Aparência

A China comunista não permite canteiros de flores, nem arte, nem devaneios. Durante a Olimpíada de Pequim beleza cerimônia e eficiência. A China mudou?

A beleza é um castigo. O reflexo do belo pelo belo pode enganar e burlar. Pessoas bonitas são surpreendidas por uma aparente batalha sem mérito.

Boca cabelo olhos. Pernas pescoço nariz. Se a perfeição está no corpo como não estaria nos gestos, nos sentimentos? Ela entra três vezes por semana na loja e rouba pequenos objetos. Sente medo. Assim mesmo rouba. Caminha esticando a cabeça abraçada nos livros como se fosse apenas um olhar transitório de lazer. Vez que outra compra um disco, um lenço. Desafia, mesmo observada, a moça que rouba.

Vasos enfileirados pratas polidas. Amontoa objetos. Apalpa tudo com prazer. Um dia chega com três vestidos sobrepostos. Sente sono no meio da tarde.  De manhã se aquieta.  Ser bonita faz parte do circo doméstico que a inferniza. Segue roubando: a beleza se concretiza no furto.

Roubo institucionalizado. Política encoberta por boas intenções. E o público faz ah! Que venham palmas para os espertos. Será que roubar alivia a alma?  Elizabeth M. B. Mattos –  agosto de 2008  – Torres

 

 

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