1967 um mergulho no AMAZONAS

O visual, a intensidade de estar ao teu lado nestes idos 1967. Ousar e …, tudo descrito com cuidado visual.

E a selva? Para mim, vem sempre associada a uma caminhada nada fácil que não foi passeio. Conclui que nem o fio de Ariadne é capaz de impedir que a gente se perca naquela mata. Eu nunca conseguiria nem mesmo seguir o meu plano de ir em uma direção se escapasse da queda imaginária de um avião. Mesmo em dias claros, não se consegue ver o sol e sua inclinação. Talvez, por pouco tempo e em uma clareira natural fosse possível, mas saiu dali, nos perderíamos. […] 

Inacreditável a complexidade da trilha na mata densa, arbustos roçando o rosto, e até passagem por sobre riachos em cima de tronco de árvores tivemos  que fazer com risco de quedas feias. Eu não identificava trilha alguma. Devia haver marcas que orientavam o mateiro. […]

As botas foram ficando incômodas, mas mas bolhas que se formavam pelo calor e atrito não me impediam de andar. Levamos quase oito horas para chegar. […]

Em certo momento, ao me agarrar a um caule, fui atacado por formigas. […]

Em pouco tempo anoiteceria. Quando finalmente chegamos, eu estava extenuado. Era uma casa ampla, sobre palafitas de cerca de um metro de altura, com uma família grande nos esperando e uma cabana de fazer pelas.” (p.48-49) Eduardo Azeredo Costa

1967 Um mergulho no AmazonasCAPA DO LIVRO EDUARDO

O desafio cultural na luta com a selva e até com seus impulsos sexuais, em um ambiente hostil, vai se desdobrando em identificação com os seringueiros amazônicos.”

 

Memórias de um jovem médico do SESP na Amazônia, com  reflexões de um velho sanitarista 50 anos depois

“A SESP encerrou suas atividades em 1990, no movimento de criação do SUS, que levou ao fechamento do INAMPS, entre outros órgãos. Até ser extinta, a FSESP atuava na assistência à criança e à gestante, na vacinação, em programas de controle de doenças transmissíveis, como lepra e tuberculose, promovia saneamento básico e a clínica geral de adultos, além de odontologia sanitária.”

perder – se

“Como não voltar? É preciso perder – se. Não sei. Vais saber. Gostaria de uma indicação para me perder. É preciso ter segunda intenção, dispor – se a não mais reconhecer coisa alguma do que se conhece, dirigir seus passos ao ponto mais hostil do horizonte, uma espécie de extensão de pântanos que mil escarpas cortam em todos os sentidos não se sabe por quê.”(p.7)  

–  Porque tenho a impressão de que se tentasse dizer – lhe, tudo seria reduzido a pó …(p.101) Marguerite Duras – O Vice-Consul – tradução de Fernando Py

Então, eu não digo. Não vou te dizer o que preciso desabafar /falar/ derramar. Fechaste a porta. Fechaste a porta enquanto eu te olhava, … eu ainda te vejo, e te imagino. Se me chamares, eu vou … Beth Mattos – novembro de 2018

perfumadassssssss 1

invisível

Não quero dizer/escrever que ele desapareceu. Apenas passou a estar menos presente do que até então, muito menos presente, e, é certo que o essencial da recordação está confinado ao pequeno mundo da minha imaginação.

Um jogo/brinquedo que a memória faz com pessoas mais velhas, ou mais distraídas, ou cansadas. Brinquedo de esconde-esconde. Aquilo que estou a procurar desaparece. Se é livro, acho normal, nada mais invisível que um livro no meio de outros. Na gaveta a blusa, penso, dei para alguém, lavando não está. Amanhã arrumo o armário outra vez. Se é a latinha de Coca-Cola, ué, eu já bebi, e não me lembrava. Maçãs? Fico intrigada, será que eu fiz o suco com limão? A blusa pendurada no varal, o livro na pilha daqueles da cabeceira, as maçãs na gaveta da geladeira. E a pá do lixo, exatamente, no mesmo lugar, a escada escondeu um pouco. Então comprei outra. Que surpresa! Lá está ela, junto aos baldes! E eu me olho ao espelho. Impressionante as rugas, as pálpebras pesam, e a boca esticada. Envelhecer é um fenômeno. De repente, de um dia para o outro … Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2018

distraída desavisada

Se senti medo, foi inútil. Se dei dois passos e não ousei, sou covarde. Se estremeci ao teu contato, teu olhar …, o medo ameaça amor paixão, ou qualquer sentimento de entrega, qualquer encontro. Justifico. Aos dezessete anos eu me sentia, ainda, confortável …, sentimentos em aberto. Aos dezoito anos caminhei muito, muito. Aos dezenove um susto. Aos vinte anos casada. Aos vinte quatro três filhos. E a vida me atropelou … Aos quarenta, minha filhota bebê, a Luiza. Tu nunca te aproximaste, mas eu lembro teu olhar. Se o teu passo, se o teu sorriso, teus olhos tivessem me abraçado …, fico imaginando. Tenho certeza:  …, eu imagino sonho. Teu corpo, meu corpo. Apagaste outras lembranças amorosas. Queixume e choramingo. Seria apenas começar. Eu te conheci neste hoje turbulento, intenso. Passamos um ano estremecido, conturbado, indeciso. Essencialmente amoroso. Cerejeiras de todas as cores. Desavisada, distraída. Se penso intimidade, penso entrega. Amorosa, lenta. Como se o tempo, bem, nada importa …, apenas os segredos. Uma enrascada, compreendo. Lamento. E não sei como sair. Eu te penso todos os dias. E todos os dias …, não significam o que podia ser. Irremediavelmente longe! Eu vou te chamar, ouvir tua voz, e como menina desligar. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2018. O que fizemos com o possível?

perfumadas 2perfumadas

GRIFFIN fotografia

muitas flores nas cerejeiras

VALENTINA em outubro de 2018

BELA TODO DE COSTAS de LUiza MODELO

para sempre

Cheguei a planejar uma alameda de cerejeiras de jardim aqui. 

