A Flor da Inglaterra

O livro só poderia ser mais perfeito se eu estivesse lendo em inglês, mas esta é uma edição Companhia das Letras, 2007.

A leitura se mistura  a um determinado período da minha vida: pessoa …, considerações. Experiências, frustrações, limitações. Por que esperei tanto para ler? Preciso pegar a mala, e ir ao seu encontro. Estou, agora,  em completa tristeza, e não sei explicar…..

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A Flor da Inglaterra

” Talvez devesse mesmo trabalhar, pelo menos por algum tempo. Remexeu na pilha de papéis. Onde estava aquele trecho que tinha revisto na véspera? O poema ia ser imensamente longo – ou melhor, iria ser imensamente longo quando ficasse pronto -, dois mil versos, mais ou menos, em rima real, descrevendo um dia em Londres. Prazeres de Londres era o título. Um projeto enorme e ambicioso – o tipo de coisa que só devia ser tentada por gente que dispusesse de um infinito tempo livre. […]  . As ocasiões em que ele não conseguia trabalhar eram cada vez mais frequentes. De todos os tipos de ser humano, só o artista afirma que não consegue trabalhar. Mas ainda assim é verdade; existem mesmo ocasiões em que não se consegue. O dinheiro, novamente, sempre o dinheiro! A falta de dinheiro significa desconforto, preocupações mesquinhas, escassez de tabaco, uma permanente consciência do fracasso – e, acima de tudo, significa solidão. Como alguém pode deixar de ser solitário ganhando duas libras por semana? E na solidão nunca nenhum livro descente foi escrito. Não havia dúvida de que Prazeres de Londres jamais seria o poema que ele imaginara – e não havia dúvida, tampouco, de que jamais ficaria pronto. ” (p.45)

GEORGE ORWELL      A flor da Inglaterra

Como ilustra Elizabeth Barrett Ele diz tantas verdades cotidianas. A escassez material é uma droga e enfeia tanto as nossas vidas. Com ele não há enfeite, nem quando descreve o presente ou quando prevê o futuro da humanidade.

 

2 comentários sobre “A Flor da Inglaterra

  1. Como é comodo , e por isto se paga um preço alto, deixarmos a vida nos conduzir.
    Como é árduo , e inseguro , conduzirmos a vida …

    • A vida nos conduz pelo caminho certo e seguro. Gordon deixa aflorar, deixa a tristeza conspirar contra ele, e quer decidir como fazer, um desastre. Eu tentei fazer do meu jeito, segui o que chamei meu caminho, ou segui o caminho imposto pelo erro, deve ter sido acerto … tropecei nas intuições, e fracassei, ou tive sucesso. Duvido disto e daquilo também. Sim, é a insegurança que se avizinha. Como explicar?
      Julio Cortázar explode na ironia: Diário de Andrés Fava
      “Explicar me aborrece. Ociosidade. E esta é outra prova daquilo que quero dizer. Explicar é sempre dar significado a um fato, um objeto, um sistema de ideias, uma convicção, uma comprovação. Justamente o que deixei para trás. Agora sinto que nada interessa enquanto explicação; interessa apenas a explicação, porque esta nos devolve o fato e o fato, ao objeto, etcétera. Horror as mediações. Uma cadeia: Fulano gosta de um livro sobre Cézanne, porque gosta de Cézanne, que gostava de pintura! Como Fulano está longe da pintura!” (p.53-54)

      Estar perto é o que importa enquanto pensamos no melhor jeito.

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