cumplicidade na leitura

Javier Marías na minha leitura imprecisa transita pelo extermínio. Loucura da morte dos sentimentos contidos e dos desastrosos encontros que ferem de sangue porque interferem … Encontros ultrapassam o corpo e o sexo …, a carga do outro passa a ser nossa como a confissão, e precisamos eliminar / matar / cancelar, definitivamente, para purgar, e ou resolver. Ou eliminar, ou nos esconder, a caverna. A vida avança se complica e se mistura e se contamina de tal forma que matar é a solução. Matar em sentido metafórico. Eliminar. Fazer desaparecer …. Sim. Esta é a questão. Fazer desaparecer os possíveis cúmplices, e somos todos cúmplices uns dos outros. É um emaranhado. Uma leitura de medo. Um mal-estar vai subindo vai tomando conta …, e este trânsito entre a morte e o nada assusta. O antecipado do nada. E voltar ao lugar ao tempo em que já não somos … ou a porta fechada como aquele conto dos velhos de Cortázar que o fio de lã vai sendo a trilha e eles vão fechando portas até abandonarem / saírem da casa. Encurralados, ou … A questão de ser blindado … de ser impossível de não ter janela não ter volta a questão de uma única escolha o irreversível porque envolve outras marcas novas decisões. Ou um ferro, uma corrente com grilhões, … um cerceamento, um não pensar porque é proibido pensar, e mudar temos que ser até o infinito os mesmos. Acabo de ler o conto do Julio Cortázar livro lido comprado em 1974 no Rio, na livraria Carlitos. Não é longo. E se chama Casa Tomada – dois irmãos que se deixam ficar na casa sobrado onde nasceram até o fim da vida, ou … uma estória. Ela tricotava e viviam naquela enorme casada …, estranho como ficou registrado aquela coisa de irem fechando partes da casa e se limitando … “-Tive que fechar a porta do corredor. Tomaram a parte dos fundos.”  Ou …, não vou transcrever. Relendo hoje eu me dou conta que aquela situação de ir limitando espaço …, ou fechando portas, ou deixando para trás, um texto da minha cabeça.  Dois irmãos: ” Estávamos bem, e pouco a pouco começávamos a não pensar. Pode-se viver sem pensar.”  São pequenos detalhes e grandes histórias a cada parágrafo.  Porque uma das primeiras peças ”tomadas” é a biblioteca. E tem um parágrafo inteiro magistral. Alguns textos não nos abandonam nunca poderíamos ficar a comentar a tricotar ou costurar indefinidamente. Como algumas pessoas que estão na nossa vida, ficarão para sempre, não importa o tempo em que estivemos juntos. Esta coisa maluca de ser por um momento e para sempre ao mesmo tempo. Sem explicação. Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2018

OBSERVAÇÕES:

Fernando José Valente De Senna Júnior Tão distante de mim tais conceitos. Elizabeth Menna Barreto Mattos. Amiga… sou o resultado das fervuras, das agruras, e não abro mão de minhas cicatrizes quais tatuagens. Minha história só é rica pelos tropeções que dei. Pelos empurrões que fiz também. Não consigo perder de vista cada dia que me fez o homem que sou e tudo se revela para mim como uma foto em kodakcrome antiga. Abriga ainda a possibilidade de um daguerreotipo velho … Minha história tem o gosto de álbuns adoráveis. Meus ridículos me pertencem. Não. Não há nada para deletar. Em mim a memória RAM se avulta. Mesmo que um dia ela se engane e não se reconheça. Está em mim o leite materno sugado sôfrego e o último inspirar ao escrever te isto.

