Labirinto

O labirinto (27/03/2019 02:30) no sonho, e acordo. Acho que pode ser mais tarde, ainda amanhã, logo, hoje. Tenho pressa. Erótico sonho sem saída. O medo maior, talvez, seja dizer ou fazer o viável: conversar e chegar, definitivamente, um no outro. Eu me aproximo na urgência de ser tu e eu, nós dois. Mas eu me escondo (perigosamente) de mim mesma, não consigo. Das amarras quero me livrar, neste momento invisível, aparentemente, intransponível. Ne bavarde pas. Não diz, não fala nada. Estou amedrontada. Teus olhos serenos. E a mulher que não sou volta inteira para te tocar. Sinto medo. Sinto medo. Desafio, anos de insegurança, e hoje, sem falar / sem explicar, audaciosa te procuro. Tu pegas na minha mão e começamos a descer as escadas. Por todos os lados chegam vozes, eu seguro / prendo o passo. E tu, surpreso, apertas meus dedos. Não vamos desistir. Sem dizer penso: Não posso ter medo. Não temos mais o tempo esperando / acontecendo a se arrastar paciente. Somos dois fantasmas daqueles meninos que fomos, e sempre nos querendo bem, apertados um contra o outro. Interrompemos a descida para sentir o escuro. Teu sorriso aberto está preso no meu. Trocamos um beijo no vão da escada. O passado se apresenta ruidoso, mas temos um hoje rasgado e inviolável. Os malabarismos seriam impossíveis se não houvesse esse querer. Enquanto vou descendo e identificando as vozes eu me agarro na tua certeza. Temos convicção. Releio tuas cartas, não vou pisar nos sonhos de um homem que vaga / caminha num eterno e solitário passeio pelo desejo oculto, tão visível para nós dois: prazer terreno. Os mais secretos porque silenciosos. Vou andar pelo nosso sonho obscuro e latente. Não precisamos de vozes. Apenas o toque. Não precisamos de luz, atravessamos o tempo. É tão fácil estar perto! Tão possível! É uma espécie de surpresa / missão humana, a nossa. Este passo / este caminho nos pertence. É preciso materializar / fazer acontecer ainda nesta vida: não somos promessa, temos que ter coragem de avançar. Não importa o limite. Somos nós. E somos transponíveis. E possíveis. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2019 – Torres

2019-03-27 02.50.44

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s