a pensar

estudei bastante, ocupei tempo com livros e livros. E a língua francesa. Deixei de fazer o viver, o dançar, o namorar,o festear, enfim, ser a moça com lista de compromissos …, agora envelheci: quero encontrar apenas as tuas palavras o o teu abraço. E.M.B.Mattos – Torres – 2018

Estás

no carnaval, ou a folia  atrás de ti. Eu te espero. Dia abafado engole lembrança/presença. Penso que te amar, te amar assim o tempo todo…, bem, tu sabes, sou eu menina/criança: nada me importa, quero apenas te tocar… Saudade pesada de nós dois. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro – 2018

amanheci casada

No dia 9 de fevereiro eu me casei. Acho que perdemos a memória, aos poucos, ou será mesmo num repente? Perdemos quando a vida acontece neste agito … Tanta coisa na hora/ no tempo de apenas sentir a vida se aquietando. Adoro o verbo aquietar que chega do quieto, do tranquilo.

Até hoje não sabe ao certo quantas memórias perdeu Não sabe quanto dele se perdeu justamente com essas memórias. Perder memórias não é o mesmo que perder um braço – disse -me.  – Quando perdemos um braço sabemos que perdemos um braço. As pessoas olham para nós e sabem que perdemos um braço. Com as memórias, não. Não sabemos que as perdemos, ninguém dá conta, mas, como as perdemos, alguma coisa no nosso espírito deixa de funcionar. Sabe, às vezes aparecem criaturas aqui que me conhecem. Eu não me lembro delas. Finjo que me lembro, por cortesia ou para não ter de dar grandes explicações, mas não faço a menor ideia. É gente saída desses dias que eu perdi, talvez semanas, talvez meses, talvez anos, desses buracos enormes na minha memória.” (p.43)  José Eduardo Agualusa –  A Sociedade dos Sonhadores Involuntários –

Estou no conflito de agarrar, pegar de volta a memória, ou esquecer, esquecer mesmo …

Bela e Fera EVA Sopher

Conto / repito repetidas histórias. Amarradas no imaginário: traduzidas, e ainda apaixonantes… Fantasma – herói da selva e de destroços. Ou a explicativa A Bela e a Fera com amor jamais esquecido, tomado, avolumado, intrépido e valente, … Picotado por desencontro, mas eterno a cada dia fugaz … Sim, a mesma FERA e BELA de Flávio Tavares. Eterna a nossa Eva em notícia que não pode silenciar,  estará presente a cada espetáculo do Theatro São Pedro, joia de Porto Alegre.

Elizabeth Mattos – fevereiro de 2018 -Torres

tavares e eva a fera.jpg

 

paixão desvairada

A SOCIEDADE DOS SONHADORES INVOLUNTÁRIOS

José Eduardo Agualusa

A impressão geral não era de decadência, e sim de um fausto fatigado, talvez por causa do luxo daquela luz magnífica, que entrava livremente pelas enormes janelas sem cortinas e reverberava nas paredes.”(p.15)

Só tenho duas camisas, duas calças, duas meias, duas cuecas e um par de sapatos. Ter consome muita energia. Vigiar o que se tem consome ainda mais, desgasta, corrompe a alma. Bom mesmo é desfrutar. Eu não quero o veleiro, quero a viagem, não quero  o disco, quero a canção. Entendes? […] Sofro dessa ânsia de não ter […] A minha maior ambição é ter cada vez menos. quem nada tem, tem mais tempo para tudo o que realmente importa.” (p.15)

” – A paixão é um instante de desvario.” (p.15)

Talvez amanhã, … hoje saudade fervente. Desordem espalhada: ser organizada, precisa e tranquila.

luxo daquela luz magnífica

mais tempo para o que importa

e, respirar, respirar

sol e sono

saudade do amor que eu amo

pausa.

E.M.B. Mattos – fevereiro 2018

MARAVILHOSA ESTA

Francisco Brennand Recife/ maio de 2017

 

pela imaginação

Imagino/ percebo/ vejo um mundo melhor: pessoas casas. Plural que transborda. Surpresa! …, ninguém quer, realmente, ver/olhar. Atrás da fantasia a ideia fixa, obstinada.  E não dizemos nada. Não se trata de dizer nem de fazer. Não querer a questão, nem a pergunta: imaginação. Tempestade. Escuro! Ou criação …, a vida/ na vida uma escolha. Fotografado o engano, não se volta/ ou se retoma o olhar. Muro sombra, ou fantasia se impõe. Não há possibilidade de reconsiderar o equívoco. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro 2018 – Torres/ Rio Grande do Sul

