O trono vazio

Nunca suficiente. As horas, e os dias. Este infindável amanhecer de angústia. Noites e noites… Crimes! Furtos. Acidentes! Pedras, lixo. Prisões e mortes. Injustiça! Ou justiça cruel: não vou mais cantar/contar! Nem sei por onde começar! Matei, mas não queria! E nem pensei em morrer! Protesto! Não parece lamentável? Deveria ter terminado a faxina no quarto, lavado a roupa, limpado os livros, comprado flores… E houve tempo pra que toda a violência, a pobreza, aquelas insolentes carências desaparecessem… As manchetes! Não resolvi. E nem o repente sinalizado, iluminado por bandeiras, gritado nas ruas deu-me tempo de rezar, purificar, saldar as dívidas! Minhas terras serão tomadas, as casas esvaziadas. E eu? Tal qual Hugo Chaves não tive tempo de me despedir! Não queria ir! Vou, fui sob protestos! Portanto fiquei… Tarja preta ao braço. Lamento. Lágrima. As minhas lágrimas secaram. Todos lamentam? Lamentam? As revistas, os jornais falam em despedidas! Notícias! Droga! Não sou eu que morri!  Eu fiquei. Toquem música todo o dia, é uma ideia da morte… Morte? Somos eternos. Cada passo é a marca da minha eternidade. Sou pra sempre, sigam meus passos! A eternidade do poder! Eu vivo, viverei, e todos viverão! Nada altera a minha vida, nem a morte. O legado do vazio… Um mito. O Papa apenas se retirou. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2013 – Torres

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