Clarice Lispector para Fernando Sabino e XICO STOCKINGER para Beth Mattos

da correspondência ao trabalho  … As missivas atravessam o olhar, o tato, o olfato, o gosto mesmo quando o mundo todo é/seja apenas  feito de silêncio.

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Tomo menos  milk-shake e levo uma vida diária vazia e agitada. Passo o tempo todo pensando – não raciocinando, não meditando – mas pensando, pensando sem parar. E aprendendo, não sei o quê, mas aprendendo. E com a alma mais sossegada (não estou totalmente certa). Sempre quis  ‘jogar alto’, mas parece que estou aprendendo que o jogo que o jogo alto está numa vida diária pequena, em que uma pessoa se arrisca muito mais profundamente, com ameaças maiores.Com tudo isso, parece que estou perdendo um sentimento de grandeza que não veio nunca de livros nem de influência de pessoas, uma coisa  muito minha e que desde pequena deu a tudo, aos meus olhos, uma verdade que não vejo mais com tanta  frequência. Disso tudo, restam nervos muito sensíveis e uma predisposição séria para ficar calada. Mas aceito tanto agora. Nem sempre pacificamente, mas a atitude é de aceitar.” (p.201) CorrespondênciasClarice Lispector.  Organização de Teresa Monteiro. Editora Rocco, 2002.

xico stockinger

Xico, em pouco tempo conseguimos reunir o material para o corpo do livro. Realizar esse trabalho foi também provar das receitas culinárias, estar presente na intimidade da família, chegar perto. Agradeço a tua tenacidade, organização. Empenhados, ameaçados por computadores, limitados aos horários da rotina do trabalho, não desistimos. Neste momento quero agradecer aos amigos Flávio Tavares, Walter Galvani, Paulo Hecker Filho e Roberto Acízelo Quelha de Souza, importantes. (p. 103)  Elizabeth Menna Barreto Mattos, no livro  Xico Stockinger Memórias da Editora ARTES E OFÍCIOS Porto Alegre, RGSul, 2002.

Entre todos os gêneros a correspondência/ missivas me agradam pelo imediato, o desnudado, e assim mesmo mentiroso universo das palavras. O artista deforma ao informar. As pessoas pensam e fazem diferente do que pensam porque se dobram às exigências do outro, do entorno, da sobrevivência. Então tudo é sempre camuflado, mesmo sendo aberto. Irreal mesmo tangendo o real. E se nos jogamos de muito alto e de no muito fundo, não resistimos. Então! Cuidado! Assim mesmo tentamos este transloucado movimento de ir …, mesmo sem vontade querer. Quando penso no pequeno livro MEMÓRIAS do Xico Stockinger penso que os caminhos são perigosos. O maravilhoso no artista é o silêncio absoluto, tens razão, mas apenas este sentido lhe faltava … e tudo mais era mais. Quando escrevo, nada me assusta. Escrevo. Se respondes então posso gritar, dançar. Aqui está  um pouco desta estreita fronteira entre poesia, ficção e realidade a que se refere Celso Aquino Marques. As histórias da feitura/ construção de um pequeno livro.”

Um comentário sobre “Clarice Lispector para Fernando Sabino e XICO STOCKINGER para Beth Mattos

  1. amorasazuis 18/04/2017 / 11:11 pm

    Tanta coisa para dizer e escrever nesta pressa de te responder! Parar o tempo seria ótima ideia. Não há nada de mais importante a ser feito do que saber por andam/caminham teus passos. O que comes. Como é ser pai de dois filhos. Ter mulher e jardim a fazer. Como é ser professor. Como é ser monge. Como é ser pessoa poeta músico escritor e gente?

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