. Nos actes s’attachent à nous comme sa lueur au phosphore. ( os nossos atos / o fazer se ‘agarra’/ se prende a nós como a luz fluorecente/ eles estão ali todo o tempo) Il nous consument, il est vraie, ( eles nos consomem, apertam, agitam, é verdade) mais ils nous font notre splendeur. (mas eles são o nosso esplendor) / On n’ est sûr de ne jamais faire que ce que l’on est incapable de faire. (difícil traduzir: não temos certeza de que somos incapazes de fazer,) ASSUMER LE PLUS POSSIBLE D’HUMANITÉ, voilà la bonne formule.“( ASSUMIR, (presumir) sempre que possível, humanidade (o jeito humano de ser). Estou divagando e apostando no teu francês, tirando o meu do bolso. Quero ter dez anos mais do que tu, ou quinze e ter certeza que podes chegar, não importa a hora, e entrar sem bater. Faço um café, sou menos inglesa, ou um chá, ou bebemos uma taça de vinho, ou água com limão. Vens / chegas para fazer uma visita porque eu gosto de ti e porque tu gostas de mim: aprendemos a rir juntos. Rir de nós mesmos. Ou apenas ficar perto, por ficar…Um beijo Elizabeth M.B. Mattos

brincadeira

…, não sei se nós brincamos com a fantasia, ou se a fantasia brinca conosco. Leio o que escreves, escuto o que me dizes. Posso te tocar ou não: imaginar. Estares perto ou longe…

Nada fica cinzento nem frio, nem triste, nem incômodo, nem mais ou menos. Por dentro, por fora: estou inteira, completa e feliz e tão absurdamente tua / contigo, feliz. Homem versus menina ou Mulher versus menino. Que importa?!! Ou apenas nós dois do jeito que somos / estamos entre o nublado e a cozinha, entre passar as roupas e as panelas. Dançando ou sem dançar, cochilando, ou correndo… Ouvindo rádio, ou no silêncio. Te cuida. Cuida muito. Beijo, um beijo, ou dois, ou ainda saudade picada, ou tesão / vontade de estar / escrever e ficar enrolada nesta grande confusão de te amar ou te perder. Dizer tudo e nada. Elizabeth M.B.Mattos – maio de 2021 – Torres

desabafo incoerência

Cultivar/cuidar/ trabalhar uma inteligência para despojar/arrancar as coisas de seu valor secreto, de tudo o que constitui o verdadeiro sentido, a beleza do universo, caminhar apenas na tua direção obstinada e enlouquecida para dizer nada enfiada no teu abraço. Esquecer tudo o que já foi dito / escrito sair dos trilhos! Olhar para dentro de si mesmo, e dizer tudo! Ninguém ainda teve a audácia de dizer tudo! Finamente apareceu alguém: tu. Ou seria eu! Eu irei me despir, ficar nua, tirar a roupa e caminhar devagar a fazer o que for preciso, preparar o café, esfregar a panelas, e viver absolutamente livre. Uma nudez simbólica. Um tudo emocional. Um despojar festivo. Todos estes impulsos se resumem, iluminam o amor apaixonado cego que sinto por ti. E se tu não me amas? Escorregarei, esfolarei os joelhos, sangrarei as mãos, ensurdecerei. fecharei as janelas. Morrerei para voltar outra. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 – Torres Hiroshima / bomba / extermínio e silêncio, explosão / o horror colocou P O N T O FINAL.

festa de balões

Não contei quantos estão no céu, os balões voltaram e com eles a festa, a festa… Como se pudéssemos dançar nas calçadas! Enfeitar o coração com bastante / muita alegria flutuando… Este outono chega carregando frio, os casacos coloridos e as boinas se apressam nas caminhadas. O movimento alerta: estamos vivos! Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021- Torres – torço para as buganvílias festejarem a cor todos os dias…

maio escorrega, feliz contigo

Aliviada, queimaste cartas e fotos. Ardente lembrança tempestiva. Ao me desnudar estremeço, depois tremo no pudor. Bom que sabes arrancar o medo e me acordar. Guardo o colorido / festivo sentimento: amor que sinto por ti. Confesso ansioso amor. Releio mil vezes o que me escreves até comprimir o sentimento… Extravio na papelada do correio, mas em caixas guardo nós dois: somos o pigmento. Misturo/ preparo e uso o pincel mais grosso para escorregar. Desenho na tela, esparramo as lembranças. Passo os dedos pela tela, loucura absoluta. Pelo tato, pelo cheiro sinto teu corpo. Uma página da tua carta (uma basta) aquela dos teus beijos no meu corpo, a das tuas promessas sussurradas: despejo vermelho, depois esparramo o castanhos, desenho teu rosto, aperto teus olhos, defino tua boca. Não és mais o garoto/menino da minha memória. Deixo uma palavra boa, a melhor, a flutuar pelo amarelo… Jogo a tinta branca respingar em / por cima de nós dois. A tinta demora a secar. O desejo se agita, grita: tempo indefinido. Uma semana, um mês inteiro. Queimo ansiedade em longas caminhadas. História boa / beleza certa, tu és mestre. Obrigada por destruir vestígios, sim. Sem rastro. Se estivéssemos, hoje/agora juntos nem fotos, nem bilhetes, nem tempo existiria, apenas tu e o meu delírio. Hoje cavoucarei a terra até os dedos sangrarem. Alguns artistas pintaram com sangue, a loucura da imaginação / transgressão. Karin Lambrecht. Não sei,… os museus, as galerias te interessam? Quero entrar religiosamente, como se fosse uma catedral. Tenho tanto para apreender contigo… O mundano da beleza se remexe…Tu podes me levar, deixar para trás, ou pegar na minha mão, não esquece… hoje, amanhã, depois de amanhã já… Tenho certeza que virás por mais tempo (foi tão furtivo, tão abrir e fechar o nosso último encontro!), depois esquecemos este tudo…, eu te prometo. Apenas hoje enquanto ferve o desejo. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 – Torres

e música

abrigar reticências interiores

Ao conversar, pensando, escrevendo, sonhando, e as reticências no texto…., dentro de mim, em cada palavra explícita. O tesão complementa, e o toque conversa ruidoso, e o que nunca vai desaparecer é o silencio da tua voz e as tuas palavras despejadas… Eu te sinto na cumplicidade contagiosa com tudo que é vivo. Aprendi olhar apreciar campo, árvores, animais, o sol, esta chuvarada que me faz doer o corpo, e a te conhecer. O sonho não muda de lugar, e o pior , ocupa a realidade, quero que venhas o mais rápido que possas meu amigo. Beth Mattos -maio de 2021 – Torres ou preferes que eu corra ao seu encontro? E descubro flores…