“Para o coração a vida é simples: ele bate enquanto puder.”

Tentar escrever. Escrever tentando encontrar. Se retomo autores, releio a menina, a jovem, ou passado, não sou mais eu! Que vontade tenho de voltar… Confesso, não sei se iria para a Noruega, ou para a França, quem sabe a Suíssa, ou a Suécia, ou apenas voltar para o começo, e recomeçar, ainda na rua Vitor Hugo. Em Petrópolis. Em casa. Choramingo. Karl Ove Knausgard:

“Escrever é mais destruir do que criar. Rimbaud sabia disso  melhor do que ninguém. Digno de nota não é ele tenha chegado tão inacreditavelmente jovem a esse insight, mas que tenha aplicado isso em sua própria vida. Para  Rimbaud tudo dizia respeito à liberdade, tanto na escrita quanto na vida, e só porque a liberdade tinha um papel dominante que ele  podia deixar a escrita em segundo plano, ou até tivesse que deixar a escrita em segundo plano, pois ela também se tornou para ele um limite que deveria ser destruído. Liberdade é igual a destruição mais movimento. Outro escritor que percebeu isso foi Aksel Sandemose. Sua tragédia foi ter conseguido alcançar esse objetivo somente na literatura, e não na vida. Destruiu, e permaneceu no meio de ruínas. Rimbaud foi para a África” (p.182) Karl Ove Knausgard Minha Luta 1 A morte do pai – Tradução do norueguês Leonardo Pinto Silva

“Para o coração a vida é simples: ele bate enquanto puder.”(p.7)

Torres, 2 de junho de 2016. Ancorada em leituras, notas, escritos, e firme na minha jornada à caça de liberdade, e manhãs ensoladas e aconchego de velhas histórias inacabadas. Todas, de certa forma, intensas e transbordo em cartas / memória e passado/presente. A descoberta:

Nosso mundo está encerrado em si mesmo, encerrado em nós, e não há mais como escapar dele. Quem nessas circunstâncias clama por mais interioridade, mais espiritalidade, não entendeu nada, pois aí é que está o problema, o espírito tomou conta de tudo. Tudo se tornou espírito, até mesmo nosso corpo não é mais corpo, mas ideia de corpo, algo que se encontra no paraíso de imagens e representações dentro de nós e sobre nós, onde uma parte cada vez maior de nossa vida é vivida. As fronteiras daquilo que não nos diz nada, o impenetrável, foi eliminadas. Compreendemos todas as coisas, e isso porque fazemos tudo em proveito de nós mesmos.” (p.207)

Enquanto escrevo redesenho colorido aquele primitivo rabisco feito,  e defeito, num caderno depois do outro, incansável. O mesmo. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2019 – Torres

Sim, a nossa conexão não se explica, nem se confirma, muito menos se contempla. Estamos debruçados em janelas laterais e nossas vozes soam na calçada misturadas com outras vozes. Por nós eu moraria no campo, por nós eu moraria na serra, por nós eu moraria na praia, ou ficaria pelas calçadas. Mas não existe nós… Então, eu tomo sucos. Como pastéis, e te conto novas histórias. A cada noite eu volto a te explicar como foi errar, e recomeçar, e tu me abraças, e nem te dás conta que o meu pescoço com tantas pérolas esconde pele enrugada, e brinca de ser rainha…

o bilhete de Gianfranco

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