caminho partido

Difícil, complicado, complexo amargo caminho.

Estamos a sangrar. Não consigo pensar resolver sentir, ou apenas estar presente. Amigos amados queridos poetas escritores pesquisadores, intelectuais. Paralisados. Que a luz ilumine e a noite me tranquilize no abraço. Não sei escrever, colorir, ouvir ou dizer, muito menos julgar. Tanta  dor, tanta tristeza, tanto desespero! O escuro, a pausa se faz necessária… Condenar punir culpar perdoar entender. Indulto/ perdão… Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2018

desconfiança

Onde há convencionalismo, há desconfiança, e da desconfiança nasce toda a espécie de intrigas. E, com um pouco mais de sinceridade, tornaríamos a vida mais fácil para todos.” (p.65) Vincent Van Gogh – Van Gogh CARTAS a Théo – Rebeldes Malditos

amizade estelar

[…] sigo a pensar: o amor esfacela interdita, e tira empenho do caminho: buscar. Enquanto tenho planos, ideias, confabulo, os dias se apequenam, e as noites insones se abrem no trabalho / no fazer / na luz de conquistar. Estou sempre a me agitar. Instalada, abraçada no amor amado sinto uma pacifica paz. Vazio preenchido,  encontro o ponto, o porto.  Há que viver o furacão da desordem, da solidão para recomeçar a sentir o perdido desejo de chegar. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2018 de alguma forma / maneira eu te imagino / desejo a me pensar / a me desejar, mas te confesso que o tempo enruga a pele a alma, e os dias. E não chegas, eu te espero. Velhos, a nos reconhecer …

Nós éramos amigos e os tornamos estranhos um para o outro. Mas está bem que seja assim, e não vamos nos ocultar e obscurecer isto, como se fosse motivo de vergonha. Somos dois barcos que possuem, cada qual, seu objetivo e seu caminho; podemos nos cruzar e celebrar juntos uma festa, como já fizemos – e os bons navios ficaram placidamente no mesmo porto e sob o mesmo sol, parecendo haver chegado a seu destino e ter tido um só destino.  Mas então a toda-poderosa força de nossa missão nos afastou novamente, em direção a mares e quadrantes diversos, e talvez nunca mais nos vejamos de novo – ou talvez nos vejamos, sim, mas sem nos reconhecermos: os diferentes mares e sóis nos modificaram! Que tenhamos que nos tornar estranhos um para o outro é a lei  acima de nós: justamente por isso devemos nos tornar também mais veneráveis um para o outro! Justamente por isso deve se tornar mais sagrado o pensamento de nossa antiga amizade! Existe provavelmente uma enorme curva invisível, uma órbita estelar em que nossas tão diversas trilhas e metas estejam incluídas  como pequenos trajetos – elevemo – nos a esse pensamento! Mas nossa vida é muito breve e nossa vista muito fraca, para podermos ser mais que amigos no sentido dessa elevada possibilidade.  – E assim vamos crer em nossa amizade estelar, ainda que tenhamos de ser inimigos na Terra.” (p.96-97) Friedrich Nietzsche  O caso Wagner

Paty eu velhaaaaaaaaaaaaaaaaaa

coisas de amor

Fazemos tudo pela pessoa amada, menos voltar a amá – la.

Saudade é SER depois de TER diz Guimarães Rosa, cito assim do nada, sem referência. Anotado em algum livro porque tudo pode ser Guimarães Rosa, anárquico este citar e dizer o que vem na cabeça aleatório. E como é do meu jeito, remexo nos livros esparrados na mesa porque se atravessaram enquanto fiz a sesta. Sem dormir, sou eu. Não consigo. Hoje escutei rádio e me diverti e gostei. Alguém disse, a música e as fotos dominam o mundo. Canções, instrumental, som e fotografias azuis, rosadas ou brancas e pretas. Uma foto uma história. Uma canção poesia. Uma orquestra, o mundo.

