As máquinas

01 – março de 1932
Viagem a Caxias.
Parece que a máquina de Pedro Alexandrino está em dificuldades! Roberto Menna Barreto Mattos a esquerda da foto, empurrando.

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1-3-32

A ” Nash” em descanso.

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Da esquerda: Julius, Ary, Sdenko e Roberto.

As máquinas

Tudo te é falso e inútil

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carta um ibere camargo

“Porto Alegre, 19 – 9 – 92.

Querida Beth,

O vento não sopra, o pássaro não canta, o céu está mudo e Beth não fala.Não sei o motivo desse silêncio inquietante, como ele sempre é, seja de pessoa ou coisa. O sol nasce, o sol morre, e eu e meus ciclistas continuamos numa caminhada sem fim. Para onde?  A meta, o horizonte é uma linha de mentira.

            Meu último quadro tem este título que vem de uma poesia de Fernando Pessoa: – “Tudo te é falso e inútil .” O passado, um montão de sucata envolto nas brumas da memória.

            Fala, Beth. Estou muito triste e deprimido.

            Há mais de quinze dias que estamos sem motorista. Diz ele que está com catapora ou coisa parecida. Como estou com o braço direito meio travado, devido uma artrose ou outra porcaria qualquer trabalho com dificuldade e não dirijo carro. Como vês estou preso. Não sei quando poderei por este bilhete no correio. Vida difícil!

                        Abraços e muito carinho

o Iberê.”

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IBERÊ CAMARGO  – FUNDAÇÃO IBERÊ CAMARGO

Manuscritos. Correspondência. Acervo de um artista. Sinto saudade de nós dois. Das palavras, da voz. Iberê levou arte para a ElizaBeth da fazenda de Rio Pardo para Santa Cruz do Sul. Do Rio de Janeiro a Porto Alegre, e depois Torres. Trinta e tantos anos de missivas fidelidade, e amizade. Elizabeth M.B. Mattos

CARTA IMPORTANTE IBERE CAMARGO

fragmento ibere camargo

mesa preta com ibere camargo

Sentimentos para a paz

Imagem

P.Alegre, 12-4-203

Beth:

Bonita entrega. A flor e agora a foto, o livro, a carta. Encanta o cidadão. Da flor falei, na foto me espremi, saiu melhor a Itamara em azul, do livro sou fã do Giacometti; cópia de um magrinho seu, que mandei fazer há mais de vinte anos, desde então se acha na entrada do apartamento. Na carta, achas ‘ humilhação correr atrás de homem’; diria que de mulher também, quando um ou outro não querem mais. E não resolve. A gente só encontra a paz possível é se estabelecendo caminhos e sentimentos para a paz. Exemplos: se ganho mil, viver dentro dos mil; se um parceiro se desvia, tentar outro; se a angústia bate, adiá-la com os sabidos métodos de ver tevê, cinema, teatro, ler, telefonar, sair de casa, mas o melhor deles foi sempre trabalhar. Cultura e ZERO HORA são uma briga de foice por lugares e, pelo que sei, pagam muito mal para quem começa. Vai de Itamara, que já simpatizei com o humor dela na foto. Beijos às duas, do Paulo

  Após sua morte os arquivos e a correspondência de Paulo Hecker Filho foram doados a  

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

 

Limoges France Missel Romain

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Jusqu’à Vatican II, Limoges, comme la ville de Tours, a été un centre important pour l’édition de livres de piété.

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Avec les offices du Dimanche et prières diverses -La Messe de Mariages et La Messe des Morts –

Limoges Marc Barbou et Cie Editeurs

Ainsi soit-il. 

Rezar em todas as línguas: português e francês, também espanhol, ou russo, ou chinês.

Em Israel também. Esperamos um mediador. Papa Francisco de Assis, ou Xavier? O nome é Francisco.

Danúbio Gonçalves presente

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Danúbio GONÇALVES  retrospectiva em vida…

Livros,indignação. Atelier Livre de Porto Alegre. Homenagem. Filme: depoimentos. Charqueadas. Rio Grande do Sul. Viagens. Labirinto. Centauro. Óleos, aquarelas, desenhos, presença. Caráter, vigor. Ideal. Posição. Painel. Grupo de Bagé… Saudade. Desenho. O gesto, a mulher, o amor. O atelier.

Luz nos anjos despidos. Mensagem…OBRIGADA Danúbio.

