A música

“Como se chama o pianista? Lazar Berman. É um pianista russo, e toca Listz como que desenha um cenário imaginário e delicado. As músicas para piano de Listz ás vezes são consideradas engenhosas, mas superficiais. Naturalmente algumas são assim elaboradas, mas, ouvindo todas elas com atenção, percebe-se que no seu interior está contida uma profundidade própria. Mas muitas vezes ela esta escondida de modo habilidosos por trás de toda a ornamentação. Podemos dizer isso em especial dessa coleção Anos de peregrinação. Não  são muitos os pianistas atuais que conseguem tocar Listz de modo correto e belo. Na minha opinião. dentre os relativamente novos, temos esse Berman e, denttre os antigos, Claudio Arrau.” (p.61), 

Haruki Murakami O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação, Objetiva, 2014.

“O piano de cauda Yamaha na sala da casa dela. Sempre afinado corretamente, refletindo a personalidade metódica de Branca. A superfície reluzente e límpida sem nenhuma impressão digital. A luz da tarde que adentra a janela. A sombra do cipreste do jardim. A cortina de renda que balança ao vento. A xícara de chá sobre a mesa. Os cabelos negros e presos atrás de forma meticulosa, e o olar compenetrado na partitura. (…) quando alguém pedia para tocar uma música, ela costumava tocar essa. Le mal du pays. Tristeza sem causa, evocada no coração das pessoas pelo cenário rural. Saudades da terra natal, melancolia.” (p.62)

Se ouvir a música o mundo interior da pessoa se modifica. Escrever música, dominar o piano foi sonho de menina. Mas, a professora, Dona Ondina não tinha um piano de cauda. As aulas, exercícios de escala…E a rua Vitor Hugo só fazia/tinha música saindo  na calçada dos Bordini. A filha do Dyonélio Machado, a dona da casa, Cecília, cantava. Tocava piano, e cantava.Ou a memória me escapa?

Mesmo nas Cônegas, no internato, as aulas terminavam e começavam com A Valsa do Papai. Nunca tive um piano. O amor, eu guardei.

Trabalhando com a memória

Do baú, apresentação provisória do texto, Memórias de Xico Stockinger. O livro saiu apressado do prelo. Xico Stockinger escreve com seriedade na serenidade. Confidência linear, memória seletiva. Se algumas pessoas ficaram menos próximas, afirma o escultor, nunca foi por desamor, mas certa incompatibilidade diante do que ele afirma/chama de lealdade. Incompatibilidade, a chave. Tudo que fez assumiu no peito, diz ele. Modesto. Homem de trabalho. Se a vida o reverenciou, ele aceitou, não alardeou, afirma. Grandes e pequenas curiosas histórias: um sorriso, reticências. Cautela para digitar tudo nesta conversa de memória, biografia, autobiografia. Vai margeando. Salta o espontâneo. Agarro e escrevo/transcrevo.

O pequeno livro é a memória dos seus oitenta e dois anos. O resultado faz parte de jornada programada. No artista Stockinger existe exatidão, cuidado com o perfeito. A vida não é leve, mas intensa, afirma. Ordem. Ansiedade também. Fazer tem polimento, cuidado. Instrumentos de trabalho. Este é o Xico. Depoimento entre perguntas, respostas e desabafos. Trabalhar, segundo ele, é a combinação certa com a vida de viver. Organização, tenacidade. Embarcamos. Elizabeth M. B. Mattos

Porto Alegre, junho de 2002.

Um bilhete de Xico: “Faço questão que continues perguntando, pois acabo respondendo tudo. Agora uma pergunta minha: como é que o Eddie Esteves entrou nesta história? E conta como saiu o teu bife de panela? Bem, vou indo. Um bom fim de semana; manda as perguntas, e lá vai um grande abraço. Xico82”

Duas cartas

Meu querido amigo Iberê:

Perdas, lacunas, dores abertas. Sim. Sinto falta da minha mãe. Amiga, cúmplice, amorosa, belicosa. E foi tão de repente! No meio de asperezas de um casamento possessivo. Não fiquei na cidade. Dia 12 de outubro… Não estava lá. Eu nunca estou… Um jogo de ausências, transparências. Quando te escrevo penso nos vernissages, festejos, aniversários, comemorações. Simplesmente não estou lá. Caço intimidade sem presença.