Enquanto falava, pensava em que estava indo para uma entrevista de amor e que viva alma sabia disso e, provavelmente, jamais o saberia. […] E por um estranho, talvez casual, acúmulo de circunstâncias, tudo o que era para ele importante, interessante, indispensável, aquilo em que ele era sincero e não enganava a si mesmo, o que constituía o cerne de sua vida, ocorria às ocultas dos demais […] Cada existência individual baseia – se no mistério e talvez seja, em parte, esta a razão por que o homem culto se afana tão nervosamente para ver respeitado o mistério individual.” (p.331) A.P. Tchekhov A dama do cachorrinho e outros contos. Tradução de Boris Schnaiderman, Editora 34,  São Paulo 1999

nós dois a nos olharmos

Toda história a ser escrita/ contada/ explicada mil vezes: um olhar sendo um outro olhar, o mesmo.  Ainda outra colagem/ desenho a interrogar, e se repetir. “ Por que ela o amava assim? Ele sempre parecera às mulheres uma pessoa diferente daquela que era na realidade e elas amavam nele não a sua própria pessoa, mas um homem criado pela imaginação e que elas procuravam sequiosamente na vida; depois, percebido o engano, continuavam, todavia, a amá- lo. Nenhuma delas fora feliz com ele.”  (p.332) A.P. Tchekhov A dama do cachorrinho e outros contos. Tradução de Boris Schnaiderman, Editora 34,  São Paulo 1999

inaudível e das mulheres, velhas e jovens

E este é o relato do colóquio de Zaratustra com o cão de fogo:

“ A Terra – disse ele – tem uma pele e essa pele tem doenças. Uma dessas doenças, por exemplo, chama-se ‘homem’.

E outra dessas doenças chama-se ‘cão de fogo’; a respeito deste, muito os homens mentiram a si mesmos e muitos deixaram que lhes mentissem. Para desvendar esse mistério, eu me fiz ao mar; e vi a verdade nua, realmente! Descalça até ao pescoço.

Já sei, agora, o que há com o cão de fogo; e, igualmente, com todos os demônios da escória e da revolta, dos quais não só as mulheres velhas têm medo. ” […]

‘Liberdade’ é o vosso grito preferido; mas eu desaprendi a ter fé nos ‘grandes acontecimentos’, assim que em torno deles haja muito berreiro e fumaça.

E podes crer-me, amigo barulho infernal! Os maiores acontecimentos – não são as nossas horas mais barulhentas, mas as mais silenciosas.

Não em torno de novos barulhos: em torno dos inventores de novos valores, gira o mundo; gira inaudível. ”(p.143)

” E eu lhe respondi: ‘ Da mulher, só se deve falar aos homens.’ ‘Fala da mulher’ , a mim também, disse ela; ‘sou velha bastante para esquecer logo as tuas palavras.’

E eu fiz a vontade à velhinha e assim lhe falei: Tudo, na mulher, é enigma e tudo, na mulher, tem uma única solução: chama-se gravidez.

O homem, para a mulher, é um meio: o fim é sempre o filho. Mas que é a mulher para o homem?

Duas espécies de coisas, quer o verdadeiro homem: perigo e divertimento quer, por isso, a mulher, como o mais perigoso dos brinquedos.

É preciso que o homem seja educado para a guerra e a mulher, para o descanso do guerreiro; tudo o mais é estultice.

Não gosta o guerreiro de frutos demasiadamente doces. Por isso, por isso gosta da mulher; há ainda um travo amargo na mais doce das mulheres.” (p.80-81)

A felicidade do homem chama – se: eu quero. A felicidade da mulher chama-se: ele quer. ‘ Vê! O mundo acaba de atingir a perfeição!” – assim pensa toda mulher, quando obedece com a força inteira do seu amor.

Friedrich W. Nietzsche

Assim Falou ZARATUSTRA – Um Livro para Todos e para Ninguém

ESPIANDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

cheiro de feijão e saudade

Amanheceu cinza, era tão cedo! Logo o dia se esticou azul. Certeza bem certa de que o calor vem vindo e o sol se firma. Não fui ver o mar …, essa preguiça de olhar segue presa na saudade daquela janela que se abria (…, e ainda se abre na memória) para a Praia Grande, agora tenho a lagoa, outra praia, tenho montanha, e longas caminhadas. Assim mesmo sinto saudade dos verões do gosto de abacaxi, milho verde e feijão …

Sentei para escrever e pensar em ti: não fui ver o mar, nem mergulhar. Depois de descascar as frutas, vontade de voltar para nós. Conversa comprida de estar nos teus braços. Tenho saudade de ser dois. Resolvi pensar nos meus sonhos e …

…, e já estamos outro vez a  olhar, procurar. Escuto tua voz. Falo contigo, volto a escrever. Pensei: já voltamos.  Sim, preciso descansar no teu abraço.  Elizabeth M.B.Mattos – janeiro 2018 – Torres

 

olhar nos olhos

Será que prefiro você como ideia, e não como pessoa viva? Ou,talvez , palavras sejam inócuas para servir de consolo pela distância que nos separa… A relação aperta. Sinto falta quando você não está, mais do que falta, quero ver / olhar nos olhos / tocar… Elizabeth M.B. Mattos fevereiro – 2018 – Torres

eu outubro ainda