Número atômico

Meu amigo:

Conversar tem delícias, prazeres não esquecidos. Amolece coração, razão. O momento, a hora da mudança. O tempo não volta, nós é que voltamos no tempo. Sinto falta, carência, vazio, solidão. Aquele estado aflito do meio do caminho. A tal encruzilhada que chamamos solidão. Sem conexão. Pessoas falam, explicam, sorriem, eu as vejo debruçada na sacada. Não ouço, estou na bolha. O cansaço pesado de não entender, ou se deixar entender. Picoto palavras. Encontros desastrosos. Ironia! Quem escreve pretende resolver todo problema, mas a angustia ferve. Ausência cheia de presenças. Desencontros? Não sei. O sexo, o toque, o beijo, o abraço remédio, eu quero. De repente compreendo este amor de corpo. Amortiza a dor. É por isso também que te necessito meu amigo. Beber o vinho, comer as frutas que descascamos com os dedos. A energia volta. E a dor desaparece. Só a despedida é dolorosa, lenta.  Saudades tuas. Então, estou outra vez no ponto de partida, não na história. Afinal, o outro importa. Quem escreve está sozinho. Droga! Quem lê, também sozinho, explode. É a bomba do desejo. Nos mortificamos enquanto te escrevo, e tu me lês. A bruxaria das afinidades. Estou estacionada diante do nossa mar, mas é o café da esquina que eu vejo. Estou a pensar no número atômico, na letra Z, nos prótons… No teu trabalho. Existe o imantado da relação. Por isso retomo o velho ritmo das cartas com envelope, selo, e vou ao correio. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2014 – Torres

 

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