






Leonardo Lattavo e Pedro Moog – LATTOOG in Milão abril de 2018







Leonardo Lattavo e Pedro Moog – LATTOOG in Milão abril de 2018
[…],”lembrar-se com prazer de alguns encontros marcantes, exultar secretamente quando algo acontece exatamente como havíamos previsto, atender ao telefone e escutar tua voz, achar que o tempo esfriou demais e que poderíamos até vestir um casaco de lã, olhar tua foto menino e rir outra vez, surpreender-se com a juventude das pessoas a sua volta e ter aulas com um(a) professor(a) de informática de 25 anos, colar meus lábios nos teus sem te beijar, emocionar-se porque sua mãe sempre dizia ter uma cabeça de 20 anos e seu pai não a reconhecia mais, sentir a dor desaparecer lentamente quando a morfina penetra o corpo, dormir oito horas de sono e acordar pensando em ti, gostar de vozes graves ou hesitantes ou bem – postadas ou veladas ou calorosas ou risonhas ou suaves e conceder um físico e uma idade eterna a cada uma delas, escutar os teus medos escondidos nos meus medos, ferver por dentro diate da estupidez feliz, da covardia ou da maldade de certas pessoas, convidar-te pela milésima vez a ir ao cinema e ouvir a tua recusa, encontrar, de repente, a solução de um problema que atazanava a paciência havia muito tempo, colher margaridas crisântemos escabelados hortênsias e rosas, escutar silenciosa o dedilhar do teu violão, receber um presente que te agrada em cheio ou um sinal de amizade ou cartão-postal, ter e guardar segredos, ter uma imaginação fértil, desfrutar de um clima agradável …” (p.26 – 82) Françoise Héritier – O Sal da Vida / O que faz a vida VALER A PENA – Editora Valentina Rio de Janeiro – 2013
“Trata-se, pura e simplesmente, da maneira de fazer de cada episódio da sua vida um tesouro de beleza e graça, que aumenta sem parar, sozinho, e nos renova a cada dia.”
“O ‘eu’ não é somente aquele que pensa e que faz, mas aquele que sente e experimenta, segundo as leis, uma energia interna subjacente, incessantemente renovada. Se fosse totalmente desprovido de curiosidade, de empatia, de desejo, da capacidade de sentir aflição e prazer, o que seria esse ‘eu’ que, além do mais, pensa, fala e age?”
“O mundo existe por meio dos nossos sentidos, antes de existir de maneira ordenada no nosso pensamento, e temos de fazer de tudo para conservar, ao longo da vida, essa faculdade criadora dos sentidos: ver, ouvir, observar, entender, tocar, admirar, acariciar, sentir, cheirar, saborear, ter ‘gosto’ por tudo, por todos, pelo próximo, enfim PELA VIDA.”
Se existe olhar, palavra, risada, ou uma flor no meio do caminho… Estar contigo importa. O que mobiliza encanta. Chama. Fazer acontecer é pensar que podes estar comigo. Estar junto…, tão bom! Muito perto! Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2018 – Torres
“Quando fantasiamos algo, podemos nos deparar com uma situação que além de não colocarmos em prática, nem sequer temos a intenção de realizar. […]” (p.115)
“[…] o fato de não cogitar em levá – lo à realização, apesar da motivação animal que nos faz fantasiar, é uma espontaneidade do indivíduo.
O que importa numa relação, o que propicia rixas ou apreço, diz respeito a intenção do individuo e não a intenção animal. O tolo as confunde e enxerga, à luz das reações e do comportamento humano, apenas o ietser ha-rá (o impulso animal), puro e indiferenciado. Este, no entanto, nada nos diz sobre o indivíduo, mas sim sobre todos nós coletivamente. Julgar alguém por sua espontaneidade animal é tecer julgamento sobre si mesmo.
Ao perceber que o outro inicia movimentos no sentido de se relacionar conosco tendo que lidar com seus impulsos animais (originados num universo autocentrado e exclusivamente voltado para a própria sobrevivência), nos permitimos apreciar as verdadeiras intenções e atitudes deste outro. […] (p.115-116) Nilton Bonder A Cabala da Inveja
Seguidamente tiro do contexto leituras para criar o meu contexto tendencioso e inseguro. Tenho vontade de dizer, ou atacar, mas sinto medo, não quero ser injusta nem comigo nem com o outro, então recuo cautelosa. Procuro aleatoriamente a resposta num livro / numa leitura de baú.
Na realidade sinto uma frustração lá dentro porque o que desejo não acontece. Vou ao limite de propor, acenar, mas percebo rejeição, ou não vejo reação, ou …, não sei enxergar. Fica esboço não pintura nem desenho. Não sei lidar com o desejo da voz da pele, nem a intenção velada descarada de minhas intenções ocultas / evidentes. Então sinto ciúmes. ” Não seja afoito” escreve Nilton Bender.
Premência de viver o agora neste agora / hoje me exaspera. Por que não aceito o não dito como dito. Espero. Encolho, mas sinto ciúmes. Eu me pergunto como posso ter ciúme de um sentimento de um olhar que não é meu …, ciúme do possível / imaginável outro que preenche / compartilha com outro que não sou eu. Se estivesse livre, aberto, ou perdido ou …, não posso pensar assim, eu sei. Então escrevo, exorcizo para esquecer e reagir. Elizabeth M.B. Mattos / começou a chover e caiu a temperatura, gosto. Torres 2018
E me penitencio aturdida e inquieta. Está tudo errado.
…, sigo nas caminhadas volteando a Lagoa do Violão. Confesso desejo de mar. Quatro quadras, ou cinco quadras estou com ele. Quero morar aberta inteira para o mar. Tenho Lagoa Serra do Mar, bonito bonito, também. Tens razão, quero mais mar-mar bem perto. Pés na areia, o sonho. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2018

