Para Lúcia

 

“E depois as chuvas de inverno cessaram. De uma noite para outra a neblina foi empurrada para leste, e a madrugada nos trouxe um sábado azul. Ao primeiro tatear, ainda antes de o sol se erguer de entre as ruínas de Sheikh-Dahar, os pássaros que restaram com vida, com enorme excitação, já começaram a falar entre si sobre a nova situação. Quando o sol raiou eles gritaram e riram como se tivessem enlouquecido.

A luz do sábado e a transparente e tépida. Toda poça, todo pedaço de metal, toda vidraça de janela, ofuscavam nossos olhos. O ar encheu-se de zumbidos e de brilhos e de um preguiçoso fluir, como se fosse de mel. Em cada canto erguiam-se, nuas na desfolha, as árvores de amora e de figo, de romã e de oliva, e os caramanchões de parreira desfolhados, e pássaros e mais pássaros acima de tudo. Um vento leve e transparente soprou do mar durante toda aquela manhã. E os cheiros do mar também vieram até nós trazidos por esse vento.” (p.130)

Amós OZ , Uma certa Paz

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