Onde estás?

 

BETH no Rio de JaneiroPapos de Anjo engordam, mas são deliciosos. Conversa abre janelas, mas fecha portas. Sem sentido, sem nexo o eixo. Inveja de quem limpa os livros das estantes. Casa na ordem, espaços abertos. Imagino outra vida. Sentar no sofá, abrir o livro, pedir o chá. Não comer o bolo. Fechar os olhos. Escutar a música, voltar ao livro. Flores nos vasos. Perfeito. Roupas dobradas, passadas. Cheiro da cera. Da grama molhada. Fruta descascada. Quero isso outra vez. Assim completo. Desaprendi a receber a gentileza, a elegância. Quero, outra vez,  tudo aberto na sofisticação. Inverto. Não é assim. Simplifico. Escondo. Encontro. Cozinho. Escolho a vida, o feijão, aqueço a água. Ordem e sabor. Viajar, conhecer, reconhecer, estar aqui e ali, muito bom. Voltar melhor. Por que escrevo isso se nunca fui? Para me defender deste nunca ter ido. Os limites. Definir o impossível no possível. É preciso me contar histórias ué. Então, meu querido, tua voz é a festa. Não sou boa com as tarefas, nem com a liberdade. Fico na janela, triste. Quando saio da janela adormeço. O fundo do livro me acorda. Da história. Da vida.  O que já foi dito, repetido, o tempo passa. Tudo passa, nós ficamos. Onde é mesmo que fiquei? Nem sei. Fui acomodando a vida, apertando aqui, ali. Espantando o medo. Senti medo. O que acontece? Envelheço. Ou nem isso. Pressinto. Tudo se esgota. Duas palavras. Um gesto amoroso, uma fresta, e já estou, outra vez, na hora de amar, acariciar. Onde estás? Dentro de mim. Comigo. Como não percebo? Estremeço. Ficção, não é real. Estás onde não estou. Invejo a tua certeza, minha incerteza nos cobre. Estou na dúvida. Escrever faz falta, aquela necessidade vital sem conexão, traço… Definir letra, palavra, frase, sujeito, verbo, complemento, a aula inteira de redação. O definido, indefinido, pronomes e adjetivos. Ao ler alimento o sentido. Reviro a necessidade do avesso, interrompo a nostalgia. Revigoro a vontade de estar aqui, agora, no lugar certo. Dentro de mim. Mas estou hoje em outro lugar. Explica, tu que tens as respostas, por quê?  Estou pescando na lagoa, jogando a rede no mar. Descalça. Com frio. E já é tão tarde! Derramo inquietude, agitação.  Tudo invertido. Longa noite de sonhos engraçados, os meus. Reviro o sol, encontro o frio, sem vento. O azul cheio de amoras, também azuis. E tu, onde estás?

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