“Aprimeira vez que GALIP viu RÜYA
Insisto perco sentido/rumo …, mas insisto. Palavras exercem fascínio, descem como elixir, ou veneno …, mas não resisti, li a primeira página e transcrevo: “Rüya estava deitada de bruços na cama, perdida na suave e quente penumbra, coberta pelas muitas dobras e ondulações da colcha quadriculada de um azul delicado. Do lado de fora, elevam -se os primeiros sons da manhã de inverno: o ronco de um carro de passagem, o clangor de um velho ônibus, o estrépito das panelas de cobre que o fabricante de salep compartilhava com o doceiro na calçada, o apito do guarda encarregado do bom funcionamento do ponto dos dolmus, os táxis coletivos. Uma luz fria e plúmbea infiltrava-se pelas cortinas de um azul escuro. Ainda zonzo de sono, Galip contemplava a cabeça de sua mulher, que emergia da colcha quadriculada: o queixo de Rüya se enterrava no travesseiro de plumas. A maneira como ela reclinava a fronte tinha algo de irreal, despertando em Galip uma grande curiosidade pelas visões maravilhosas que se desenrolariam na sua mente, ao mesmo tempo em que lhe inspirava medo. A memória, escrevera Celâl numa de suas crônicas, é um jardim. ‘Os januadins de Rüya, os jardins de Rüya…,pensara então Galip. ‘ Não pense, não pense neles, vai ficar roído de desejo’ Contemplando a testa da mulher, porém, ele seguia pensando.” (p.11-12) Orhan Pamak – O Livro Negro – Companhia das Letras – 2008
“perdida na suada e quente penumbra”
E…escreveria tudo outra vez. E sou tu e somos nós … Apaixonada por Istambul, – aqueles que viajam pelo mundo passam/precisam conhecer os livros de Pamuk. Particularmente. Já paguei minhas cotas, fiz a volta ao mundo somando quilometragens; … testei carros, acompanhei a mecânica, talvez ainda compre um fusca, mas será num pequeno desatino de avó … Elizabeth M.B. Mattos o terrível nas minhas leituras é que apenas eu entro em êxtase… Agora quero tudo da Turquia porque estou na Turquia.