[…] “Ele pode parecer um homem um homem como qualquer outro, pelo espírito democrático com que descerra seus problemas existenciais, comuns a todos. Na verdade tem um talento danado. Com coragem e modéstia inéditas (toda verdadeira modéstia é  modesta), se apresenta sempre tal qual é, inclusive no mais árduo como a realidade familiar e sexual. Não apenas diz a verdade, mas toda a verdade sobre si mesmo, ao ponto de que, ao seu lado um Henry Miller, pródigo de recursos líricos e humorísticos, soar como literatura, ainda que às vezes de boa qualidade.” (p.185) Paulo Hecker Filho Saudades de Voltaire  – Sulina, Porto Alegre 1998

Transcrevo, volto e vou me debruçando no que já foi escrito e dito. Paulo tem razão, se não houver absoluta e completa honestidade, nada importa, tudo já foi vivido, escrito, dito, falado. Repetimos, inúmeras vezes, a mesma coisa. Miller e Alexis em sua AUTOBIOGRAFIA EXTRAORDINÁRIA consegue. Vou citando  e voltando aos livros lidos. Tomo fôlego, mas repito. Pensar e voltar. Difícil ser inteiro, e dizer da mágoa doida, e o incerto se contrai… Por que não olhar nos olhos… Não sei. Eu fujo, protelo. E não conto. Sem dizer está tudo explícito e tão claro! Beth Mattos / Elizabeth M. B. Mattos / Torres

verdade ou mentira

Algumas vezes mentimos dizendo a verdade. Digamos que eu não queira que você saiba algo sobre mim. Posso relatar este dado de uma maneira tão exagerada que você o desconsideraria. Não menti, mas você não acreditou. Ou seja, manipulei. Existem graus de distorções no que dizemos uns aos outros. As relações entre as pessoas são continuamente dolorosas, pérfidas ou cruéis. É complicado compreender as próprias limitações. Talvez a pessoa fuja da realidade. Algumas vivem a reprodução dos livros, dos conceitos, das chamadas lições como se estivessem dentro de uma receita de bolo. Precisam de sinais, fórmulas, relações estáveis para confirmar a receita certa.  Fica preocupada com o desconhecido, para testar alguma coisa “toma emprestado” a fórmula do sucesso, caso erre, ou seja equivocada tem um jeito fácil de se livrar. Não se expõe nunca. Dia sem volta nem curva este. A pensar e a sentir equivocada. Pistas falsas e outras mentirosas. E o silêncio é sempre um longo e misterioso discurso.  Beth Mattos

2019 chegando

Susto e medo – alerta, não seremos os mesmos em 2019, ainda temos um mês, a mesma pele. Atentos, talvez amedrontados e temos o exército  ativo – qual será a música? É obrigação dos vivos viver. ” […] únicos limites são os da minha energia e da minha intuição. Minha sensação de liberdade é absolutamente e infinitamente estimulante.”(p.59) John Updike – Busca o meu Rosto

Griffin

Fora do Corpo – fragmento

Surge a ideia de que todos estão perfeitamente perfeitos nos lugares onde estão: alimentados, sem sono, aquecidos, sorrindo. Não queremos ser necessários, queremos ser transparentes, mas no fundo, lá dentro a questão é mais séria: gostaria de poder me enxergar no centro, mas não sou o eixo, sou o galho que começa a vergar porque não consigo seguir o fluxo. Perde-se o hábito de querer o amor. Desistimos de desistir para desviar, terminar para encontrar, recomeçar, a solidão chega como o fim do papel, com a ponta do lápis quebrada, o livro com ponto final, o copo vazio. A solidão pesa com o próprio peso do corpo. Fica tudo invertido. Nem um cálice de vinho, depois outro, pode resolver. Nem o banho de mar, nem o sol. Nem ressuscitar o amigo, a coragem, nada modifica este estranho vazio. Elizabeth M.B. Mattos – 2012 – Torres

MAGDA FRANCIOSI –  “E com o passar dos anos esqueceu de dizer que as mulheres, principalmente, se tornam invisíveis para os olhares masculinos e até aos femininos também … Isso no começo, incomoda, depois se acomoda  …”

