charlatanice
Num mundo onde tudo precisa ser instantâneo, rápido, sem esforço sem observação sem investimento de mim mesma no que faço, e sem odor, … algumas pessoas escavam (ou abstraem) alguns pedaços da teoria de alguém, e. Pois é. Alguma ferramenta conceitual, e passa / apresenta / descreve como salvação. Isso é charlatanice. Estendo, pessoalmente, este estado de coisas ao amigo que se propõe amigo, e se esconde. Permanece camuflado. Isso me i n t r i g a. Escolhas acomodadas. Ou fáceis. Porque dois passos, por que não pode ser caminhada / encontro? Eu fico. E não corro perigo. O que é correr perigo? Escolher o importante. Abandonar o que pode ser deixado de lado. Penso: tudo pode ser deixado de lado quando não interfere na sobrevivência. Urgente respirar pensar descansar, e ficar/permanecer vivo. Dessa maneira, me coloco em apuros, (dentro de mim e também com as outras pessoas, e às vezes com um vaso ou uma panela; ou deixo as coisas caírem, ou queimo os dedos, ou alguma outra coisa, ou acontece algo impossível, como jogar fora uma carta que eu queria muito guardar, ou rasgar páginas de manuscrito quando nem sequer cheguei a ler, nem sei o que dizem. É muito esquisito / estranho o motivo pelo qual nos inclinamos nesta, e não naquela outra direção. E as famosas carências… e ainda esta droga de contagem regressiva … por que o tempo, estas horas bandidas não estão a me esperar … ,e eu gosto tanto da vida, e do mar, e de um bom vinho! Elizabeth M.B.Mattos abril de 2018
Eu gostaria que você não se levasse tão a sério a ponto de ter que fazer algo de risco, e ou não fazer, apenas se esconder. Isso soa como o meu amigo, a voz. A voz penetrou nas palavras enquanto elas se escreviam. Você não pode ouvir a voz com a qual as palavras foram escritas. Quando você as ler, estará lendo as minhas palavras com a sua voz, e me dirá o que eu disse. A voz é a sua própria então, escute, não diga para mim.
Peço desculpas pelo você que de repente se integra numa Beth ou na Liza, ou Lizabeth mesmo, ou More ( como eu gostava!) ou Elizabeth

…, parte do desenho/ cartão da trilogia de SABINE
queixumes introspectivos
Sabine/ Eu estava agarrado à lógica como um salva-vidas. Agora, num piscar de olhos, estou tentando seguir minha intuição. Vejo o reflexo de um samurai no vidro de um quadro e viajo para o Japão – a razão foi descartada e vou para onde as vozes do momento parecem me levar. Sou o bárbaro que espreita os templos de Kioto em busca da antiga sabedoria; me afogo na estética, esperando que ela purifique o observador. Estes são meus queixumes introspectivos. Sou uma criança mimada – por que não consigo crescer ? Pergunto sinceramente. Se você souber a resposta, me diga. Se eu pudesse desenhar o que sinto por você, eu desenharia. Com amor Griff




Griffin – a ideia de universos paralelos é grandiosa demais. Isso eu sinto, é algo mais pessoal: nossa tenacidade está sendo posta à prova. Se resolvermos nosso problema, ganharemos um ao outro como recompensa. Eu adoro você. Sabine
Na qual A EXTRAORDINÁRIA CORRESPONDÊNCIA de Griffin&Sabine Continua
Eu te sinto perto.
MILÃO Abril 2018







