qualidade sacra: pensar em ti

Penso que posso voltar. O deslocamento, o sonho ele mesmo se diluiu… Penso e penso, não é nada, assim mesmo vejo beleza leveza e sinto gratidão. Quero materializar. Quero ser a mesma: escapaste do toque, deste milagre que seria tua mão na minha mão. O sagrado da ficção nos alcança: “[…] tudo que é sagrado possui a substância dos sonhos e lembranças de forma que experimentamos o milagre das coisas das quais estamos separados, seja pelo tempo seja pela distância, e se tornam, de repente, tangíveis para nós.  Sonhos, lembranças, o sagrado – são todos parecidos pelo fato de estarem de além do nosso do nosso alcance. Quando estamos separados, ainda que não substancialmente, daquilo que podemos tocar, o objeto fica santificado, adquire a beleza do inatingível, a qualidade do milagroso. Todas as coisas, na realidade, possuem esta qualidade sacra embora possamos conspurcá -las com o toque. Que estranho é o ser humano! Seu toque  vilipendia embora nele esteja contida a fonte dos milagres.” (p.47) Yukio Mishima, Neve da Primavera Mar de fertilidade Volume I

Empurro a reforma, respiro poeira, caliça e desejo. Vejo através do vidro e da possibilidade… E estou contigo no toque, no desejo, na loucura, da interdição. Sou infantil quando te desejo. Repito as pequenas frases! Narrativas. A tua história sedutora a se colar na minha vida. Conseguiste bulir e remexer e transviar, preencher. Prazer de menino protegido. Tens o muro. Ontem te escrevi uma enorme carta cheia de explicações e bobagens. saltando pedaços de mar, areia, vento, cheiro, e o corpo suado nos acalmava. Claro! Vivo e divinizo…, uma brincadeira. Foste a mais séria. Ao chegar aos setenta anos, o mundo se ilumina com camélias, anêmonas, cravos e jasmins e trabalho. Fome. E bebemos muita água com alecrim. Tantas vezes eu preparo a casa para tua visita. Ainda te espero. Elizabeth M.B. Mattos março de 2019Esta no POST

Trancaste todas as possibilidades: não importa. Igual eu sonho contigo. Quando abro os olhos: estás apressado a te vestir, e eu te vejo fechar a porta…Elizabeth M.B. Mattos

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