poeira doméstica

 

CAMILLE CLAUDEL com VERMELHO

Em 1913 Camille Claudel vai para o Hospital Psiquiátrico de Ville -Evrard – 16 de abril conselho de família.

1920 Visita de Paul Claudel à irmã. Uma carta do médico constata a nítida melhora de Camille e sugere que volte para junto dos seus. A mãe recusa categoricamente: (…)

1942 – 24 de fevereiro: Paul Claudel é nomeado tutor e administrador dos bens da irmã.

1943  – 19 de outubro: Camille Claudel falece longe dos se

CAMILLECAMILLE O BEIJO O ABRAÇO

Esculturas de Camille Claudel :

O ensinamento precioso de Rodin só despertou o que já sabia, revelando – lhe a própria originalidade […] A ciência da modelagem é igual, tanto num quanto no outro. Minha irmã não somente ás custas de um trabalho obstinado com a natureza, mas por meses de estudos anatômicos e dissecações.” (p.25)  Paul Claudel

“Eles se chamam L´Âge mûr ( A Idade Madura). Ambos têm uma uma força tal, uma tal sinceridade que beiram o terrível, ao mesmo tempo de amor, de desespero e de raiva, que ultrapassam os limites da arte onde foram realizados. O espirito, no supremo clarão que os concebeu, só podia se apagar.”(p,28) Paul Claudel

CARTA RODIN CAMILLECARTA DE AUGUSTE RODIN para CAMILLE

[…] Minha muito querida amiga, como tens sido boa e como tua inteligência me agrada. Todos […] têm algo de novo […] não é insignificante, nada de […] nem de cópia de tua ama que sinto tão bela. Por que dor estou marcado e quanto o meu erro foi grande, mas sinto que ao te ver havia uma fatalidade da qual eu não podia fugir. Ah minha divina amiga, serás feliz, tenhas paciência, tudo aqui se paga. Fui pago pelo meu trabalho, pago meus erros e minha dor contínua é um exemplo extraordinário da justiça […]“(p. 51) fragmento e carta de Auguste Rodin à  Camille Claudel 1895

o amor se explica por ele

Em qual pedaço/parte/momento,ou jeito eu me encontro comigo mesma pelos teus olhos – poetas, … tão particularmente linda a imagem que vejo de mim! Encontrar este você que és tu … um presente de doçura esquecida, afinal, existe/está em ti  … um agora para lembrar depois/ ou ainda amanhã neste amanhecer da manhã de te beijar, acarinhar. Estar na lembrança de sentir tu e você no amor de amar. Aquieto o corpo no piano, na sonata, neste lustro de tempo de viver tu e você. Elizabeth M.B. Mattos outubro de 2017 – Torres

Observando o calor benigno nos  olhos de Nessim e lembrando de todos os boatos escandalosos sobre Justine, percebi que tudo que ela supostamente fizera, de certo modo, havia feito por ele – mesmo aquilo que parecia cruel ou prejudicial aos olhos do mundo.  Seu amor era como uma pele no interior da qual Nessim se abrigava, como Hércules quando criança; e os esforços  de Justine por encontrar a si mesma, em vez de afastá -la  dele, sempre aproximaram – na ainda mais. Sei  que ao mundo não interessa tal sorte de paradoxo; mas tive a impressão de que Nessim conhecia e aceitava a esposa de uma forma impossível de explicar a alguém que ainda confunda  amor com posse.” (p.32) Lawrence Durrell JUSTINE O Quarteto de Alexandriano-chao-pouco-nitida

sofá ótima

fora do contexto

Eu te disse que às vezes sou feito trator arando … norma sem rumo ou diretriz ou regra que restringem atam … distorcem, não aguento. Pensei no amor físico na entrega, e fico imaginando que este é o lugar que não é teu/meu, mas nosso porque sem o outro não existe prazer entrega … O silêncio novo a comida nova um ar novo. O que eu faria? Leria mais, escreveria mais e olharia melhor para o verde e para o azul. Entenderia o nada, apenas olharia …veria/ enxergaria. Como no amor. Eu te escrevi para te convidar ao nada. Lúcidos não fazemos amor. Gosto de nos pensar embriagados de paixão. Loucos. Então o porquê de beber, beber até o fim até o fundo da garrafa (ler Bukowiski dá nisso) …, não eu comigo, mas nós dois. Não quero o agora que enrijece. Nunca estou num agora  … perco a vida porque sonho o sonho e quero o que passou ou o que imagino que pode ser …  Sonhos e paixão.   Gosto do artista que se debruça.

Fora do contexto, mas ainda no contexto … o corpo, o sexo, o visceral, o intenso. Tudo o mais é desordem numa aparente ordem e pacífica rigidez.

