No Bazar – autobiografia

Meu amigo:

Li no jornal o teu protesto sobre o preço das tintas.Que a tua voz seja ouvida. Estamos nesta luta juntos.

Continuo trabalhando no Bazar Praiano.

Mar verde água limpa. Sem ondas. Verão. Sol e sol. Natureza quieta: silêncio no barulho do mar. Muito a ser vivido neste momento. Convite às famílias. Quando pretendes aparecer? Vem logo. Pessoas carecem de amigos. Eu te necessito, mas a vida segue aberta. Vivo experiência curiosa. Estar no bazar concretiza o tempo. Abri mão de valores de posição social. Termino o dia com as mãos doloridas e gretadas quando limpo prateleiras. Esta experiência é uma porta que se abre para o comércio. Aprendizado. Gosto deste tablado. Laboratório fantasia observação. Olho faço, estou dentro do ritmo quente das vendas e compras compulsivas. Respiro pessoas numa troca cúmplice de olhares. Todos em férias.  Muito calor entre pastas de dente colheres chapéus redes cestas brinquedos. O necessário e o inútil. Livro vela pote enfeite. Perfumes vidros vasos e tudo o mais que possas imaginar. Preciso ter dinheiro para comprar uma loja e investir. Estou agitada, fervendo por dentro …

Má notícia: engordei para todos os lados. Estás rindo? Sim. A vida não é fácil. Enfim, cá estou diante de uma porta aberta colorida engraçada. Vou entrando … Temos castelhanos como praga. Tropeço neles. Se  alguém me dirige a palavra em português  eu me surpreendo. Gritam. Alguns conversam e são educados, mas  poucos. Não há mais Torres, mas colônia. Enxame de gente lota corredores. Produtos desaparecem das prateleiras numa rapidez inacreditável. Meus olhos caem pesados num sono crônico. Azedo.  Mas a tristeza não se põe lá. Se guarda em casa. O movimento entra na madrugada cobre a noite e as  tardes. Apenas as manhãs são silenciosas e mansas num acordar lento. O sol entra pela janela  gotejando  o dia.

Hoje é segunda-feira, não irei ao Bazar e posso, assim, planejar o trabalho acadêmico. Já levei os cães na praça. Bebi café preto. Comi pão com manteiga e mel. Hoje é  segunda-feira da última semana de janeiro. Elizabeth M.B.Mattos – rua José Picoral –  Torres 1992.

dia do casamento com GERALDOOOOO rasgada

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