desabafo

Vontade deixar tudo se esborrachar terminar …, ou espatifar, melhor eu, melhor seja eu a fazer a cavar decidir quebrar pratos copos e ou caminhar até a exaustão.  Gritar, gritar também é bom. Ler e parar e escrever e parar e escutar, ruim. Continuar/ seguir uma  batalha infindável …  Nunca moderada, nem solta. Interminável. Aborrecida. Sei lá.  Sei sim sabendo, sentindo. Por que um dia pode ser tão pior? Já tomei banho demorado perfumado quente frio outro, e outro. Adoro a água, exagero repetição. E transbordar.  Como posso não saber nadar e nadar com uma braçada depois da outra …. Já me joguei no mar. Maravilha, Angra dos Reis. Deu medo, mas fiquei ali boiando, batendo os pés.  Mergulhando.  Que mar delícia é aquele! A delícia dos trinta anos, pode ser quarenta ou cinquenta. Tempo escorrega num começo indefinido doce bom. Que bom é viver e não saber não esperar porque somos tanto e tudo! Que droga quebrar a vida com medo, desapego e a loucura de ser livre.  Aquela sensação de não preciso não quero e posso ou sigo e sou. Depois? Depois aquele medo idiota de chegar ao fim …, e nem sabemos nada de fim nunca estivemos lá.  Sempre começa sempre tem o início naquele beco. E o olhar é de cada um. A visão é materialização. Uma ideia. Vontade de estar a ficar a sentir.  Coisas do corpo. Sem braços nem pernas ou palavra. Sem corpo … então, pois é, com o corpo com a palavra com o tempo. Não sem nada.  Não sei. Confuso. Quero o que já foi …, não, não é isso.  Porque nunca foi … a pessoa não se agarra no desejo de querer, mas na fantasia do poder. Poder é abrir qualquer porta entrar e tomar posse. Não.  Poder significa não querer nem desejar …, ter domínio da própria vontade de querer e ou não querer. Elizabeth M.B. Mattos –   Torres 2018

 

os mesmos

A cada amanhecer sou outra és outro e tão os mesmos! Ontem talvez ainda hoje um vento ruim … e, na calçada a delícia desta temperatura de primavera que abraça. Ainda sinto frio, mas pelas narinas um cheiro do verão que se avizinha. Escuro ainda, mas tem luz no céu. Vida carregada destes contrastes que um EU, que és TU, que sou eu, desenha e modela nossas representações. Este particular olhar é o mundo ele mesmo, esquisito isso de saber tantos mundos filtrados por um único olhar. Um único olhar um único mundo e plural. E igual. Igual porque me atravessa uma dor / um rasgado / um aperto, e eu não consigo mudar. Eu sou apenas eu neste momento aflito angustiado a se tomar de inquietude. Tanto para te dizer e tanta trava! E aquele desejo primitivo de quebrar tudo … ao menos um prato um copo um arremesso ou um mergulho. Uma onda depois de outra onda, outra. Cansar, cansar. Exaurir. Esquecer …, para lembrar tudo aos poucos com  cuidado, devagar. Saudade de casa de pai e de mãe. Deitar na minha cama de sempre. Entrar naquele quarto seguro e silencioso de ser menina. Saudade , – palavra esquisita estranhada. Abusada. Acho que um dos significados desconhecidos dela pode ser medo. Pavor do agora, do hoje, então queremos voltar no tempo, e nos agarramos nas beiradas do passado. Olhamos para o que poderia ter sido e não foi, ou … até existiu e queremos voltar, outra chance. A loucura de saber que tem ponto final. Pode ser amanhã. E tão pouco depende de cada um! Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2018

Fernando José Valente De Senna Júnior Sempre um talvez… poderoso. Mas mais adiante um momento inesperado. Como daqui a pouco. Abrir a janela e se surpreender que há um mundo tão nosso. E tão distante de onde já esteve. Translação, rotação. O sol seguindo sua rota em volta da galáxia. Nos arrastando como um cavalinho de carrossel que já não existem mais. E a própria Via Láctea em rumo a um infinito. É. Daqui a pouco vamos abrir a janela e ver o mundo em outro lugar no Universo. E, no entanto, tão eu como tu no momento. Daqui a pouco. Abrir a janela…

diminutivos para bonecas nas vidinhas de faz de conta

Diminutivos -, detesto todos. Palavras e referências como palavrinha: vidinha ou bonitinha, engraçadinha, queridinha, mimosinha, tristinha, cheirosinha. Coitadinha. Mansinha. E até florzinha comidinhas toalhinhas. Muito cuidado com a vidinha do outro comparada com a vida que eu tenho. V I D A de verdade, uma V I D A -, nuca uma vidinha. Eu não tenho vidinha. Eu vivo. Elizabeth M.B  Mattos  –  setembro de 2018, Torres. Trabalho recebo meu salário -, eu existo. Eu faço contas, eu economizo, eu cometo loucuras, eu tenho um amor, uma paixão e um pessegueiro de jardim. Não um amorzinho, ou um namoradinho, ou um amiguinho, mas um sempre ser completo. Não é Paulinho, Joãozinho Mariazinha Luisinha,Suzaninha. Nem Pedrinho