Pretendia comer camarões na beira do rio … beber uma cerveja gelada. Olhar o  outro lado  … sentir este peculiar de Torres com rio, com os molhes e o mar e as pedras e a areia … Preguiça e languidez de amar o amor. Preguiça de olhar  no olhar. Pretendia. Não fui a lugar nenhum. Comi feijão com arroz, farofa e carne desfiada …uma prosaica latinha de cerveja  … e … outro dia de ficar em casa. Nem a chuva chegou. Tudo assim desmedidamente, prosaicamente comum. Lavei os pratos, limpei o fogão, estendi os lençois aspirei o tapete. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2017 – Torres

Assim mesmo dentro do contexto e da vida. “É interessante a mudança que o amor físico opera no corpo dos homens e das mulheres: a mulher floresce em sua plástica, arredonda -se, perde as asperezas, adquire uma expressão ansiosa ou triunfante; o homem torna se muito mais tranquilo, mais interior.”(p.13) Davis Hebert Lawrence – O Amante de Lady Chatterley – Volume 33 Os Imortais Editora Abril

 

CORPO INTEIRO DESENHO

“Sem dinheiro não podemos sequer pensar …”  e “A vida interior  necessita de casa confortável e boa cozinha”. (p.40)

“Um ar de canseira nas coisas”(p.59)

“O inesperado é sempre uma ameaça”(p.81)

o tempo passa

Em qualquer tipo de conflito – guerras e revoluções ou até brigas e rixas pessoais – a regra é ampliar o poder e capacidade do adversário ou inimigo, para que nos armemos o máximo contra ele, afim de derrotá – lo com um poder maior.  Seja de que tipo for. Outra regra, mais frequente ainda, é que, após as batalhas e os conflitos, o vencedor amplie a imagem de poder do vencido para se dar mais valor a si mesmo. Desta forma, às vezes, um adversário débil – e facilmente derrotado – pode passar à História como pujante e poderoso, para que seu vencedor se transforme em mais poderoso ainda.”(213) Flávio Tavares – As três mortes de Che Guevara – LPM  2017

com flavio

com flavio bem perto

nós dois a nos olharmos

 

sem ar

 

Ar e cheiro, ou alguma coisa  …  Percebo, percebo. Engole o gole. Pedaço, parte … sim. Monstro ou lobisomem ou ser humano não humano, e faz desaparecer o traço, –  engolido, amaldiçoado -, faz a mágica. … há qualquer coisa pesada!  …  Abafa hora segundo dia. Suga. Engasga. Esvazia. Estranho! Ou sou eu a me reconhecer pessoa, sensação. É a medida errada, excessiva de felicidade, ou de alegria vazia inventada. O sentimento de que tudo, eu mesma certamente devidamente acomodada. Nada se ajusta a nada. Mundo avesso no desenho. Buraco ou sumidouro. Tão enlouquecido o sentido, ou o sentido não há, …não percebo. Ilha num mar que desconheço.

A notícia arrasta para cá ou para lá, deixa afundar … hipnotiza. É a loucura desvairada de tentar ser, ou fazer acontecer. Estar presente sem minimamente estar … a comédia, a tragédia se intercala com a rapidez impossível do nada. Vazio absoluto. Não existe voz, corporificação. Alma a resolver, porque não é ele, mas a ideia, presença transparente que se mistura. Não sei organizar. Caos nas estantes na lógica e nas gavetas. O desespero se esparrama. Vigia e isola sem dor ou alegria. Sem enxergar ou ver. Absorver não basta … Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2017 – Torres

Não é só a velhice, mas pode ter algo a ver com isso. Acho que a multidão, aquela multidão, a Humanidade, que sempre foi difícil para mim, aquela multidão está ganhando, afinal. Acho que o grande problema é que tudo é uma performance repetida para eles. Não há novidade neles. Nem mesmo o menor dos milagres. Apenas se arrastam sobre mim. Se um dia eu pudesse ver UMA pessoa fazendo ou dizendo algo incomum me ajudaria a seguir em frente. Mas são rançosos bolorentos. Não há emoção. Olhos, ouvidos, pernas, vozes, mas … nada. Congelam -se dentro de si mesmos, se enganam, fingindo que estão vivos.” (p.129)  Charles  Bukowiski – O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio – LPM 1999

ADOREIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

no fundo do poço

Tradução encabulada. Lavo, cozinho, limpo. Passo a roupa, tiro o pó, esfrego, e o perfume da cera no assoalho importa. E penso, também encabulada … Importa estar apaixonada, ainda importa?

O homem não teve tempo para se adaptar a brusca e potente transformação da técnica e da  sociedade que produziu. Não espanta que boa parte da suas enfermidades  atuais  estão no próprio meio, no cosmos que se encarrega de eliminar esta orgulhosa espécie humana. O homem é o primeiro animal que criou desenvolveu seu próprio ambiente. Mas,  – ironicamente – o primeiro animal que a sua maneira está  destruindo a si próprio. Apresentado desta forma, a mecanização do Ocidente é mais vasta, espetacular e sinistra tentativa de extermínio da raça humana.  Com o agravante que essa tentativa é obra destes mesmos seres humanos. (p.66)  Ernesto Sabato,  Hombres y Engrenajes – Seix Barral / Biblioteca Breve – Buenos Aires, 1996

foto pouco nitida importa estar apaixonada, ainda importa.

nebulosa memória

“Citei inutilidade da arte, mas ignorei sua capacidade de confortar. Nisso reside o consolo do trabalho que realizo com minha mente e meu coração – é apenas , nos silêncios do pintor ou do escritor, que a realidade pode ser ordenada, recriada de modo a exibir sua porção mais significativa. Na realidade, nossas ações cotidianas não passam de andrajos que ocultam o tecido de ouro – o significado do padrão. Por meio da arte, estabelecemos – nós, artistas – um acordo radiante com tudo o que nos feriu ou derrotou na vida cotidiana; e desta forma, em vez de fugir ao nosso  destino, como tentam fazer as pessoas comuns, realizamos por inteiro nosso genuíno potencial – a imaginação.” (p.17) Lawrence Durrel – Justine – Quarteto de Alexandria .

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