Viagem transformação

 

“Evadida, pela primeira vez, de seu pequeno mundo, ela não pode deixar de contemplar essas incríveis torres de cantaria que surgiram durante a noite. […]

Tudo isso passou despercebido por nossa vida, sem que o tenhamos visto, sem que mesmo desejássemos vê-lo, vegetávamos sem sentido, […] e a distância de uma noite, de um dia, começa esta múltipla variação ao infinito! Subitamente, pela primeira vez, penetra nesse espírito até então indiferente e sem ambição uma idéia das oportunidades perdidas, pela primeira vez uma pessoa percebe, por seu contato com o poder supremo, a força das viagens, capaz de revolver a alma, capaz de, com um único rasgo, remover a grossa capa do hábito, e devolver a essência nua e fértil ao correntoso elemento da transformação.” (p.36)

 

Stefan Zweig

Êxtase da Transformação

Mármore

Camille Rodin carencia ausencia dor paixão sofrer exiílio dor poder independencia tristeza trabalho mulher Paul Camille silêncio irmão frio muito frio mármore amor amar o amor a arte se foi se fez no amor de amar a arte no amor da luz de tudo que era então proibido o inferno…em vida. És tu amado amor tomado Camille Rodin Paul.

015013

Aprendiz do desejo

 

“(…) Gosto de ser incompleto, de olhar para as coisas com ignorância e ter respeito por ela, e a partir disso aprender. Isso está se tornando um projeto-base para minha vida: descobrir um bom/ruim que tenha a ver comigo, construir uma escala nova de valores mais justa, que me respeite, me leve em consideração. É um trabalho. Na verdade, é uma trabalheira dos diabos. Muitas vezes me perco, o vício e sua sedução me rondando.  (…) Receber elogios e ‘ ter as coisas boas da vida ‘continuam a me seduzir, mas não quero isso ao custo de não ser eu mesmo e de passar pelo que já passei, por isso tomo tanto cuidado com essas coisas.  É um projeto que não abro mão. E, apesar de não ser pouca ambição, não causa dano a ninguém, não custa nada a ninguém, só a mim, não enche o saco de ninguém, e, mais importante, não é para fazer de mim um ‘superior’, não é para humilhar ninguém. É só para abrir um espaço para a minha existência. Não estou empunhando a bandeira da verdade, nem acho que todo o mundo tenha que ser assim. Só quero viver a minha verdade. Portanto, não acho que seja pedir muito que compreendam meu projeto e que o apóiem.

Um abraço, Eduardo.” (p.132-133) 

– O aprendiz do desejo – Francisco Daudt daVeiga –

A carta é longa. Projeto um livro.  A transição da dúvida. Tomo as palavras de Francisco emprestadas para reforçar o convite:

“A adolescência pela vida afora”.

O prazer do desejo. O prazer de viver. Trabalho desejo. Vida: o rio que vai pro mar, em direção do maior.

Idade

“Acima da camisa aberta, um lenço claro de seda envolve o pescoço, escondendo quase totalmente a garganta, cujas rugas são o único sinal de sua idade. Nesse rosto estranhamente jovem, tudo que pode manifestar algum sofrimento são os olhos, suaves e castanhos, inundados de sentimento, (…)”

Philip Roth – O professor do desejo – p.78.

Existo

O lugar está vazio.  Vazio de tudo, menos do mistério e do enigma.

Tu existes, ele existe. Comprovamos o momento, estupefatos…

Devotos a ficção, e a verdade. Devotados ao que existe no gesto, na palavra.

 

Escrever, escrever, escrever, escrever não é invenção de amorasazuis.com

Eu também existo. E ninguém está me inventando, a não ser eu própria.

Aparência venal

A beleza atrapalha, a beleza ofusca, a beleza limita. A beleza apaga inteligência, e se espreguiça na vaidade boba do efêmero! Se não é a beleza em si esta pedra que eu vejo, é bem o efeito dela nos outros. Se não é a beleza em si, é o peso do olhar. É o outro medindo o contorno do belo. Aparência limite. Efeito venal que separa… E na desavisada beleza fica aquele ar arrogante de vitória. Elizabeth M.B.Mattos – julho de 2013

Arrisco

O rosto contraído colado na vidraça como se esperasse desde muito tempo. A casa na penumbra. Noite de lua acesa. Seu rostinho redondo se abre num sorriso. Cheguei. Não desço do carro, apenas espero. Todas as pastas, sacolas, livros se agarram nas mãos pequenas! Não fala. Arrisco uma pergunta. Olha nos meus olhos. O mar esta no cheiro da noite morna, e já é julho. Na mesa da cozinha bebemos o café com leite. Esquento o pão. No pote os morangos, hoje não temos amoras azuis…