Quanto ao livro fico feliz. Os escritos me agradam. Tenho recebido rascunhos. O provisório, e o definitivo. Gosto. A minha solidão, meu isolamento se rompe com tuas cartas. Se não estou no mundo, o mundo está ao meu encalço. Um jogo.

Loucura viver, respirar. Acorçoados, assustados, nos imobilizamos. Projetos, construções, planos, trabalho. Afirmação de vida. Como não concordaria? Festejo. De certa forma, meu amigo, a casa é semente. As coisas sonhadas jamais conservam suas dimensões, não se estabilizam em nenhuma dimensão. E, decerto a felicidade é expansiva, tem necessidade de expansão… A casa de Santa Cruz do Sul, o sonho nas pedras, se faz lentamente. Quanto a casa de Nonoai, reafirmas raízes. Estás feliz. Lamento não ser ainda desta vez a visita de vocês. Melhoras para Maria.

“Porto Alegre, 24 – 11 – 86.
Querida Beth. Lamento que tenhas perdido tua mãe. Eu ignorava este transe. Espero que meu carinho te sirva de conforto. Minha amizade te faça companhia. Continuo pintando, pintando e pintando. Acabei mais um quadro de grande formato intitulado Reminiscências. Neste quadro eu me transformo no pescador da Emulsão Scott, com um grande peixe às costas. Quando guri fui obrigado a tomar esse fortificante, o que fazia com repugnância. Acho que toda a minha geração foi lubrificada com esse óleo de bacalhau. Beth, quando vires a Porto Alegre vem ver o que faço. Tá bom? Não cultives a solidão, amiga. É bom que voltes ao trabalho. Dispõe sempre de mim. Do amigo de sempre, o Iberê.

Porto, Alegre, 27 – 8 – 87.

Beth, querida amiga:

No momento, infelizmente, não temos condições de aceitar o teu amável convite. Maria acaba de ser operada de catarata. Ela deve permanecer por algum tempo no mais absoluto repouso. Estou otimista, acho que desta vez a cirurgia vai dar certo, o que não aconteceu quando operou a outra vista.

O livro que pretendo fazer – 10 contos ilustrados com serigrafias – quero que seja um objeto bonito, como todos os livros deveriam ser. Este livro que vai ser patrocinado por uma agência de publicidade lá de Vitória terá uma edição limitada, talvez até numerada, não sei. Tu, evidentemente, vais ter um exemplar.Beth sinto o teu isolamento, a tua solidão, e a falta que faz a tua mãe. Quem sobrevive aos seus carrega sombras e saudade. Coragem Beth é a lei da vida. Nós também estamos construindo uma casa em Nonoai (Teresópolis). Trata-se de uma casa espaçosa, com dois atelies anexos, um de pintura, outro de gravura. Essa chuva que não para, tem atrasado a obra, cujo acabamento está previsto para o fim do ano. É um tanto louco fazer uma casa nesta altura da vida. Sim, é louco, mas é uma afirmação de vida. Concordas? Beth, abraços e muito carinho.

                                               o Iberê”

A história do outro

Contar histórias é tão igual, tão igual! Elas saem de um canto escuro. O buraco da alma, o escondido, o maturado lá dentro da pessoa. E chega ao outro, invade. A palavra se retorce quer aparecer em linhas, em texto, em importância. No caso de Francisco, esta importância esbarra na vaidade prepotente da inteligência. Também, na beleza. Beleza ofusca. Impede julgamento.

Meninos que saem de pequenas cidades não querem voltar. Por nada querem voltar, por pouco se deixam ficar por conta do novo poder, do risco.

