Não ter ainda trinta anos

Sobre Karl Ove Knausgård. Não é o que ele diz, ou conta, não é a forma, sendo, e não sei se seria se soubesse norueguês, mas o ritmo. Sim, o ritmo. Está na tradução, em qualquer língua. Fico embriagada.  Estou apaixonada por Karl Ove Knausgård.

Noite de estrelas e lua. Claro, com toda a luz que o céu da madrugada pode ter. Emotiva, crédula. Lágrimas sobem com facilidade. Deve ser a química  de existir. Hoje já será amanhã, como dizes, e não estarei mais sentindo isso. Não verei a luz da escuridão. Não sairei pelas calçadas às duas horas da madrugada. E já são dez horas da manhã. Estou de volta. Oito horas para chegar ao sol. De volta ao aconchego da casa quente, a lucidez. Oito horas para chegar ao esconderijo, na caverna das histórias. Paraíso. A cada um seu encontro perfeito, sua chegada fuga, a porta do amanhã. E eu? Viajo no tempo. Estou a lembrar de Carrasco, Montevidéu. Preencho a nostalgia do vazio, da ordem, do bom perfume da lembrança… Fim de tarde de verão. Marco de carro, atrás da poderosa moto de Paolo, voamos até Punta del Este. A velocidade da juventude, a memória da ventania. O prazer. Chegamos ao Floreal. Descabelados, esfogueados como crianças travessas. Lembrança boa de não ter ainda trinta anos

.download.jpg  FLOREALFloreal de noite

Um comentário sobre “Não ter ainda trinta anos

  1. Querida, o tempo voa e nos deixa lembranças…
    Feliz quem as tem , voe e sonhe , pôquer viver também é sonhar.
    Belo texto !
    Estou em Milão, sonhando com uma vida de fuga e prazeres! Bj

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