É também o tempo lento ao passar da chuva. Saudade do vagar presa assim mesmo nele presa. É o lento do dia saindo de dentro de mim. Escuto a dança. Entre carros o cavalinho no galope. Iberê na memória. Inacabado tempo, o mesmo. Dia longo sono vazio. Cidade silenciosa caminha agitada barulhenta. Inacabada associação. Música. O que escrevo é real, ou passagem apenas de tempo … Desuso. Uso? Quieta e inquieta. Bobagem! Escrever escrever escrever readaptar. Voltar para ficar e depois ir. Silêncio outra vez, vou me aquietar esperar.
Choveu tanto hoje! Choveu ontem. Amanhã. Estou imobilizada. Preciso querer querendo, agitada. Não escrevo nada contradigo brinco escondo. Oxalá guiada sacudida atrasada no tempo que, …droga de tempo, tempo. Sempre é tempo no abraço no beijo na vontade. Agora estou aqui, e desta vez, fora de mim mesma. Na rua na calçada: sol chuva vento, Porto Alegre. De volta 1980 1999 Rio de Janeiro de mar e mar. Olho no olho. Telas das telas nas tintas. Se desenrolam carretéis fantasmagóricos. Pedra ferro bronze e madeira: outro tempo de via lisa. Lisa saudade de Liza Beth Lizabeth Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2001 – Porto Alegre


Agora vou ser indecente e dançar. E.M.B. Mattos relendo…, revejo. Não é texto. Sou eu me ajustando. Resiliente, ou resilência …, e o significado me escapa, preciso tanto dele!
As solidões se acompanham. Silêncio no estranhamento competitivo. Inquietude sorridente. Como eu poderia ser menos eu ou mais … (sorriso) no teu desejo agarrado no meu desejo. E.M.B. Mattos – abril de 2018
espero a palavra medida comedida escondida
perdida para rimar (rir e mar)
depois furiosa curiosa ansiosa
tempestade sem vento sem chuva sem voz
devagar
espero
amanhã depois de amanhã
olho/vejo surpreendo a idade da minha idade
já passou pronto, já passou: respira
claro! já passou … não sabes não sei, passou
Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2018
“Temos que aceitar a nossa existência em toda a plenitude possível; tudo, inclusive o inaudito, deve ficar possível dentro dela. No fundo, só essa coragem nos é exigida: a de sermos corajosos em face do estranho, do maravilhoso, e do inexplicável que se nos pode defrontar. Por se terem os homens revelado covardes neste sentido, foi a vida prejudicada imensamente. As experiências a que dá o nome de ‘aparecimento’, todo o pretenso mundo ‘sobrenatural’, a morte, todas essas coisas tão próximas de nós têm sido tão excluídas da vida, por uma defensiva cotidiana, que os sentidos com os quais as poderíamos aferrar se atrofiam. Nem falo em Deus. Mas a ânsia em face do inesclarecível não empobreceu apenas a existência do indivíduo, como também as relações de homem para homem, que por assim dizer foram retiradas do leito de um rio de possibilidades infindas para ficarem num ermo lugar de praia, fora dos acontecimentos. Não é apenas a preguiça que faz as relações humanas se repetirem numa tão indizível monotonia em cada caso; é também o medo de algum acontecimento novo, incalculável, frente ao qual não nos sentimos bastante fortes. Somente quem está preparado para tudo, quem não exclui nada, nem mesmo o mais enigmático, poderá viver sua relação com outrem como algo de vivo e ir até o fundo de sua própria existência. Se imaginarmos a existência do indivíduo como um quarto mais ou menos amplo, veremos que a maioria não conhece senão um canto do seu quarto, um vão de janela, uma lista por onde passeiam o tempo todo, para assim possuir certa segurança.” (p.66-67) Rainer Maria Rilke Cartas a um jovem poeta – tradução de Paulo Rónai – Nona Edição – Editora Globo