Leonardo Lattavo e Pedro Moog – LATTOOG in Milão abril de 2018
sem te beijar
[…],”lembrar-se com prazer de alguns encontros marcantes, exultar secretamente quando algo acontece exatamente como havíamos previsto, atender ao telefone e escutar tua voz, achar que o tempo esfriou demais e que poderíamos até vestir um casaco de lã, olhar tua foto menino e rir outra vez, surpreender-se com a juventude das pessoas a sua volta e ter aulas com um(a) professor(a) de informática de 25 anos, colar meus lábios nos teus sem te beijar, emocionar-se porque sua mãe sempre dizia ter uma cabeça de 20 anos e seu pai não a reconhecia mais, sentir a dor desaparecer lentamente quando a morfina penetra o corpo, dormir oito horas de sono e acordar pensando em ti, gostar de vozes graves ou hesitantes ou bem – postadas ou veladas ou calorosas ou risonhas ou suaves e conceder um físico e uma idade eterna a cada uma delas, escutar os teus medos escondidos nos meus medos, ferver por dentro diate da estupidez feliz, da covardia ou da maldade de certas pessoas, convidar-te pela milésima vez a ir ao cinema e ouvir a tua recusa, encontrar, de repente, a solução de um problema que atazanava a paciência havia muito tempo, colher margaridas crisântemos escabelados hortênsias e rosas, escutar silenciosa o dedilhar do teu violão, receber um presente que te agrada em cheio ou um sinal de amizade ou cartão-postal, ter e guardar segredos, ter uma imaginação fértil, desfrutar de um clima agradável …” (p.26 – 82) Françoise Héritier – O Sal da Vida / O que faz a vida VALER A PENA – Editora Valentina Rio de Janeiro – 2013
“Trata-se, pura e simplesmente, da maneira de fazer de cada episódio da sua vida um tesouro de beleza e graça, que aumenta sem parar, sozinho, e nos renova a cada dia.”
“O ‘eu’ não é somente aquele que pensa e que faz, mas aquele que sente e experimenta, segundo as leis, uma energia interna subjacente, incessantemente renovada. Se fosse totalmente desprovido de curiosidade, de empatia, de desejo, da capacidade de sentir aflição e prazer, o que seria esse ‘eu’ que, além do mais, pensa, fala e age?”
“O mundo existe por meio dos nossos sentidos, antes de existir de maneira ordenada no nosso pensamento, e temos de fazer de tudo para conservar, ao longo da vida, essa faculdade criadora dos sentidos: ver, ouvir, observar, entender, tocar, admirar, acariciar, sentir, cheirar, saborear, ter ‘gosto’ por tudo, por todos, pelo próximo, enfim PELA VIDA.”
junto
Se existe olhar, palavra, risada, ou uma flor no meio do caminho… Estar contigo importa. O que mobiliza encanta. Chama. Fazer acontecer é pensar que podes estar comigo. Estar junto…, tão bom! Muito perto! Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2018 – Torres
perigo na fantasia
“Quando fantasiamos algo, podemos nos deparar com uma situação que além de não colocarmos em prática, nem sequer temos a intenção de realizar. […]” (p.115)
“[…] o fato de não cogitar em levá – lo à realização, apesar da motivação animal que nos faz fantasiar, é uma espontaneidade do indivíduo.
O que importa numa relação, o que propicia rixas ou apreço, diz respeito a intenção do individuo e não a intenção animal. O tolo as confunde e enxerga, à luz das reações e do comportamento humano, apenas o ietser ha-rá (o impulso animal), puro e indiferenciado. Este, no entanto, nada nos diz sobre o indivíduo, mas sim sobre todos nós coletivamente. Julgar alguém por sua espontaneidade animal é tecer julgamento sobre si mesmo.
Ao perceber que o outro inicia movimentos no sentido de se relacionar conosco tendo que lidar com seus impulsos animais (originados num universo autocentrado e exclusivamente voltado para a própria sobrevivência), nos permitimos apreciar as verdadeiras intenções e atitudes deste outro. […] (p.115-116) Nilton Bonder A Cabala da Inveja
Seguidamente tiro do contexto leituras para criar o meu contexto tendencioso e inseguro. Tenho vontade de dizer, ou atacar, mas sinto medo, não quero ser injusta nem comigo nem com o outro, então recuo cautelosa. Procuro aleatoriamente a resposta num livro / numa leitura de baú.
Na realidade sinto uma frustração lá dentro porque o que desejo não acontece. Vou ao limite de propor, acenar, mas percebo rejeição, ou não vejo reação, ou …, não sei enxergar. Fica esboço não pintura nem desenho. Não sei lidar com o desejo da voz da pele, nem a intenção velada descarada de minhas intenções ocultas / evidentes. Então sinto ciúmes. ” Não seja afoito” escreve Nilton Bender.
Premência de viver o agora neste agora / hoje me exaspera. Por que não aceito o não dito como dito. Espero. Encolho, mas sinto ciúmes. Eu me pergunto como posso ter ciúme de um sentimento de um olhar que não é meu …, ciúme do possível / imaginável outro que preenche / compartilha com outro que não sou eu. Se estivesse livre, aberto, ou perdido ou …, não posso pensar assim, eu sei. Então escrevo, exorcizo para esquecer e reagir. Elizabeth M.B. Mattos / começou a chover e caiu a temperatura, gosto. Torres 2018
E me penitencio aturdida e inquieta. Está tudo errado.
quatro quadras
…, sigo nas caminhadas volteando a Lagoa do Violão. Confesso desejo de mar. Quatro quadras, ou cinco quadras estou com ele. Quero morar aberta inteira para o mar. Tenho Lagoa Serra do Mar, bonito bonito, também. Tens razão, quero mais mar-mar bem perto. Pés na areia, o sonho. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2018

exercício, ou não é
É também o tempo lento ao passar da chuva. Saudade do vagar presa assim mesmo nele presa. É o lento do dia saindo de dentro de mim. Escuto a dança. Entre carros o cavalinho no galope. Iberê na memória. Inacabado tempo, o mesmo. Dia longo sono vazio. Cidade silenciosa caminha agitada barulhenta. Inacabada associação. Música. O que escrevo é real, ou passagem apenas de tempo … Desuso. Uso? Quieta e inquieta. Bobagem! Escrever escrever escrever readaptar. Voltar para ficar e depois ir. Silêncio outra vez, vou me aquietar esperar.
Choveu tanto hoje! Choveu ontem. Amanhã. Estou imobilizada. Preciso querer querendo, agitada. Não escrevo nada contradigo brinco escondo. Oxalá guiada sacudida atrasada no tempo que, …droga de tempo, tempo. Sempre é tempo no abraço no beijo na vontade. Agora estou aqui, e desta vez, fora de mim mesma. Na rua na calçada: sol chuva vento, Porto Alegre. De volta 1980 1999 Rio de Janeiro de mar e mar. Olho no olho. Telas das telas nas tintas. Se desenrolam carretéis fantasmagóricos. Pedra ferro bronze e madeira: outro tempo de via lisa. Lisa saudade de Liza Beth Lizabeth Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2001 – Porto Alegre


agora
Agora vou ser indecente e dançar. E.M.B. Mattos relendo…, revejo. Não é texto. Sou eu me ajustando. Resiliente, ou resilência …, e o significado me escapa, preciso tanto dele!