Meu Michel

As leituras conversam resmungam , e me acompanham. Então eu te escrevo. Explico como eu te penso. Como te sinto. Anônimo, apenas meu. Esquisito aperto no sentimento. Como posso te imaginar menino? Transposição, brincadeira. Meia criança, meia mulher. Secreta.

Estamos escondidos nas pedras da praia. Tempo. Nem sei se posso dizer nosso. Digo? Não posso. Seguro tua mão, olho nos teus olhos, e te sei meu. Sinto o corpo. Sinto o beijo. Estamos, tu e eu, inteiros nesta risada das ondas. És o herói. Será que aconteceu, e nem me lembro? Esquecemos sempre, e lembramos quase nada. Somos assim, frustrados, amados, rejeitados, acolhidos, e também tão amorosamente felizes.

A liberdade é uma doença. E nossos desejos, os teus, e os meus enterrados nesta  dita memória esquecida, espiam …. O que vou te contar? Que a calçada está lavada de chuva, e as flores de jacarandá são o tapete por onde caminho apressada ao teu encontro. Tomo cuidado porque posso escorregar.

Pois é meu querido, envelhecida e sonolenta eu te acolho. Bebemos juntos da juventude que mora no coração.

Tudo pode ser sonolento vital, e nosso. E muito devagar, lento. Engraçada a questão do eu ao longo da vida. Vamos dividir esta medida. Ora eu, ora tu. Oscilando, acertando. Sonolentos porque dormimos nos braços um do outro.

“O outono chega duro e denso. O vento varre as folhas mortas de um espaço vazio para outro espaço vazio. […] O ritmo abstrato do tempo se parece com a efervescência de cristais num tubo de ensaio: pura, radiante e letal.”(p.202)  Amós Oz Meu Michel

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