BETH  Mattos – Será? As pessoas não ficaram invisíveis aos olhares, não. Os olhares é que deixaram de olhar, não só para as mulheres, ou das mulheres, ou dos homens … acho / penso que desapareceu este tempo / tempo de /para olhar, ver passar. Nem mesmo para ler! Ou pensar. Quem está na janela vendo o tempo passar? Chico Buarque? As pessoas perdem tempo ao espelho … O Império da BELEZA é exigente. E as meninas todas se parecem, e os jovens todos se parecem, e os velhos, os velhos que agora vivem mais se esquecem de ser velhos. Não há doçura em nenhum olhar. E.M.B. Mattos

a melhor foto dos peixesssssssssssssssss

1967 um mergulho no AMAZONAS

O visual, a intensidade de estar ao teu lado nestes idos 1967. Ousar e …, tudo descrito com cuidado visual.

E a selva? Para mim, vem sempre associada a uma caminhada nada fácil que não foi passeio. Conclui que nem o fio de Ariadne é capaz de impedir que a gente se perca naquela mata. Eu nunca conseguiria nem mesmo seguir o meu plano de ir em uma direção se escapasse da queda imaginária de um avião. Mesmo em dias claros, não se consegue ver o sol e sua inclinação. Talvez, por pouco tempo e em uma clareira natural fosse possível, mas saiu dali, nos perderíamos. […] 

Inacreditável a complexidade da trilha na mata densa, arbustos roçando o rosto, e até passagem por sobre riachos em cima de tronco de árvores tivemos  que fazer com risco de quedas feias. Eu não identificava trilha alguma. Devia haver marcas que orientavam o mateiro. […]

As botas foram ficando incômodas, mas mas bolhas que se formavam pelo calor e atrito não me impediam de andar. Levamos quase oito horas para chegar. […]

Em certo momento, ao me agarrar a um caule, fui atacado por formigas. […]

Em pouco tempo anoiteceria. Quando finalmente chegamos, eu estava extenuado. Era uma casa ampla, sobre palafitas de cerca de um metro de altura, com uma família grande nos esperando e uma cabana de fazer pelas.” (p.48-49) Eduardo Azeredo Costa

1967 Um mergulho no AmazonasCAPA DO LIVRO EDUARDO

O desafio cultural na luta com a selva e até com seus impulsos sexuais, em um ambiente hostil, vai se desdobrando em identificação com os seringueiros amazônicos.”

 

Memórias de um jovem médico do SESP na Amazônia, com  reflexões de um velho sanitarista 50 anos depois

“A SESP encerrou suas atividades em 1990, no movimento de criação do SUS, que levou ao fechamento do INAMPS, entre outros órgãos. Até ser extinta, a FSESP atuava na assistência à criança e à gestante, na vacinação, em programas de controle de doenças transmissíveis, como lepra e tuberculose, promovia saneamento básico e a clínica geral de adultos, além de odontologia sanitária.”

perder – se

“Como não voltar? É preciso perder – se. Não sei. Vais saber. Gostaria de uma indicação para me perder. É preciso ter segunda intenção, dispor – se a não mais reconhecer coisa alguma do que se conhece, dirigir seus passos ao ponto mais hostil do horizonte, uma espécie de extensão de pântanos que mil escarpas cortam em todos os sentidos não se sabe por quê.”(p.7)  

–  Porque tenho a impressão de que se tentasse dizer – lhe, tudo seria reduzido a pó (p.101) Marguerite Duras – O Vice-Consul – tradução de Fernando Py

Então, eu não digo. Não vou te dizer o que preciso desabafar /falar/ derramar, não dizer. Fechaste a porta. Fechaste a porta enquanto eu te olhava, …eu ainda te vejo, e te imagino. Através da porta fechada. Se me chamares, eu vou… Eu estou sempre a te espiar. ElizaBeth M.B. Mattos – novembro de 2018

perfumadassssssss 1