lutas diferentes

“Os povos da Europa, antes da libertação, sofriam com maravilhosa dignidade. Lutavam de cabeça erguida. Lutavam para não morrer. E os homens quando lutam para não morrer, agarram-se com as forças do desespero a tudo a tudo que constitui a parte viva, eterna, da vida humana, a essência, o elemento mais nobre e mais puro da vida:   a dignidade, o orgulho, a liberdade da própria consciência. Lutam para salvar a alma.

Mas depois da libertação dos homens tiveram de lutar para viver. É uma coisa humilhante, horrível, é uma necessidade vergonhosa, lutar para viver. Só para viver. Só para salvar a própria pele. Já não é a luta contra a escravidão, a luta pela liberdade, pela dignidade humana, pela honra. É a luta contra a fome. É a luta por um pedaço de pão, por um pouco de lume, por um farrapo para cobrir os filhos, por um pouco de palha para estender o corpo. Quando os homens lutam para viver, tudo, até uma panela vazia, uma ponta de cigarro, uma casca de laranja, uma côdea de pão seco apanhada do lixo, um osso esburgado, tudo tem para eles um valor enorme, decisivo. Os homens são capazes de todas as velharias para viver: de todas as infâmias, de todos os crimes, para viver. Por um pedaço de pão, cada um de nós está pronto a vender […]” (p.53-54)

Curzio Malaparte, A pele  –  Editora Abril, 1972.

Porto Alegre, não Torres ao entardecer – 8 de março 2006 – lua crescente. Mar tão bonito! …  Outra vez uma grande enorme vontade de dormir e me deixar ficar. Sinto cada vez mais necessidade do silêncio e da quietude – como se em toda a minha vida eu não esperasse senão isso, ou isto:  no silêncio, na fresca/fresta/ momento de uma vida apenas minha; nenhuma vontade de estar com/ fazer com/ conversar com, – estou num grande e prazeroso silêncio e vazio onde a plenitude me aquece. O isolamento é um privilégio.

Torres, ainda Torres, 29 de junho de 2017. Temperatura amena e o sol,  o sol ilumina. Estou no silêncio, mas a quietude não chega. Vida incoerente amorosamente preenchida pelo próprio estado de amorosidade … Esquisito isso. Eu me sinto isolada sozinha tanto quanto completa. Elizabeth M.B. Mattos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s