imaginação Isabel – confissão pública

Atabalhoadamente, 24 de abril de 2017 – Torres, na caverna.  Ou foi no verão? No meio do mês de janeiro, começo de fevereiro. Já faz um ano, mais, não sei. De repente um furacão atrás do outro. Uma enorme onda, e eu numa balsa precária em alto mar. Ao deletar apressada estava mal, como se tivesse cometido um pecado mortal, culpada. Nada que esteja dentro do Amoras pode fazer mal, não para quem lê, não deve causar confusão ou ser danoso. Por um momento pensei que teria que terminar/acabar com esta brincadeira do Blog. Tanta coisa boba que já não tem nenhuma importância …  A minha vida é minha, e o Amoras tem seu próprio modo de existir, como disse alguém: “não o transforme em diário”, e uma outra pessoa “ele pode ser diário, pode ser tudo o que determinares que seja”. Alguém se sente atingido, a exposição faz mal. Outros reclamam do excesso de fotos. Meus filhos não se manifestam, entendem. Ana Maria, às vezes, alerta para isso e aquilo, avisa / diz. Então tiro. O neto aponto erros de digitação/ ou português. Pequenos comentários num amontoado de vida e catarse. A escritora que queria ser se afunda em amoras azuis … não consigo fazer mais do que isso. Sei escrever cartas como se convenceu Paulo Hecker Filho (que tanto me incentivou para as letras). Não sei o tamanho que seria de solidão se ele não tivesse existido a me fazer seguir, porque não seria eu agora, seria outra. Fiquei preocupado. Me pareceu que não estavas bem ontem, antes de postar o texto do Amoras de hoje. Exatamente isso, eu não estava bem, não estou bem, mas me determinei voltar a leitura do livro do Brennand, e aos poucos me acalmei. Existe um solitário glorioso bem-estar na minha relação com livros, e se estou lendo não preciso de nada nem de ninguém.

