PALAVRAS sobre PALAVRAS L.C. Carpim

LINDAS AMORAS

As palavras têm poder. No princípio era o verbo, diziam os hebreus. Por esta indicação, vê-se que o verbum era imaterial, mas gerava matéria. Popularizado, o verbum seria parabola e derivaria em palavra, uma realidade capaz de atuar tanto sobre a luz quanto sobre as sombras. Dito de outra forma, a palavra tanto produziria uma declaração de amor quanto uma proclamação de guerra.

Humanas, demasiadamente humanas, as palavras dizem o que querem, mas também querem o que não dizem. Há, portanto, palavras para todas as ocasiões.

Em Elizabeth Menna Barreto Mattos, as palavras constituem um bailado. Não necessariamente, e não apenas, aquele movimento ritmado, que dá forma ao silêncio ou se eleva com a música. Não, trata-se também do pállõ com que os gregos agitavam, meneavam, oscilavam, saltavam ou conduziam.

Desapego da coisa pode ser fácil, mas da palavra, do sentimento, não consigo (2012), diz a autora do blog Amoras Azuis. Aqui, feixes de palavras, por vezes lentamente, por vezes impetuosamente, saltam da amorosidade à angústia, do tédio à euforia, da dúvida à afirmação, do fim ao começo, como se devessem cumprir um ritual: anunciar.

Mas Elizabeth não se desvenda num feixe de palavras. Revela-se um pouco mais no outro, no outro e no outro, fazendo das palavras essências surpreendentes, ambíguas como o enigma, que por ironia desaparece no exato momento em que, ilusoriamente, pensa-se dado ao conhecimento. Totalidades com som e significado, até mesmo quando surgem em frases curtas podem ser tão eloquentes quanto um solene e prolongado discurso.

Ela sabe que palavras podem atrair, seduzir ou fascinar. E as usa de forma sincera e transparente, com a engenhosidade de quem sabe que continua dúbia e incerta.

Em Elizabeth Menna Barreto Mattos, as palavras estão onde devem estar e onde já não podem fazer quase nada, pois ela deixa quase latente que também existe palavra para conceituar o que é fatal e que, exatamente por esta razão, não pode ser detido por nenhuma palavra. São humanas, enfim. Demasiadamente humanas.  Luís Carlos Carpim – Jornalista – (Maio, 2017)

amoras azuisamorasssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss

amoras amora_19504_l

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s