uma carta

Conheci Iberê Camargo. Uma correspondência de trinta anos. Aqui transcrevo carta de 1986.

“Porto Alegre, 12. 1. 86.

Querida Beth

[ …] É difícil sair de uma crise apenas com as próprias forças. Penso que se te ocupares com um trabalho criativo – escrever, por exemplo – te aliviará as tensões. A criação nos liberta sempre. Continuo trabalhando muito, adoidado. Não raro atravesso a noite, pintando, pintando. Agora pinto manequins, manequins da rua da Praia, como os chamo. Eles me dão toda a dimensão da vacuidade em que vivemos nesta sociedade de consumo. Eles são vazios, ocos, apenas vestem. Entretanto significam porque são simulacros, modelos de uma vida irreal que coexiste com o real, como um mundo paralelo. É por isto, querida Beth, que há tantas mulheres andando por aí com tope de fita no cocuruto. Elas se identificam com uma certa personagem da novela. Estou de boa saúde. Terça-feira faço o último exame de revisão. Espero me sair bem. A exposição Trajetórias e Encontros vai para São Paulo, depois para Brasília. Talvez eu também vá a São Paulo para assistir uma inauguração no MASP. Aqui o calor também está insuportável. E tenho pena é dos bichos que nunca fizeram mal à natureza. Beth, com muito carinho e abraços IBERÊ” 

Iberê FOTO.jpg

 

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