Não estou bem, e não tenho um possível confidente que possa entender o que me acontece. Estou cruzando fronteiras e estou bastante vulnerável.  Quando tu e o sonho se confundiram no meu imaginário cheguei a pensar em deletar todos os comentários. Retirar o que pudesse referir a alguém em especial. Depois pensei nesta minha juventude velha aos 70 anos. Que importa? Pelos teus olhos me vejo menina, pelos teus olhos volto a ter beleza, pelos teus olhos a vida amorosa parece existir. Mas no espelho sei que nada disso é verdade. Apenas imaginação e ficção. G. morreu. Foi uma sensação de pânico e absurdo e frustração e não pode ser verdade.  Ainda choro porque foi pesado; estava tão tranquila nos meus últimos 15 anos … completamente inteira no meu Eu comigo mesma. E dei um passo. E ele morreu. Eu me sinto traída. E tu assumiste o lugar dele porque já estavas com ele, já estavas comigo. Muito estranho isso tudo. Quem entenderia?  Loucura.  As decisões são tuas, mas a emoção é minha. Estamos velhos. Parece um peso de fatalidade que poderia ser leve e feliz e fácil. Tens a família. Todo têm nomes e sobrenomes.  Ou se tudo fosse aberto, público como imaginaste, eletivo …, e por que não seria? Sim, eu sabia onde estavas. Mas assim mesmo esperava ansiosa uma palavra. Eu sabia que só escreverias na madrugada, se escrevesses …, mas eu esperava diferente, embora me pesasse a possibilidade do nunca mais, esperando antecipadamente a perda. Eu sabia deste clima estou escondido / assustado, e me sentindo irresponsável. Dividir faz parte. Enquanto as mensagens se cruzavam, as leituras se confundiam, e mais me calava em relação a tudo, mais eu sabia. Dividir, às vezes, pode ser perder, desvalorizar, ou antecipada realidade que se impõe. Como bem escreves / serve para aliviar a tensão. Ainda não voltei a Porto Alegre. Eu me sinto exausta. Estou indo para Recife passar uns quinze dias. TUDO vai passar. Tua carta trouxe aquela tristeza real que o momento merece. Ninguém entenderia o meu momento misturado com o teu, mas sim uma grande confusão emotiva, um furacão como escrevi lá no início. E na quietude, na ordem, preciso devolver as coisas ao lugar certo. Todos os livros estão no chão ou nas mesas. As roupas em desordem. A geladeira vazia. A roupa por passar. Nada está funcionando. Vou me aquietar. Não vai haver guerra, revolução ou coisa parecida. Nenhum furacão ou ventania levará o que foi dito/ pensado / ou sonhado. Nada nos salvará de nós mesmos. Preciso aquietar. Caminhos diferentes… esquisito. Como te disse, as pessoas surgem / aparecem, ou apareceram ao mesmo tempo, e de repente, desaparecem …, vou ver as datas. Ele querendo me ajudar a transformar o Amoras num livro, e querendo poder ler devagar a íntegra de ser parceria. Tu a leres, e a comentares, trazendo de volta emoções da tua adolescência. Ele querendo  a chave do  trancado / fechado, entender reclusão e esconderijos. Cheguei a imprimir o ano 2012, 2013 e 2017 para podermos trabalhar numa seleção. Acreditei no projeto. E fui a Porto Alegre no dia 3 de abril, dia 4 eu faria exames de rotina, ele morreu na madrugada do dia 5 …, talvez tenha sido a boa morte, como ele desejava Ainda não acredito. Uma amiga comum me socorreu dizendo que ele era o meu Benigno. Viste o filme “Hable com Ella” do Almadôvar?  O protagonista Benigno tem o papel de devolver a vida da personagem que está em coma. É este o simbolismo. Algumas pessoas passam pela tua vida para te abrir a porta, devolver a vida, entregar um presente, dar de volta o sentido perdido. Foi assim que ela interpretou a passagem. Auto estima baixa a minha, desconfiança com o amor. Não sou uma mulher FORTE como imaginas, muito pelo contrário. E, ao mesmo tempo, como ele me preveniu eu me exponho sem nenhuma reserva, perigoso. Pois sou este amontoado de contradições. Represento sempre o mesmo papel, repito as mesmas coisas, derramo tudo de uma vez só e careço de carinho. Careço de afeto. A tal fragilidade da exposição que assusta. Como tu estou a me emocionar. É, certamente, adolescência dos 70 anos. Viver tem o sentido de respirar aberto, ao ar livre, junto ao vento. Sou levemente claustrofóbica. A angustia me tira o ar. Preciso respirar. Não quero sombra, quero sol. Talvez não desse certo com G. -, as histórias ilustram, não acrescentam muita coisa. Como estou agora? Triste. Sigo triste lá dentro, mas hoje vou escutar música para espantar os espíritos. Vou caminhar. Vou esquecer que não estamos tu e eu no mesmo patamar nem perto. Vou tentar entender que nem teus comentários no Amoras são possíveis, nem as cartas, nem a voz porque nem tu nem eu saberemos manter o eletivo de ser como somos. Se corres riscos não é eletivo, nem possível. Tanta coisa a escrever, mas não é nada meu amigo, apenas palavra, tu sabes. E o mais trágico é que estavas na minha história, estavas comigo o tempo todo. Elizabeth M.B. Mattos – Torres – setembro de 2018, porque é autobiografia, fatia, um pedaço, ou é tudo mesmo imaginação de Isabel? E houve uma transferência. Houve um equívoco induzido …, o que causou outros danos.

por que chamo por ti

por que chamo por ti?

porque acordo e sinto dor no corpo

porque acordo e não tenho corpo

porque acordo, e sei que dormes

enfim, afinal, o que posso mudar …,

reconheço o balanço do tempo

já tanto envelheço, – estupefação,

e agora/ hoje desperto a te esperar.

Vem chega perto e toca meu corpo, – eu respiro

deita ao meu lado,

e respira respira …, eu respiro

A juventude volta, fechamos, nós dois, os olhos

e já será amanhã … Elizabeth M.B.Mattos – repensando, repetindo, revisando, e ficando, exatamente, no mesmo lugar a te pensar e …, pois é. Não vais ouvir, não vais saber, não vais ler, apenas sentir. Setembro – Torres de 2018

carta manuscrita bilhete da mãe

casa obra marcia e eu obraaaaaa2018-08-25 07.48.26

DESENHO INTERESSANTE RECORTE

o fio

tem um fio invisível que segura, prende um sentimento ao outro sentimento, um olhar ao outro olhar.

tem uma mão que segura outra mão

e aquela memória de tudo ser o mesmo, tudo igual, ou,  já não é mais…

e  já somos grandes, pessoas, adultos. E diferentes. Se espalha  urgência desastrada, amorosa.