E o lugar que se ocupa no espaço desta memória fica todo tomado de sonhos, de laranjas, morangos, pedras, tijolos, barro, sarjeta, asfalto, sangue, revólveres, raiva, inveja e sonhos.

“Dizemos: afinal, somos aquilo que pensamos, amamos e realizamos. E eu acrescentaria: somos aquilo que lembramos. Além dos afetos que alimentamos, a nossa riqueza são os pensamentos que pensamos, as ações que cumprimos, as lembranças que conservamos e não deixamos apagar e das quais somos o único guardião. Que nos seja permitido viver enquanto as lembranças não nos abandonarem e enquanto, de nossa parte, pudermos nos entregar a elas.”

BOBBIO, Norberto. O tempo da memória, Rio de Janeiro. Campus, 1997. (p.30)

download (2)

O imaginado volta

Timorato menino, nascido no interior do Rio Grande do Sul, região alemã, tudesco. Gentil, magro, inquieto. Dos estudos, um caminho acompanhado de perto por mãe obstinada. Síria, a mãe, não é alta e tem cabelos claros, crespos. Para o filho, sonha e trabalha duro: menino de interior, o homem da capital. O pai, carrancudo, amargo, não se envolve. Observa com distância de olhos lavados de azul. Casa modesta e limpa. Engalanada nas festas de aniversário, e fim de ano. Naquelas ocasiões permitia-se requinte de carnes, comidas especiais, gastos extras. Na verdade, a vida cheia de parcimônias, a economia dos detalhes transforma-os em pessoas acomodadas e austeras.

Preocupação, o menino Francisco. Corpo franzino, testa larga. Joelhos vermelhos nas calças curtas, camisa aberta. Braços suados. Já no quintal administra a comunidade cooperativa. Distribuir frutas, juntar jornais. Coletar papel, latas. Vender pastéis. Levantar fundos, e sonhar.  Escreve no jornal da escola. Na parede lateral da entrada, à direita, um quadro com gravuras e discursos. Faz versos sem métrica: a voz dos desvalidos. Liberdade, justiça! Conhece conceitos proferidos pelo irmão mais velho, que já se mistura no jurídico da vida. Escuta a voz prática da mãe que o quer longe do quintal. Francisco exige um pouco mais de arroz, um pouco mais de leite, um pouco mais de atenção.

Ríspido, seco, a resposta na ponta língua arde como pimenta quente. Já o olhar, ah!, o olhar,  é derramado nas meninas loiras. Gosta de descrevê-las em poemas: tranças, bochechas rosadas, saias penduradas em pernas roliças. Com as meninas elas, riso largo, olhos úmidos. Gosta de imitar, fazer rir, armadilhas de criança. Matreiro.

Foi estudar na cidade: ensino médio, faculdade. Elizabeth M.B. Mattos  –  outubro de 2015 – Porto Alegre –

“Quem disse que a esquizofrenia é uma doença do sangue teve razão. Ela baixa nas veias e neste momento me move, estuante, na direção do galho que me acena, da lua que se entranha em mim, das vigas e ripas que cercam os escombros e lhes dão vida, pois estas ruínas em vias de reconstrução me dizem muitos segredos, me explica, me decifra, me convida a mergulhar para sempre em seus alicerces e ali deixar meu sangue, meus ossos, as seivas todas do meu ser que começa a se cansar do esforço de viver em vão.” Carlos Lacerda in A casa do meu Avô. 4 edição. Pensamentos, Palavras e Obras Ed Nova Fronteira. 1977. (p. 26)

downloaddownload (1)

E deste livro nasceu um filme precioso. Esta é uma obra de amor e de paciência. Uma única mocinha, sua história, sua luta, seu esforço, seu drama. E a história do seu tratamento.