Incrível intimidade que nunca existiu e parece que nunca acabará …

cropped-cerejeira-flor-florida.jpg

…, gosto de pensar que nunca acabará. Intimidade de alma que se esparramou numa alameda de cerejeiras. Eu estou sempre voltando pelo mesmo caminho. E quero que o tempo nos imobilize, e não seja tarde. Tarde demais … Beth Mattos -novembro de 2018

tristeza fresca

“[…] tentativa de fuga não se fazem acompanhar de paixão verdadeira nem de entrega, refugiam – se em ocupações, em tarefas artificiais

Você sabe, no interior de certos modos de vida e de certas normas sociais a solidão a solidão apropriada a cada idade se manifesta como a doença dos organismos desgastados.”

E ficamos sós porque somos orgulhosos e não temos coragem de aceitar o dom um pouco aterrorizante do amor. Porque temos um papel que nos parece mais importante que a vivência do amor. Porque somos vaidosos.”

(p.176-177) Sándor Marái (Autor de As Brasas) De Verdade

Pensei em tudo isso. E fui limpar a casa, organizar a roupa. Dar uma volta com a Ônix.

É verdade que escolhi esta vida, não sei se nela me escondi, ou se comecei a respirar.

Aos dezoito anos fui fazer/trabalhar na televisão com Célia Ribeiro, e um pouco do que chamo jornalismo na revista Globo (quatro edições -, entrevistas com pintores). Logo me casei. Três filhos. Fiz a faculdade no Rio de Janeiro -, Anos de Chumbo, podia se andar de ônibus a qualquer hora da noite.  Comecei a trabalhar no Colégio Da Providência. De repente fui obrigada a voltar para o Rio Grande do Sul, e já era 1980. Conheci o Jorge na casa de minha irmã, e casamos. Dois anos em Porto Alegre, no Sul. Tempo de ser princesa. Santa Cruz do Sul, gosto daquela cidade. Mais um filho, veio a Luiza, minha bebê. Toda uma história boa. A separação me trouxe para Torres. E surpreendentemente fui, outra vez,  muito, muito, muito feliz.

Porque os corpos se lembram, você sabe, para sempre, como o mar e a terra, de que pertenceram um dia.” (p.244)

Abro um livro todo cheio de anotações, um autor que gosto muito, a ser relido. A memória caminha distraída pela vida. Um dia tão azul hoje! Elizabeth M.B.Mattos – 2018 – Torres

Tristeza fresca é do Marái …, que delícia de expressão.

foto minha novembro de 2018 tempo passsando

Alegria prazer encontro, até as lágrimas são boas. Amigos e amigas. Sim, preciso emagrecer, preciso caminhar mais, preciso …, mas empurro. A vida me salva.

 

colheradas

Dia difuso, tomado de saudade… Ora! Ora, ora! Não vivi  isso / não sei onde estás:  imaginação / alucinação… Não faz parte / não pertence / não é a minha vida.  Loucura desta desenhada e colorida imaginação. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2018 – Torres

Paul Auster em Diário de Inverno – memórias : Fala agora, antes que seja tarde, e depois espera continuar a falar até que não haja mais nada para dizer. Afinal de contas o tempo está – se a esgotar. Talvez não seja pior poderes de lado por agora as tuas histórias e tentares passar em revista o que foi para ti viver dentro deste corpo dede o primeiro dia de que tens memória de estar vivo até ao dia de hoje. Um catálogo de dados sensoriais.”

Foto do Maurício de cotas caminhando na água

Esses livros são as colheradas com que tenho medido a minha existência.” Ian McEwan

dolorido esquisito

Histórias de amor suado, esquecido, naufragado ou findo … Termina antes, antes  de começar: dolorido esquisito. Se não amo desespero, se amo eu me atormento. Quero e não sei. Fujo e entristeço. Se é azul, ou castanho, verde ou …, pois é sempre naufragado. … ou apenas isso, dolorido esquecido, largado, o amor. Como é mesmo amar e se apaixonar? Que droga! É desespero ou vazio? Elizabeth M.B.Mattos – Torres

Santa Cruz do Sul

Santa Cruz do Sul

A leitura se completa na memória dos livros lidos. Cada idade uma foto-história. Santa Cruz do Sul. Vida generosa. E.M.B. Mattos

Tinha a impressão de encontrar-se num lugar que conhecia, mas não sabia conhecer; ou percorrendo um livro que já lera mas relia com a mesma emoção, porque não tinha memória de tê – lo lido. ”  Orphan Pamuk