escorregando na escada, um pequeno solavanco

Tão logo penso ‘nestas coisas que não existem’ elas passam a existir. Tenho vida sentimento racionalidade tato olfato amor raiva desprezo ignorância, ciência na cabeça no meu corpo robótico. Uso ou não, disponho ou não, acesso ou deixo adormecido. Como os ‘excluídos do amor’ aqueles que apenas, não foram acionados, e permanecem mecanizados a fazer/ agir focados em outras tantas coisas que não o prazer erótico do corpo. Tudo registrado, mas nem tudo possível nesta miríade de vida, a nossa / a tua / a minha. Ou seremos mesmo eternos, a reencarnar e volta, ou a viver noutra galáxia noutro tempo? A girar revitalizados. Sendo e voltando / morrendo e revivendo…

Poderíamos? Talvez…

Armazenamos. Coletamos. É assim? Não te respondo. Não tenho respostas. Escorrego pelos livros, salto páginas, eufórica, depois adormeço, os olhos abertos… Tão urgente a vida! Tão agora! Não há tempo para dizer ou pensar, temos um pequeno agora / um hoje.

Descasco uma laranja de umbigo, enorme e doce. O hoje se resume em chupar laranjas e estrelar  na vida pequena o recluso.  Não tenho respostas, meu amigo! Estar perto com os olhos nos teus olhos seria o perfeito, alegria completa. Mas tu e eu não podemos, não queremos, e não faremos o possível.

Constrangedor texto: Excluídos do Prazer (ou Quem são os excluídos do prazer?, no título provisório que eu dei) foi escrito noutro tempo, noutro pensar, antes, muito antes de pensar corpo e prazer e sexo. Na carta para Paulo Hecker Filho eu o integro ao Amoras. Do que os amigos pontuam após leitura de Moldura sem Retrato: […] “misturas, em alguns textos, a descrição detalhada de ambientes e de pessoas, com conteúdo forte sobre sentimentos e passeios e sobre a vida. Alguns bem fortes, outros mais amenos e todos são ótimos, cada um na sua posição. Juntos, ao passar de um título para outro, as vezes parece, como que, se está escorregando na escada, um pequeno solavanco, depois me acostumei. Como sou de textos curtos, por inépcia própria, gostei de ver os enlaces que fizestes.”(A.C.L.) Eu respondo: gosto demais quando diz/escreve: ‘escorregando na escada, um pequeno solavanco’. Preciosa avaliação sobre o que escrevo. Obrigada. Cada palavra estímulo um agrado. O prazer me aquece, eu o sinto perto / amigo / como se os olhos estivessem mesmo no meu olhar e a voz nos meus ouvidos. Afinal estes prazeres/ estes retornos / estas palavras me abraçam. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2019 – Torres

 

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