Meteórico

Torres em manhã sem sol. Outono no verão. Menina amuada esticada na cama, abraçada ao travesseiro, espera… Um meteórico encontro telefônico em sonolento português, ou era espanhol? Mencionou este outono… Não! Disse do mar esverdeado tão claro, ou apenas aguado pelo rio Mampituba. Das barcas avançando com redes, e dos botos, lembrou de contar. Mencionou os pastéis, a cerveja, e os camarões no espeto. A frio que fica grandão depois de um dia de calor verão. Claro! Citou o mar e também a espuma rendada na areia. Mencionou o silêncio das ruas e o vento entrando pelas frestas das janelas. Nem disse nada sobre sono e desejos… Explicou o sentido da liberdade. Livre para ser ela mesma, e fazer ela mesma ser assim: um desenho, uma aguada, e óleo na tela. O som, a palavra é agora. Telefônico encontro. Estranha emoção: como se a beleza da juventude voltasse toda. Ela soletra devagar o nome. Coisas de sonhos tropeçando, e despencando. Lá esta plantada na beirada da vida do outro. Gosta de tocar na distância deste refrão.  Talvez seja possível. Pois é, oxalá possa reatar velho sentimento, ou nova amizade. Não pode, certamente, invadir. Abrir velas, descobrir terras e chegar ao monte Pascoal! Não pode expor nem exigir. Olhar é o limite, mas… Bem, os encontros precisam ser no tempo certo, no limite certo, e justo na beirada da história de cada uma das suas próprias histórias. Elizabeth M.B. Mattos – março 2013 – Torres

Desarvorada

A desordem aumenta, aborrece e justifica. Atordoada sem resolver o problema paralisa: roupas, livros empilhados, papéis, fotos, louças e talheres a serem encontrados e copos desaparelhados. Desânimo. Mentalmente visualiza o lugar certo, e a beleza. Sim, importa a beleza. Lembra de Anita… A casa onde jantamos ontem: estrutura perfeita. Madeiras, vidros, luz, móveis tão feios! Recorte de beleza, não o cheiro, nem a possibilidade inteira. O bom gosto servido nos detalhes. Boa comida, boa música. E assim mesmo esvaziada. Sente o desânimo. Engole possibilidades. Invalida. Aqui e agora não visualiza projetos. Alimentar a certeza. Este fazer necessário. No entanto precisa do ócio. Atropelada por possibilidades tropeça. Imóvel. Gostaria de permanecer por muito tempo imóvel. Depois, acometida pelo súbito desejo escreveria páginas e páginas. Aquelas tantas letras que prendem a garganta, e fazem gaguejar, escamotear… Esconder o gesto. Saltariam os projetos. Acaba de bordar a estratégia… Fios de linha azuis e verdes, agulha fina. Segue o risco imaginário, Laboriosa menina! Abre Judas, o obscuro… Ainda nos primeiros capítulos, mas volta ao Fausto. Thomas Mann presente. Senta e lê mais dois capítulos. A disciplina  meio ao caos. Escreve um bilhete:

Obrigada pelo poema, Itaci ficou feliz. O livro é bonito, verás as belas fotos! Já encaminhei tudo. Estás sempre tão perto! Eu me embalo. Perdi o ritmo das longas cartas…

Paulo Coelho sabe

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“P.Alegre,22 de abril de 2003

Beth, cheia de palavras, gestos, vendas, quadros, esculturas, Flávios e outros ários, Ita e outras Maras, calma, mulher. Publicar livro não muda o panorama. Eu é por já estar acostumado, mas passei trinta anos sem editar livro. Há província na província. Ah, vou juntar a esta carta uma carta de hoje de manhã sobre nossas vitoriosas mulheres escritoras. Depois me diz se adianta. Li, como todo mundo, o ‘DJ em Paris’, mas já na época achei excessiva a recepção. Logo passei, como se diz em pôquer, em matéria de Roberto Drummond. Não vai na onda, o Paulo Coelho é escritor competente. Acham demais que tenha entrado para a Academia e é mais escritor que pelo menos 35 dos 40 acadêmicos. Não que goste do que escreve: todo-mundo nas idéias e superstições, mas sabe escrever e, mais, sabe o que um romance exige. Bicotes, Paulo “

  Após sua morte os arquivos e a correspondência de Paulo Hecker Filho foram doados a

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

E, sua biblioteca particular ao amigo Paulo Bentancur.