MEMORIAS_DE_UMA_ESQUIZOFRENICA_1367327867B (1)

As estações se misturam: pode ser verão, inverno, ou primavera…

Existe um agrupamento natural entre as pessoas que se reconhecem. Reconhecer seus iguais, beber do mesmo vinho, centralizar, escutar, falar, dizer e responder, o grupo. Tem cheiro esquisito esta falta de comunicação: abandono do antes para o depois. Falta de vontade, desânimo, incomunicabilidade. Então, a música importa. O livro importa. E a cor. Mas, estes elementos, agora fatiados num único fenômeno, a televisão. Com ela a conversa é infinitamente longa, contínua. O corpo responde com aquela dor precisa  nas costas, no lado. Olhos se apertam, e o tempo se esvazia em menos um dia, menos uma manhã, menos uma tarde, menos uma noite. Sinto as pernas repuxando, dor no calcanhar, inchaço no coração: excesso de comia, de bebida, excesso. Excedo na preguiça de viver. Insisto em leituras repetitivas, no esforço de me fazer compreender. Risco, pontuo, estabeleço analogias, conclusões, depois esqueço. Este efêmero endoidece. Nenhuma relação se pontua afirmativa. Vejo o menino exigindo atenção. Esforço para estar ali, e ser recebido por todo o meu corpo, meu olhar. Escuta, quer falar, e os sonhos se explicam confusos naquele mundo de desvendar mundos. Verão escaldante, distância. A máquina. Fico enjoada. Preciso mudar de lugar, parar de escrever, esticar as costas, mexer as pernas, sede. Raiva. Que coisa estranha estar aqui do outro lado do meu mundo, mas, irritantemente, confortável. A manhã é fresca e silenciosa. Nada a reclamar, salvo estas mazelas interiores. Vou buscar um copo com água gelada. E pensar um pouco mais em como pode ser domingo. Porto Alegre. Do outro lado dos meus olhos o rio, o lago Guaíba faz beleza. Elizabeth M.B. Mattos – 2015

Pode ser envelhecer

Outro dia de sol. Inacreditável. De alguma forma passei um mês na sombra: chuva, chuviscos e cinzento. Frio, vento, e sombrio. Ontem corri pra luz. Caminhei bastante. Tentei ver as baleias de setembro. É quando passam por Torres. Exibem cauda, esguichos, e nos assombram.

Não tenho janela com mar. Não sei se está azul, cinzento, esverdeado, agitado, ou se fazendo de lago. Então, caminho até a praia. Espio. Sinto saudade. Olho mais um pouco, e volto. A cada tempo seu tempo.

Antes que a manhã termine, e com ela meu ânimo, as notícias: sonhos estranhos e repetitivos, num ir e vir, e, logo distanciamento plácido. Durmo cedo, muito cedo. Noites compridas esticadas, silenciosas. Deveria mudar este jeito esquivo? Pondero sobre isso. Pode ser solitário, pode ser produtivo, pode ser eu mesma, pode ser doença. Não sei.

E, no entanto, gosto de pessoas, do riso, das noticias, da voz, dos gestos. De ser pessoa entre as pessoas.

Não tenho escrito, não tenho lido. E claro, não tenho meditado. Envelheci. Em alguns aspectos petrifiquei. Como explicar?  Está me faltando uma dose de ternura. Acho que é isso. A cabeça se agita querendo resolver, mas nem de gavetas dou conta. Sempre desfeitas, abarrotadas. Faço e desfaço o bordado…

Levantar da cama ao amanhecer pode exigir um esforço particular. Levanto. O dia se abre. Muito bom.

Penso: qual motivo, justificativa, ou força uma pessoa acontece no mundo? Há que retomar a coragem. Penso: isso de desenhar, diariamente, novos contornos, pode ser envelhecer. Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2019 – Torres

Janela de Copacabana

Janela de Copacabana, sem mar, com Cristo Redentor. Quatro árvores no parapeito: bon– vaso + sai, planta. “Deve simular os padrões de crescimento e os efeitos da gravidade sobre os galhos, além das marcas do tempo e estrutura geral dos galhos.

imagesimages (1)

Outras janelas. Prédios. Vozes, e silêncio sonoro. O frio. Faz frio neste setembro. Regata, maiô, camisão de praia, chapéu de sol, cambraia, algodão, sandálias e shorts se inquietam na mala. Faz cinza. Faz o grito da Ladeira dos Tabajaras. Copacabana também faz saudade. E o carioca sai de casa, enche calçada, não tropeça, nem reclama. Sobe a serra, coloca os pés na areia. Conversa. Sorri.

