não estás no meu abraço

Vem, meu-bem-amado, diz Espinosa; saiamos ao campo; vamos morar nos campos. Levantemo – nos de manhã para ir ver as vinhas; vejamos se elas começam a brotar; se os laranjais florescem; se as flores de nossas árvores vingam e nos prometem frutos. Não há uma palavra dessas que não exale um ar de solidão e as delícias da vida campestre. Quer seja o amor que, ciumento de sua liberdade, gosta dos campos descobertos, onde passeia seus devaneios e deixa expressarem – se por vontade própria seus desejos impetuosos; quer seja uma pessoa avessa ao tumulto e que se apraz em cuidar de si mesma, que busque os lugares retirados, cujo silêncio e a solidão enredam seu ócio sempre ativo; quer seja outra causa que o faça gostar do campo, uma coisa é certa: isso tudo o encanta. Mas há um tipo de amor que enche o coração de delícias: costuma ser o amor em seus primórdios. Este gosta dos jardins, das flores, dos campos cultivados e agradáveis, que com seu rosto sorridente, se posso falar desse modo, servem para nutrir suas alegrias. Ao contrário, há um amor enlouquecido, desesperado, levado ao extremo por ausências, privações, desdéns do amado e pelas suas próprias violências. Este gosta dos lugares assustadores, onde vê, como eu disse, suas desolações vivamente representadas. ” (p.35) Rainer Maria Rilke, – O amor de Madalena. Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda. São Paulo, 2000 – (edição trilíngue).

Voilà les admirables et les mystérieux détours de l’ amour penitente, qui s’ avance em fuyant, qui se met em possession em rejetant em quelque manière le bien qu’ il poursuit.

OBRA DE RILKE

 

Transformações HERMANN HESSE tradução de LYA LUFT

Uma violenta pulsão nos impele

A romper a mudez das coisas,

E com palavras, gesto, som e cor,

Exprimir o mistério do ser.

Aqui jorra a clara fonte das artes,

O mundo luta: pela palavra pela revelação,

Pelo espírito, e iluminado, anuncia

A eterna experiência pelos lábios humanos. ”

PINTURA de HERMANN HesseTEXTO DE HERMAN HESSE

TRANSFORMAÇÕES de Hesse

Volto a te escrever com expectativa de te ver.

Quero que compreendas a importância da tua presença e da tua ausência. Eu me sinto isolada e sozinha, sei que sabes o quanto. Usufruo da beleza é verdade. Tenho montanha, tenho mar, tenho rio, e tenho a lagoa, mas não estás comigo. Os livros aquecem, conversam entre eles, conversam. Consolam a menina, a mulher, a pessoa … Sem inverno, sem excessos. Durmo bem, mas repito, teu abraço me faz falta. Como posso me despir das letras? Tens razão quando dizes: Nada é mais sensual do que envelhecer juntos sem vergonha da nudez. Ou quando me enfeitiças afirmando:  vou viajar e te despir lentamente …, e vou levar 50 anos até terminar. Elizabeth M.B. Mattos, Torres 2017.

 

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