com o coração

ARTIGOS DE JORNAIS a serem investigados:

  1. OS PASSOS DA ALTA SOCIEDADE
  2. Duas Décadas de Colunismo: um painel variado e colorido de experiências em um, tempo de muitas mudanças. Gasparotto. Ver documento ZH/GAÚCHOS 20 anos -.04.05 1984 – página 7

NOTAS de ARTE

IBERÊ CAMARGO: Correio do Povo 03-01-1961 – página 8

Fim dos “encontros”, começo da exposição. Sexta-feira última, em ato realizado na Galeria Municipal de Artes, encerraram-se os “encontros com Iberê Camargo”, promovidos pelo Setor de Cultura da Secretaria Municipal de Educação de Assistência, dirigido pela professora Istelita Cunha.Compareceu grande número de pessoas, destacando-se a presença do dr. Carlos de Brito Velho, secretário Municipal da Educação; professora Nair Marques Pereira, alta funcionária daquela pasta; escultor Francisco Stockinger. Professor padre Gustavo Pereira filho, Mário de Almeida Lima, Elley  Fernanda da Silva, Ruy Paim, Alice Breickmenn, Alice Soares e professora Maria Anita.

Falou inicialmente Iberê Camargo. Seu discurso publicamos na íntegra logo a seguir, após Iberê, usou da palavra o crítico Carlos Scarinci, que salientou a importância dos encontros. Depois, foi inaugurada a exposição dos quadros produzidos durante o curso ministrado por Iberê Camargo, em dezembro. A mostra permanecerá aberta até o próximo dia diz, no horário das 8;30 às 11:30 e 16 às19:30. Não há necessidade de convite. Os leitores já se podem considerar convidados.

E agora, eis o discurso de Iberê Camargo:

“Esta exposição é um esforço e uma resposta. Não pretendo fazer aqui uma análise dos quadros que apresentamos. Prefiro assinalar o significado deste esforço e desta resposta que trazem inquietações e rebeldia.

Eu me alegro com esta inquietação e com esta rebeldia que  conduzem á criação, condição de ser da arte.

Refiro-me a rebeldia que não exclui o estudo paciente e tenaz, necessário na elaboração de uma linguagem própria e viva. Nestes vinte ano de trabalho em comum, procuramos estudar o desenho, os rumos, a composição, os valores cromáticos e do quadro, enfim, todos os elementos que constituem a linguagem da pintura.

Fomos exigentes nesta busca e também, fomos humildes: abrimos os livros e dialogamos com Kandiski, Legér, Matisse, Braque,Klee, mestres da pintura contemporânea. Para melhor nos informar da evolução dos nossos meios, pedimos e recebemos de Carlos Scarinci uma dissertação clara e concisa.

Agora podemos dizer que o problema está posto: tomamos consciência das nossas deficiências e formulamos nossos propósitos. Este movimento foi uma arrancada. A intenção dos jovens expositores prosseguir associados num atelier livre. Este Propósito já encontrou acolhida no espírito de elite de nosso secretário de Educação da municipalidade, prof. Carlos de Brito Velho. Também contamos com o apoio da professora Istelita Cunha, que teve a iniciativa dos encontros desde a primeira hora, colocou todos os meios á nossa disposição.

Não quero deixar de associar esta iniciativa a professora, Nair Marques Pereira, senhora terrivelmente simpática que participou deste empreendimento.  Estas referências eu as faço para ser coerente comigo mesmo: sei aplaudir e sei criticar!

Celebramos hoje nosso último encontro. Quero lembrar a vocês que a pintura é uma amante exigente: ela só se dá àqueles que também a ela inteiramente se entregam. A sinceridade do artista é condição para possuí-la. Sinceramente em arte significa uma expressiva resposta a vida E esta resposta está no meio que também é fim.

A técnica do pintor seria coisa e pouca valia se fosse mero jogo de cores que o espírito não transformasse na forma e no conteúdo vivente da obra e arte. Sim, pintura não é simples jogo de cores, assim como poesia não é simples jogo de palavras.Direi que pintura se faz com a cor, com a forma e com o coração.

Procurei, nestes breves encontros, transmitir a vocês o pouco que tenho com o fim de fazer discípulos, mas com o propósito de colocá-los diante da pintura de hoje.

Aí estão os quadros! Este é nosso esforço. Esta é a nossa resposta.

Com o decorrer do tempo, nossa voz se tornará cada vez mais nítida, mais poderosa porque nós falamos a linguagem do nosso século. Eu agradeço a todos que colaboraram na execução de nosso pano e faço uma referência especial aos jornalistas Rui Carlos Ostermann e José Monserrat Filho, do Correio do Povo e da Folha da Tarde.

A todos eu ofereço a minha amizade.” Iberê Camargo

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