Distração

Lugares inesperados me esperam, foi o que senti…Irei a Noruega, a Suécia. Um novo amor. E também ao Japão ver as cerejeiras floridas. Haverá tempo? Sei que não posso levar a Ônix.

Não haverá tempo para cumprir promessas, escrever cartas, dizer o que pretendo …. Tenho me arrastado desanimada. Não consigo reter sentimentos. Sou atropelada. O emocional enterra o raciocínio lógico, como diz e explica meu neto. É distração. Pensei muito nesta distração filosófica. João demorou bastante para me explicar… E me esforcei. Sucumbi ao modo sereno como insistiu no assunto. Será que entendi?  Sublinhou a importância de escutar, ouvir e falar. É nas palavras proferidas, diz ele, que o pensamento e o entendimento se completam.

“A aura dele era ponderosa, ele era uma pessoa com uma presença que se fazia notar, mas não era uma presença física, porque o corpo dele, magro e leve, simplesmente não chama atenção. […] Os raciocínios dele sempre chegavam a lugares inesperados. A abertura que tinha me  oferecido superava todas as minhas expectativas. De uma hora para outra eu me senti à vontade para dizer tudo o que eu tinha guardado  dentro de mim, era como se eu tivesse me contagiado, de uma hora para outra os meus raciocínios também começaram a me levar para lugares inesperados, e fui tomado por um sentimento de esperança.” (p.188-189)  Um Outro Amor, Karl Ove Knausgård

“Aquele cenário despertava em mim notas estridentes. Ao mesmo temo havia em mim uma outra nota, uma nota de anseio, porém não mais voltada a abstrações, como tinha ocorrido nos últimos anos, não, meu anseio era tangível, concreto, Linda caminhava lá embaixo a pouco quilômetros de mim naquele exato momento.  Que tipo de loucura me afligia?, pensei enquanto eu caminhava. Eu era casado, meu relacionamento ia bem, planejávamos comprar um apartamento em breve. E de repente eu tinha vindo para cá e resolvido destruir tudo. Era  que eu queria. Caminhei sob as sombras malhadas da folhagens, rodeado pelos cheiros quentes da floresta, pensando que eu estava no meio da vida. Não da vida como idade cronológica, não no meio da estrada da vida, mas encravado no centro da existência. Meu coração palpitava.” (p.196) Um Outro Amor, Karl Ove Knausgård

 

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