O abraço

abraçospeq002 (8)

Escrevo mentalmente todos os dias. Ou pelo menos ajusto a conversa. Quando estou contigo explico, conto, digo, ou melhor, atropelo teus ouvidos. Liberada.  Avoluma-se a voz, a queixa. O anedótico também. Quando estou na tua sala, estou no lugar certo. O jantar que me preparaste perfeito naquela quinta-feira, perfeito! Esqueço hora. Dou-me conta que falo demais. Rápido. Um assunto no outro como se mais que amiga ali estivesse o anjo, o mestre, o médico, ou sei lá quantas em apenas uma pessoa. Abuso. Confio.  Cutuco. Perguntas por que não exponho, frontalmente, os meus motivos… Penso no desconforto. Não mudaria nada. Talvez, apenas aprofundasse o mal estar. Importa ter esta, ou aquela angústia explicada? Fechar a porta distraída. Esquecer a janela aberta. Quebrar o copo, e estar a me desculpar? Passados tantos anos já não importa o que dizemos. Estes velhos e sólidos sentimentos que se batem, agitam o ambiente se cristalizam. Explicações soam falsas. Pode romper o elo. A conversa agitada de ajuste fustiga, confunde. Deixa de ser importante. O abraço resolve melhor. A terapia explicaria, mas não mudaria a situação. Não é mais o discurso que importa, mas estar uma diante da outra. A passividade do amor…

2 comentários sobre “O abraço

  1. Beth querida! Nosso reencontro está valendo cada palavra trocada que acrescenta e enriquece nossas vidas! Beijo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s