Viajantes Inimagináveis

O destacado é pessoal. Oliver Sacks traduz/explica doente e doença.  No prefácio ele cita Nietzsche: ”Quanto à doença: não somos quase tentados a perguntar se conseguiríamos passar sem ela?” Devemos fugir destas patologias? As histórias pessoais são o foco, e mostram a confusão. É preciso expor, explicar, repetir, este é o desafio…

“Naturalmente, o cérebro é uma máquina e um computador – tudo o que afirma a neurologia clássica é correto. Mas nossos processos mentais, que constituem nosso ser e vida, não são apenas abstratos e mecânicos, mas também pessoais, e nisto envolvem não só classificar e categorizar, mas também continuamente julgar e sentir. Se estes dois últimos estão ausentes, nos tornamos semelhantes aos computadores, (…), analogamente, se apagamos o sentimento e o discernimento, o pessoal, das ciências cognitivas, nós as reduzimos a algo defectivo (…) – reduzimos igualmente nossa apreensão do concreto e real.  (p.34)

O homem que confundiu sua mulher com um chapéu.

Editora Companhia das Letras. 1997 –  OLIVIER SACKS

 

A biblioteca transpira, inspira, embeleza o individuo, e surpreende. “De depósito de livro, passam a oferecer quase tudo. Alguns espaços são silenciosos, para ler. Em outros, conversamos ou nos reunimos”. E, nos renovamos. “Seu ambiente terá o visgo intelectual da Ágora grega, das livrarias da Rua do Ouvidor nos tempos de Machado de Assis, dos cafés da Rive Gauche, das Starbucks e dos restaurantes chineses do Vale do Silício. Haverá abundância de jornais, e revistas e livros de interesse geral.”
A biblioteca

Muita historia escrita! A biblioteca!

A fantasia de tantos textos! E a casa de memórias…

Vitor Hugo 229 – Petrópolis – Porto Alegre. “Há uma coisa, um pé fantasma, que às vezes dói como o diabo, e os dedos se dobram para cima ou têm espasmos. […] Então sinto a perna, vividamente, mas é um fantasma bom, diferente.” Olivier Sacks. A biblioteca, minha  dor  fantasma,  é outra: olhar os nós de pinho na lareira, imaginar o fogo, ver as pessoas.  A menina encolhida na cadeira,  as bonecas. A porta  aberta pro jardim, o pai a descascar laranjas… O alpendre com as lajotas oitavadas, vermelhas. Ou ainda a mãe, pernas recolhidas em cima do sofá, lendo sob a luz de um abajur alto. Alabastro, mármore, prata. E as estantes de louro conversam nesta memória fotografada. Elizabeth M.B. Mattos

A biblioteca vestida de gala.

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“A nova biblioteca, salas e auditórios promovem conferências, concertos e exposições. Por que não jardins lindos, para criativos peripatéticos? Ou espaços para meditar? No fundo, a biblioteca deve tornar-se um lugar de leitura, troca de ideias e interação criativa entre os frequentadores. Enfim, uma usina intelectual, contribuindo para o avanço do país. Naturalmente, quando bate a fome, lá comemos. Afinal, um lugar onde se lê e se tomam livros emprestados, porque não os vende também? Assunto e clientela são os mesmos das livrarias.” Cláudio de Moura Castro, 26 de agosto de 2015, – revista VEJA  –  Bibliotecas: metamorfose ou morte?

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Desenho do Jorge Roberto Ortiz Domingues: duas famílias se fundiram.

A biblioteca

VITOR HUGO 229 Petrópolis Porto Alegre

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Maria Araci Correia Meyer, Luis Augusto, Beth Mattos e Paulo Correia Meyer

Nossa confraternização. Os amigos!

Ainda no tempo de rever e lembrar!

Beth Mattos, Paulo Rocha e Suzana Mattos

003003  Paulo Correia Meyer, eu, Ana Helena Macedo, Magda Franciosi,  Maria Araci José Marques e Cavalcante (uaiiii!) Memória, os nomes?! E era na minha casa o jantar…, depois ou antes do baile das debutantes?!

TORRES

TORRES era o SONHO DE VERÃO! AS férias traziam os encontros na SAPT, o cinema, dançar, ser feliz era ordem do dia!

Torres, 25 de janeiro 1962.

GINKANASOCIEDADE LUIZ AUGUSTO

POTINS

“Os nomes mais top da jovem guarda gaúcha tomaram parte ativa na competição. O segundo lugar coube à equipe de Lalo Kroeff Corbeta com Guga Stumpf, Beth Mattos e Anette Ferreira. E o terceiro lugar à equipe de Roberto Saboia, com Kitty Kroeff, Oswaldo Kroeff e Vinicius Shimitd.

Quatro biquínis foram aplaudidíssimos: Kitty Kroeff, Bety Reverbel, Bília Fortini e Magda Franciosi.”

AMENIDADES do percurso

A palavra armadilha, o escrito permanente, mas há fugas… O guerreiro escondido neste pequeno fazer. Colecionador. Acelera o tempo, e passa tão lento! Ainda é Carnaval! Getúlio Vargas se matou com um tiro, escreve uma carta. Jânio Quadros renunciou, Papa Bento XVI se aposentou por ter saúde precária – envelheceu… Tudo é assim inédito e antigo. Ernest Hemingway se suicidou. Flavio Tavares sobreviveu. Érico Veríssimo morreu. Iberê Camargo está vivo. A pintura sobrevive.

Elias Canetti escreve no livro  O Jogo dos Olhos (p.36)

“A almejada entrega, o abrir-se a outrem, torna-se perigoso, pois como se fará para reencontrar a si mesmo, como suportar, depois, a própria solidão?”

