A invenção da solidão

“Il se levait  tôt chaque matin, ne rentrait que tard le soir, et entre les deux le travail, rien que le travail. Travail était le nom du pays qu ‘il habitait, dont il était um dees plus ferventes patriotes.”(p.68) L’invention de la solitude, Paul Auster. Livre de Poche,1982.

Levantava cedo todo dia, voltava tarde para casa toda noite e, nesse meio tempo, só trabalho, nada senão trabalho. Trabalho era o nome do país onde vivia e ele era um dos maiores patriotas. Isso não significa, porém, que trabalho para ele fosse prazer. Trabalhava duro porque queria ganhar o máximo de dinheiro possível. Trabalho era um meio para alcançar um fim — um meio para o dinheiro. Mas o fim não era algo que lhe pudesse também proporcionar prazer. Como escreveu o jovem Marx: Se o dinheiro é o elo que me liga a vida humana, ligando a sociedade a mim, ligando a mim a natureza e o homem, não será o dinheiro o elo de todos os elos? Não pode ele desfazer e atar todos os laços? Não é ele o agente da separação universal? ‘

Meu pai sonhou a vida toda se tornar milionário, ser o homem mais rico do mundo. Não era tanto o dinheiro em si que ele queria, mas aquilo que o dinheiro representava: não só sucesso aos olhos do mundo, mas um modo de se tornar intocável. Ter dinheiro significa mais do que ser capaz de comprar coisas: significa que as privações do mundo jamais nos atingirão. Dinheiro no sentido de proteção, portanto, não de prazer. Por ter vivido sem dinheiro quando menino, e, portanto, vulnerável aos caprichos do mundo, a ideia da riqueza tornou-se para ele um sinônimo da ideia de fuga: fuga da injustiça, do sofrimento, de ser uma vítima. Não estava tentando comprar a felicidade, mas simplesmente a ausência de infelicidade. Dinheiro era a panaceia, a objetivação dos seus desejos mais profundos e mais inexprimíveis como ser humano. Ele não queria gastá – lo, queria possuí – lo, saber que estava ali. Dinheiro não como um elixir, portanto, mas como um antídoto: o diminuto frasco de remédio que levamos no bolso quando partimos para a selva — no caso de sermos picados por uma cobra venenos. ” (p.63-64) Paul Auster, A invenção da solidão: tradução de Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 1999

3 comentários sobre “A invenção da solidão

  1. Solidão faz parte da vida. Somos nós. Outros invejam pessoas que tem sua solidão preenchida com riquezas interiores como a música, literatura e Arte. Se bastam. Te basta. És rica. Parasitas consomem energia. Dinheiro é necessário. É bom. Mas tem o valor justo que damos a ele e só, nem mais nem menos.

  2. Solidão , há várias maneiras de vivência-la.
    Mesmo em grupo , em casal , em família , dependendo da nossa situação , ela se fará presente.
    Não podemos e ser solitários sempre.
    Dinheiro , mesma coisa, havera os insaciaveis, que nada nunca basta.
    Outros que saberão fazer dele um bom amigo para tornar a vida melhor é mais segura .
    Mas como tudo depende do ser humano cheio de virtudes e neuroses , cada caso é uma história.
    Triste é a miséria e falta de opção das pessoas neste país , tão rico , tão vilependiado , desonrado por os políticos e juízes que dominam e criam suas próprias leis e regalias, mantendo o poder acima de tudo.

    • Perfeito Dado… Isso mesmo. Existem vários tipos de solidão, e várias formas de lidar com ela.
      Penso que solidão a dois, em grupo é mais doída. Sempre mais dolorida.

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