não sei se tem som

  1. Esta coisa da chuva é pretexto, mas qualquer fuga responde …, uma casa esparramada, envidraçada …, lajotas. As portas-janelas abertas apesar da chuva, … uma aba enorme protege o alpendre. Não molha a cadeira, nem a rede. A sonata se perde pela sala …, os espaços disputam melodia. Ele adormece meio sentado, reclinado, contrariado. O peso parece maior, mas não engordou, nem emagreceu, apenas parou de rir, de falar, segue/persegue o silêncio, e se abstraia da voz da mulher, da música e se afunda …, no sonho, nas correrias de menino, e nesta imobilidade. Albertina acomodada ao silêncio segue o sono que atravessa suas costuras, seu fazer. Ela não larga a rotina. A casa tem o cheiro da cera, do café, da carne assada, do feijão e das frutas picadas. Perfume de rosa e de jasmim. O mato entra pelas narinas como se fosse jardim, pomar, refúgio cozinha e sossego. A chuva bate forte na vida, e renova a terra, o revirado daquela fantasia. Imagino. Inesperadamente eu vou.
  2. Vidraças pingadas. As crianças apertam o nariz no vidro enquanto a chuva deste outubro se atrasa. Brinquedos, livros e cestos pelo chão. Espero acomodar as lembranças e assumir o jardim. Gavetas e estantes ordenadas. A poeira se aquieta, as panelas se escondem. Vejo a ponte entre o mar e a estrada, estremeço inquieta. As palavras me ensurdecem. Exijo silêncio, e adormeço. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2018

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