fome, tantas! sentir fome

Embora o prato de cogumelos e o espinafre de urtigas me tenham transformado em cozinheiro e anfitrião, os pressupostos para minha vontade de juntar isso e aquilo numa panela, rechear uma coisa com outra, que continua firme até hoje, explorar o gosto especial de algo com diferentes ingredientes e imaginar convidados vivos e mortos junto de mim quando cozinho, já se anunciam nos primórdios da fome roedora, quando o ferido já se recupera e foi arrancado às mãos cuidadosas das enfermeiras, passando da estação de cura em Mariambad diretamente para o campo da fome no Palatinado Superior.

Entre dezenas de milhares, e até mais, prisioneiros de guerra, eu aprendi, depois de dezessete anos de fartura regular – só às vezes é que passei por apertos -, a suportar a fome, que era sempre dona da primeira e da última palavra, como uma tortura duradoura e roedora, e ao mesmo tempo aproveitá – la como fonte de inspiração continuamente borbulhante; quando minha força de imaginação aumentava, eu sempre emagrecia visivelmente.“(p.157) Günter Grass in Nas Peles das Cebolas – Memórias

Lembrei do Internato das Cônegas. No café da manhã, tínhamos uma fatia de mortadela e outra de queijo. Eu gostava. Amanhã vou fazer um feijão. Houve um tempo de penúria quando resolvi morar em Torres, teimosa, deixei para trás conforto e luxo. O que de fato definia, era a juventude dos 40 anos. Eu podia recomeçar.  Animadas, felizes e com planos. Livres.

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