Examino as árvores do parapeito. O homem domesticou a natureza. Estranhamento meu. Penso que o selvagem fica por dentro, encostado na parede do porão. Preso. Sem escada, sem porta, nem saída. Esquisita sou eu. As árvores são lindas.

images (2)images (3)

Carrego no rosto…

Como remanso, a sombra das amendoeiras me assombra. Cinzento este Rio de Janeiro de setembro. E o vento sacode o mar. Apertada saudade, blusa com botões. Memória carregada. O fio da lembrança balança para cima, para baixo. Visualizo o quintal com amoreira. Braços estendidos, mãos azuis, boca lambuzada. E o suco corre pelos braços. Enxergo manchas desenhadas no avental. A imaginação não é a faculdade de formar imagens. Ela é antes a faculdade de deformar imagens. Transformo quintal de amoras em quintal de amendoeiras com cheiro de mar. Fio colorido. Calçadas lotadas. Cheiro de frutas. Panos, buzina, apito, crianças, cães. Casas sobem os morros, pessoas descem. O mato se esconde. Automóveis enfileirados, brinquedo do asfalto. Enxergo nos quintais das praças amoreiras vestidas de amendoeiras. Carrego no rosto o Rio de Janeiro. Elizabeth M.B.Mattos – setembro de 2005 – Rio de Janeiroimages (1)

images

Da Bienal o livro de HERTA Müller: Fera d’alma.

“Nos quintais com amoreiras, a sombra caía como remanso sobre um rosto velho sentado na cadeira. Como remanso, porque eu ia a esses quintais sem ter intenção e só raramente voltava. Nesse momento precioso, um fio de luz do alto da árvore atingia, em linha muito reta, o rosto velho, uma terra distante. Eu acompanhava este fio com o olhar, para cima e para baixo. Um calafrio percorria minhas costas, porque esse remanso não vinha dos galhos das amoreiras, mas da solidão dos olhos no rosto. Eu não queria que alguém me visse nesses quintais. Que alguém me perguntasse o que eu estava fazendo ali. Eu não fazia nada além do que aquilo que enxergava. Ficava muito tempo contemplando as amoreiras. […] Havia uma terra nesse rosto. Eu enxergava um homem jovem ou uma mulher jovem deixando essa terra, levando um saco com uma amoreira. Eu enxergava nos quintais da cidade as muitas amoreiras trazidas. […] Carregamos no rosto o que levamos de uma terra. “ (p.9)

mutações

Ansiedade engasgada. Sair, ou viajar, ir. Angustia fechada, trancada. Não vou. Não consigo dominar este não ir…

Desapego da coisa pode ser fácil, mas da palavra, do sentimento, não consigo. Lenta, aflita, escorrego. Então escrevo… Esbarro no livro, na música. A desordem aumenta. Mala aberta.  Fotos, o livro de

ITACI MUTAÇÕES, o jardim da vida

ArquivoExibir

Pessoas:

Camila Matarazzo escreve: “Sombras, formas, galhos secos, folhas mortas. Tudo depende de como você vê… Da força, da atitude de quem olha. Se você for capaz olhe mais fundo; perceba as veias pulsando. A luz se expandindo. Acredite. É possível transformar.” Imagem de borboleta.

Interrompo a tarde. Entardece cinzenta. Folhear o livro me acorda: Paulo Hecker Filho diante da foto: talos da roseira de Itaci.

“As coisas.

As coisas,

que dignidade!

Não falam.”

Então escrevo, transcrevo. Volto para a mala aflita.

É apenas  mais um ir… Elizabeth M. B. Mattos julho de 2019 já com vento morno, amanhã a chuva…