A mesma coisa não é AVATAR

O sagrado de Iberê Camargo

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Porto, Alegre, 27 – 8 – 87. Beth, querida amiga. No momento, infelizmente, não temos condições de aceitar o teu amável convite. Maria acaba de ser operada de catarata. Ela deve permanecer por algumtempo no mais absoluto repouso. Estou otimista, acho que desta vez a cirurgia vai dar certo, o que não aconteceu quando operou a outra vista. O livro que pretendo fazer – 10 contos ilustrados com serigrafias – quero que seja umo bjeto bonito, como todos os livros deveriam ser. Este livro que vai ser patrocinado por uma agência de publicidade lá de Vitória terá uma edição limitada, talvez até numerada, não sei. Tu, evidentemente, vais ter um exemplar. Beth: sinto o teu isolamento, a tua solidão, e a falta que faz a tua mãe. Quem sobrevive aos seus carrega sombras e saudade. Coragem Beth é a lei da vida. Nós também estamos construindo uma casa em Nonoai (Teresópolis). Trata-se de uma casa espaçosa, com dois atelieres anexos, um de pintura, outro de gravura. Essa chuva que não para, tem atrasado a obra, cujo acabamento está previsto para o fim do ano. É um tanto louco fazer uma casa nesta altura da vida. Sim, é louco, mas é uma afirmação de vida. Concordas? Beth, abraços e muito carinho. O Iberê

 

Um cartão frente e verso, um exercício. O inédito que respira livre…

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Diário Íntimo

16 de fevereiro de 1874. – Percorri a obra de James Fazy (Cours de législation constitutionelle, 1873) é a apologia e a apoteose do radicalismo, considerado como método e como expressão da inteligência coletiva das sociedades. Estou estupefato (…)

Lisonjear para reinar é a prática dos eunucos de todos os sultões, dos cortesãos de todos os absolutismos, dos favoritos de todos os tiranos. É antiga e banal; mas não é por isso menos odiosa. Rastejar perante um autocrata me parece menos vil e menos vergonhoso do que rastejar ante as multidões, porque no primeiro caso a escusa da majestade histórica e a possibilidade da ilusão sincera, ao passo que La grande populance  et la sainte canaille não podem fazer nascer semelhante prestígio. (…)

A multidão é uma força material, dá força de lei a uma proposição, mas o pensamento sábio, maduro que tudo leva em conta e que, por conseqüência, tem verdade, esse pensamento não é jamais engendrado pela impetuosidade das massas. As massas são a matéria da democracia, mas a forma, isto é, as leis que exprimem a razão, a justiça. E a utilidade geral é produzida pela sabedoria, que não é uma propriedade universal. (…) p. 264-265

No dia 24 de fevereiro de 1874, em seu Diário Íntimo, Amiel fará reflexões sobre o cristianismo liberal (…)

As multidões não vêem Deus senão no Mistério e no Sobrenatural; tudo o que é compreensível é natural; ora, o que é natural não é divino. Tal é o seu raciocínio instintivo. Uma religião fácil e clara perde o seu prestígio sobre as almas. Uma crença sem amarguras, sem sal, sem maravilhoso permanece sem possibilidades de influência enérgica sobre o coração e sobre a vontade. Como a força em nós é inversa à luz, é a religião mais impenetrável à razão que nos dará o máximo de energia. (…) p.265-266

Diário Íntimo – AMIEL – Ed Tecnoprint – Tradução de Mário D. Ferreira Santos

Papa BENTO XVI renunciou, fevereiro 2013.

OFICINA DE CHARLES KIEFER

  1. images O tema era “Quando ela acordou o dinossauro ainda estava lá…”
  2. Então eu escrevi assim: Paradoxalmente sinto o calor entrar, espio os verdes pendurados na sacada, feliz. Aliviada. Livre. Irresponsavelmente feliz. Então,  conforme o sugerido, eu penso: “Quando ela acordou o dinossauro ainda estava lá…”, e, junto com a visão, a percepção de universo que existiu, antes dela, ou nunca existiu, nem existirá depois dela, ou ainda existe… Não era perceptível. Ou melhor, nítido ao seu olhar… A visão, talvez, desmanchada pela sonolência. Acordar, assim, no meio do caminho, assusta. Assusta com ou sem dinossauro. Ela dormiu no meio do caminho, ela, simplesmente, dormiu. A isto chamamos fadiga, e, a este olhar alucinação.

A dor de José Luís Peixoto

Do livro NENHUM OLHAR de José Luís Peixoto uma descrição da dor.

 “Não há forma de explicar tudo o que se diz quando se diz sofrer.”

“O mundo, indiferente ao mundo que encarcerava o pai do José e que o pai do José encarcerava dentro de si, perseguia. Os pintos levantavam uma chuva miúda de piares carpidos, as galinhas indignavam-se na sua voz de ave, o galo gritava ocasionalmente. Mesmo na sombra, o sol queimava e ardia. Na tapada, atrás do muro do quintal, o sol levantava uma neblina tórrida dos restos de uma pequena seara. E, sem falar, pois as palavras são a pior forma de dizer, olhei o pai do José, sabendo que ele não me podia escutar, e disse o teu filho está muito mal, o teu filho sofre. E não disse mais nada. Não que se esgotasse o que havia para dizer, mas porque não há forma de dizê-lo, nem mesmo sem palavras. Não há forma de explicar tudo o que se diz quando se diz sofrer.” ( p.63) – Nenhum Olhar – José Luís Peixoto