acerto do conforto

A mesa de jantar era para que dez pessoas se sentassem a volta, confortavelmente. O luxo, um acerto de conforto. Assinatura do poder. O alcance que eu tive/tenho sendo visceral se diluiu no que de fato transcende poder e coisas e matéria. Escolhi amores amados! Crianças se aconchegam no cheiro e sobrevivem indiferentes, ou transparentes ou renegadas.

Superei. Atravessei o fosso, venci o medo. Agarrei o galho daquela árvore. E nem o vento, nenhum raio nem as chuvas mudaram minha posição. Devo ter recebido tudo o que precisei para sobreviver e crescer.

Estou a me debater na crueldade, neste desprendimento dilacerado e maléfico. Mergulhei no sentimento desconfortável/estranho de não me importar. A energia se derrama na limpeza, no esforço para manter o cheiro perfeito da casa. Janelas abertas, móveis escovados, roupas lavadas e louça a brilhar. Não tem verão nem inverno. A temperatura adequada para ser agasalhada por um cobertor e lençóis perfumados. Preencho o prazer com o cansaço prazeroso de fazer. Não penso ternamente em ninguém. Não amo mais. Preparada estou para a batalha final, indiferente, anestesiada pela vida. Cansei de mendigar. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2020 – Torres

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