velhas leituras

Como reagir agindo e seguir o mistério. O sentimento se repete …, e o mundo não é uma realidade objetiva, mas uma fantasmagoria como nominou e pintou Iberê Camargo. Uma fantasmagoria povoada com medos e desejos. Volto ao Amós Oz “[…] uma sensação, uma espécie de voz essencial e longínqua que só quer se fazer ouvir quando estou sozinho, sem pessoas comigo, sem esses desejos ruins, sem essa minha loucura de causar boa impressão e de eletrizar e de surpreender o tempo todo e de me gabar, e eis que o milagre já aconteceu quando fiquei calado, quando me acalmei, quando disse meu Deus, o que sou eu, porque me deixaste viver, para que sou necessário e numa hora dessas vem a resposta simples do silêncio da luz e do pó das montanhas do vento e a resposta é pergunta, é o silêncio: não tenha medo, menino, não tenha medo.” (p.141) Amós Oz –  Uma Certa Paz. Alucinada esta busca do perdido …, daquilo que foi dito na emoção e na paixão. Então eu me pergunto se esta frustração, este silêncio que se já se disse ensurdecedor seja o resultado, o final. Vontade de voltar ao abraço. Tão e muito. Igual e repetido. Já contei este sonho. A mesma memória. Uma figura risonha, jovem, bonita. Olhar castanho, confiável e terno. Eu me ajoelhei, menina, para escutar o que dizia e deitei a cabeça nas pernas dele. E era eu hoje, e ele jovem. Foi boa a sensação. Conforto. O mesmo prazer do beijo. Como se fosse um beijo. Foi só encostar a cabeça, e já era um abraço. Acordei. A vida se arrasta em repetições, às vezes embaraçosas. Se fazer de forte, mesmo não sendo. Esconder coisa nenhuma, a negação da narrativa. Medo danado de ser ventoinha, cabeça vazia, pandorga, pipa, balão, ou coisa nenhuma. E assim abraço as urgências num aperto. Venço o medo e a estranheza.  Fecho janelas, portas. As gavetas. Fico dentro da caixa, escondida e tão visível! E aquela dor que se espalha como atômica. E tudo é apenas imaginação, visão. Vontade de ficar e não remover a pedra. Mas, não imaginas como gosto do sonho. Entro no sonho castanho de ficar ao teu lado. Lugar seguro de acalento, sossego e amparo. Dividir é o jeito de seguir. Mas não consigo te tocar. Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2018 . Desculpa se estou a me repetir e contar as mesmas coisas. É o vento. Ventanias da primavera em Torres que fazem o mar voar, avoar e acinzentar, mas hoje faz sol. E o azul na lagoa crespa. E o verde …, o verde e o vermelho nas amoras.NELSON RODRIGUES e UM HOMEM

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