Quero os pés no chão, verdade pequena, chorar qualquer lágrima… entender.

e o pedaço de pão que reservei, o pote de água, a cama que deves descansar, te esperam, assim mesmo, … estranhados.

e não vens. E não virás. Desembarcou noutra ilha. Não falas. Não compreendes.

E  eu te conto,  escrevo, meu querido. Desde muito pequena converso, brinco e falo contigo, amado imaginado.

Foi tudo amarrado naquele fio esticado de ter doze anos, quatorze anos, quinze anos. E nos engalamos para dançar  no baile do Country  Club

as tuas areias, as tuas pegadas, outras. O teu mar, tuas terras, outras. Arrozais e pradarias ao vento: colorido teu mundo de luz, leveza, e sol.

Encantado, juvenil, descabelado  crisântemo,  alegre margarida. De sorrisos e leveza, crianças e balões. Outro quintal.

Vamos nos encontrar entre os perdidos -desaparecidos. Outro mundo, outro amor. Outro encontro. E vais me sorrir. Elizabeth M.B. Mattos  – Texto perdido, ou repetido, estou procurando …, mas toda a memória marca o compasso.

 

anotações …, a ser desenvolvido

Perfume e indiferença …, aquela prepotência cega do desamor. Fico com alfazemas. As pedras do cascalho queimam meus pés. Amorosos fantasmas.

Vou leve ao encontro do amor mesmo no desencanto do desencontro. É o caminho … Algumas pessoas foram  nossas no abraço.

Minha casa está aberta? Não. Minha casa não está aberta.

Dor na perna esquerda, nos ossos, no joelho. Se não houvesse corpo, não haveria dor.

Impressiona a força afetiva da memória…, ou é apenas espanto? Não sei nada do amor. Amor de amor que espalha / caminha /  atravessa. Importância inesperada. Como é possível relação derrubar concentração? …, sair do eixo perder o prumo …, esvaziar cabeça, vontade, e fazer doer o corpo, … desorganizar. Criar barreira. E a hora escorrer. Há qualquer coisa de trágico! Não sei contar a história, nem desfazer o nó. Cansaço nesta/desta expectativa. Elizabeth M.B. Mattos – retomando – setembro de 2018 – tentando publicar para depois ordenar e seguir. Aos pedaços.

de Iberê Camargo e Flávio Tavares

de Iberê Camargo e Flávio Tavares

1.

Cada vez que imagino ou penso/quero contar a história de amor/amigo escapo, ou me atrapalho, amigos artistas, flor especial:  positivo, dispersivo. Iberê Camargo, por exemplo, conheci no Rio de Janeiro. Rua Muniz Barreto, Aliança Francesa de Botafogo. Era lá que fazia meu intensivo de francês com M. Gadiou. Naquela pequena sala de eventos, logo na estrada da casa de pedra, exposições. Os artistas cuidavam dos próprios trabalhos, atendiam as visitas, prestavam atenção no livro de presenças. Nesta época eu assinava Elizabeth M.B. Moog.  Maria Camargo também presente, entre cafezinho e conversa. Nesta ocasião eles moravam na Rua das Palmeiras, também em Botafogo. Na esquina a grande loja SEARS. Terminada as aulas, ano letivo, meus filhos e eu viajávamos para o Sul. Torres no verão. Trocamos endereço, estabelecemos a ponte, e tudo o mais ficou para março quando eu voltasse. Prometi escrever. Ele também. Primeira carta de uma amizade que duraria quarenta anos.

” Querida Elizabeth: Recebi a tua carta. Vejo-te à beira do mar. Enche, pois, as tuas mãos de mar, enche os teus olhos de luz.  Na minha lembrança, tu és uma presença. Eu perdi o jeito de correr pelas praias e de me misturar com os peixes. Faz isso por mim. De Torres guardo este fragmento, por certo o mais agreste, o mais autêntico ao pé do penhasco, o mar enrola-se como uma grande cobra verde. Ao longe ele é sereno. A distância da placidez da cousa. Tenho produzido pouco ou nada. Espero melhores dias. Mando-te a minha saudade que é muita. Afetuosamente, O Iberê –  Rio,28 de janeiro de 1975 “

Iberê Camargoimages Museu instituto