Suspeitar da suspeita

Livros que guardam numa só história, dezenas de outras histórias… Infinidade, um só parágrafo.  Fazer acreditar na verdade verdadeira de simples alusão… Acreditar no mal entendido daquele dito. Chorar. Rir. Ou sangrar. Assim é Javier Marías no livro Amanhã, na Batalha Pensa em Mim.

“A conversa não era fácil, talvez fosse melhor continuar em silêncio. Num momento pensava que era Cecília e que podíamos parar de fingir e falar tudo ou do de sempre, ou nos interrogar abertamente, no momento seguinte pensava que não podia ser ela e que se tratava apenas de uma dessas extraordinárias semelhanças que no entanto às vezes acontecem, como se fosse ela com outra vida, outra história, a mesma pessoa que teriam trocado quando bebê no berço como nos contos infantis ou nas tragédias de reis, o mesmo físico com outra memória, com outro nome, outro passado no qual eu não tivesse existido…”

(p.218)

 

“Como é fácil enfiar uma possibilidade, uma apreensão, uma ideia na cabeça de outra pessoa, tudo se contagia muito facilmente, de tudo podemos ser convencidos, às vezes basta um gesto de assentimento para alcançar os propósitos, fazer como quem sabe, ou suspeitar da suspeita do outro sobre nós para nos desvendarmos sem querer por medo e revelar o que íamos manter em segredo.”

(p.222)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s