altiva

Entrou altiva. Sentou no sofá de veludo, e se encostou nas almofadas macias. Com prazer esticou as pernas, como se voltasse de uma longa caminhada! Pediu água e sorriu satisfeita. Nós esperávamos bem uma hora e meia e seu atraso nos inquietava. Espanto ao ver tanta serenidade. De uma ausência de tantos anos, eu me perdi nas dobras do seu corpo nem tão gordo, nem tão magro. Na blusa polo e nos tênis brancos, nas meias curtas e naquela calça com riscas vermelhas. Os colares de ouro no pescoço. E brincos. A bolsa era grande, um couro leve, trabalhado em cores castanhas, um grande fecho atravessava a costura.

Cabelos ondulados presos por pequenos passadores, o rosto limpo, os olhos castanhos voavam curiosos. Tudo nela parecia perfeito confortável. Abusava da fartura.

Arrumei o vestido e  sentei na outra ponta do sofá, desconfortável. Talvez eu tivesse colocado perfume forte demais. Esqueci o casaco na poltrona do quarto. Com frio, cruzei os braços nervosa. Talvez fosse o cansaço da viagem, ou o tempo agindo no envelhecer. Suponho que umas pessoas sentem as horas como pregos, e outras livres, alegres ponderem o excesso de luz. Se trata de um negócio. Valor, decisão, acerto, tudo me inquieta. Valorizo a vírgula. Excesso! Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2019 – Torres

 

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